#FicaDica: Haicu

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Nossas haicus, Pedrinho e Júlia. Foto: Divulgação

Ele é compositor, ela é atriz. Pedrinhu Junqueira e Júlia Shimura são dois cariocas que se conheceram, namoraram, casaram. São cinco anos juntos, mas só agora resolveram montar uma dupla musical, a Haicu. O nome vem das letras de Pedrinho, que muitas vezes já foram compradas aos haicais, um estilo de poesia japonesa, que tem dualidade simples e curta, cabendo conceitos inteiros em poucas sílabas. Os dois acabaram por escolher o nome e nasceu a Haicu.

As músicas passeiam pela bossa nova, pelo eletrônico, blues, ska, bolero e lendo parece mesmo que é uma salada sem sentido nenhum, mas este disco homônimo, que saiu em julho deste ano é bem consistente. Diria que as influências ali da década de 60, movimento tropicalista é bem claro, inclusive. São 13 músicas que inclusive já foram gravadas por outros artistas antes de chegarem a voz do casal. Negro Leo gravou a faixa “O fogo vai subir” no álbum “Tara” e a música “Noite” no seu novo álbum. Bruno Cosentino gravou “Amor” no álbum “Babies” e Lucas Weglisky gravou uma versão de “Butterfly” em seu álbum, ainda inédito.

Mas e aí? Porque fazer uma parceria agora, né?

“A música e a criação estão entremeadas no nosso dia-a-dia. Apesar de Pedrinhu ter assumido seu lado compositor mais cedo, ambos compomos desde a adolescência. Minha trajetória no teatro também sempre esteve muito atrelada ao canto, que já estudo há alguns anos. Acho que, no fundo, sempre procurei um parceiro na vida que fosse um parceiro na arte. Fazer música e cantar junto é nosso cotidiano, lançar nossa parceria pro mundo foi um caminho natural”, conta Júlia.

Ela também explica que às vezes é complicado estar tanto tempo o tempo todo com alguém, mas dá a dica: “Às vezes é difícil sim, separar as tretas em casa das divergências no trabalho pode ser complicado. Mas também é maravilhoso construir um projeto artístico com seu parceiro de vida, é meio como gerar um filho, colocar junto o que os dois têm de melhor. E quando as coisas ficam difíceis, temos a ajuda maravilhosa da nossa terapeuta-bruxa que nos ajuda a enxergar novos caminhos para nós mesmos e para o amor. Já indicamos para vários amigos, te passo o telefone”, fala.

Quem quiser, a gente pede o telefone para moça, visse?!

Haicu - Arte - Chica Caldas e Fernanda Guizan

Caa do disco com arte de Chica Caldas e Fernanda Guizan

Já o disco é… “Pra ser bem sincera, eu diria que nosso álbum trata mais sobre a morte do que sobre o amor. Ou melhor, é mais sobre a perda, a ruptura do que sobre o encontro. É sobre mortes físicas (“Leve”, “Nada Vai”, “Haicu”, “Noite”, “Alzheimer”), sobre relacionamentos que morrem ou que precisam renascer (“Fall”, “Espiral”, “Nem Vem”), sobre o apocalipse iminente (“Fudeu”), sobre a violência que se sofre todos os dias (“Berro”). Mas tem também “Amor”, que é sobre a amálgama que o casamento pode criar; “O Fogo Vai Subir”, que eu considero uma das mais haiku (Deixa Cair / O Fogo Vai Subir / De novo em você) e “Never Die”, uma canção de ninar (aí a morte de novo..Risos)”, explica Júlia.

Abaixo você escuta o disco Haicu do duo carioca. Indicamos para quem gosta de Domenico Lancelotti, Moreno Veloso, Kassin, Lulina, Tom Zé, Mutantes.

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