#FicaDica: PEDRO

PEDRO-Divulgação (pequena)

PEDRO encontra no folk a melhor maneira de se expressar como músico. Foto: Divulgação

Conheci o trabalho do PEDRO quando assisti seu pocket show no Sofar Sounds e a coisa que mais me encabulou foi ele usar um nome tão comum para se apresentar. Faça o teste você mesmo, ao colocar no Google o nome “pedro” ele te dá as opções: “pascal”, ‘cardoso”, “herique”, “ii”? Não, na verdade, estamos aqui para falar do cantor folk catarinese que está no começo de sua carreia tentando também um espaço no meio musical. Mas porque então usar este nome que é tão comum, sem um sobrenome? Algo que o diferencie dos outros tantos Pedros famosos que já estão aí na frente dele, seja na TV ou na política?

“Então, eu não me vejo usando outro nome. É bem comum, sim, mas sinto que isso me aproxima do ouvinte, entende? O nome duplo gera um distanciamento, uma formalidade, acho que essa é uma forma errada de curtir o meu som”, explica o cantor e compositor. Aproxima, mas como faz para achar? O Move That Jukebox te dá aquela forcinha, clica no nome dele no começo da matéria, que você encontra a página dele no Facebook e pode curtir para acompanhar a carreira dele.

Ele resolveu entrar na música pelo cinema. Foi assistindo ao filme No Direction Home (2005), do Martin Scorcese, que ele sentiu aquela coceira de se transformar também em músico e foi no folk que encontrou a melhor maneira de se expressar. As influências, portanto, passam por Bob Dylan,  Ryan Adams,  Tom Petty And The Heartbreakers, para citar alguns.

“Desde pequeno eu tenho contato com a música por conta de corais e bandas de colégio. O cinema e as trilhas serviram pra fazer desse gosto uma pocura. Outros filmes com boas trilhas, outras canções dos artistas que ouvi em determinado filme, bandas com som similar e por aí vai. Eu participo de bandas desde os quatorze, a ideia de fazer esse EP sozinho e quase que tocando todos os instrumentos veio por conta de comprometimento e compatibilidade de agenda. Eu não queria esperar ninguém, essa é a verdade”, explica.

O EP citado é o Zam (2016), que está lhe rendendo bons frutos, como a apresentação no Sofar (abaixo) e que você  escuta no final desta matéria.


O som mais soft é fácil de agradar. Parte das canções nasceram no ano passado, quando PEDRO foi passar uma temporada em Dublin, a maior cidade da Irlanda, que fica lá no Reino Unido (nem tão unido assim, né? Depois do Brexit). Ele se deixou envolver pela cultura e também teve aquele sentimento de estar “fora do ninho”, que acabou lhe dando mais inspiração.

“Foi logo depois da faculdade, eu já absorvia muita música irlandesa (Damien Rice, Glen Hansard, Van Morrison, Bell X1, Hozier e tantos outros) e queria uma imersão. Parte do EP foi escrita lá por conta de viver para/de música a viagem toda. Tocava nas ruas do centro durante a tarde e em palcos abertos nas noites de Dublin”, conta.

A imersão deu certo e o artista mostra ter um belo caminho pela frente. Mas vale pensar num diferencial aí ou quem sabe, ele consiga atingir o nível de outro grande artista que resolveu também utilizar uma denominação simples para se apresentar: Silva.