#FicaDica: Baltazar

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Baltazar no #FicaDica. Banda carioca lança EP multisom. Foto: Jorge Bispo

A nossa coluna, #FicaDica existe para mostrarmos aqueles artistas que apostamos e achamos que vocês devem conhecer. Por isso, indicamos agora o grupo carioca Baltazar. A verdade é que desde que ouvi pela primeira vez, não parei de escutar o EP deles Pressa, que acaba de sair e você escuta abaixo) e foi gravado em dezembro de 2015, no estúdio Maravilha 8, com produção musical de Daniel Carvalho e Berna Ceppas, em um raro gravador de fita dos anos 80 para deixar o processo meio analógico e soar antigo, alinhado à estética musical da banda.

Formado por Pedro Mib (voz e guitarra), Eric Camargo (guitarra e voz), Jota Costa (baixo) e Pedro Tentilhão (bateria), a Baltazar tem uma levada setentista e grooves que vão te deixar com vontade de apertar o repeat. Garanto! São apenas cinco canções que imprimem o estilo bem variado do grupo que passea pela MPB, samba e o indie velho nosso de cada dia, que vocês conhecem bem de artistas como Rubel, Cícero e Apanhador Só.

“O resultado das nossas canções tem muito a ver com as referências e influências pessoais de cada um da banda. Nós ouvimos muitas coisas diferentes um do outro. Eu sempre fui muito ligado ao rock, e o Jota, em música brasileira, por exemplo. Acho que esse ecletismo do EP vem daí. Trazemos referências diferentes que acabam se juntando e resultando nos nosso arranjos como são. Tem outra coisa que influenciou nesse repertório. O EP só tem 5 faixas,  mas a gente ensaia e toca sempre nos shows muitas outras canções nossas. Mas você imagina, cara, quando surgiu primeira a oportunidade de entrar em estúdio,  tivemos que fazer as escolhas próprias de uma banda independente, no que diz respeito à grana que a gente tinha mesmo. Conseguimos gravar com participações maravilhosas, um trio de sopros, a produção do inigualável Daniel Carvalho, porque todos os parceiros foram muito generosos. Mas dava pra fazer só 5 faixas do jeito que a gente queria, naquele momento”, conta Pedro Tentilhão.

Escutando o EP, dá para perceber essa miscelânia de influências e daí, ao perguntar sobre as inflências dá para entender melhor quando eles explicam o que gostam de ouvir: “Nós quatro bebemos de fontes musicais bem distintas, e é claro que isso influencia na identidade sonora confusa da banda. Eu [Jota] e Mib, por exemplo, que temos uma afinidade de influências maior, escutamos até cansar os discos do Caetano e do Gil. Mas, nas minhas músicas, não consigo não me inspirar naquilo que ouvi e li de gente como Lula Queiroga, Pedro Luís e Arnaldo Antunes. Já o Mib traz uma bagagem mais afinada com Lenine, e com gente mais da onda da música instrumental, como o Moacir Santos – que ele fez campanha até todos ouvirem. O Eric tem uma influência forte de muita coisa da música americana, desde os artistas mais populares, como D’Angelo e uns rappers que eu não fui devidamente introduzido. Recentemente, tem escutado bastante Herbie Hancock, Tame Impala e Fleet Foxes, sendo assim, o membro da banda com o gosto musical mais eclético. O Tent, que apesar de sempre ter tocado com gente que escuta e cria MPB, sempre ouviu sons mais “pesados”, como Metallica, Dream Theater, e é fã declarado do Guns’n’Roses. Como a gente sempre se propôs a brincar com os arranjos das músicas, estamos sempre trocando informações, referências e descobertas sonoras. Impossível que traços dessas influências tão diversas sejam identificáveis em Pressa”, explica Jota.

Os meninos se conheceram na escola, naquela coisa de tocar junto para “levar um som”, mas foi na faculdade que as coisas foram tomando forma. Segundo Pedro Mib tudo foi bem natural, eles começaram a tocar e as músicais autorais foram ganhando destaque. Hoje, todo mundo participa do processo criativo. “Tentando esmiuçar melhor o processo de criação, acho que a regra é que não tem regra. [Risos] Comigo pelo menos, que é sobre quem posso falar melhor, às vezes brincado no violão ou piano nasce uma frase, ou uma progressão harmônica, e a letra só vem – quando vem – dias depois. Ás vezes a letra cai pronta antes de quase tudo, quando o assunto já está martelando na cabeça. Particularmente, acabo por normalmente gostar mais das músicas que nascem com letra e instrumentação mais ou menos ao mesmo tempo. Foi o caso, por exemplo, de ‘Eu Não Volto Mais Pra Casa’, e sei que o Jota passou por situação semelhante com São Salvador”, conta Eric Camargo.

Have fun!

=)

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