Foals - Holy Fire

Foals
Holy Fire

Transgressive

Lançamento: 11/02/13

O Foals nunca foi ou quis ser simples. O jogo deles sempre foi a matemática e mesmo em sua estreia, o elogiado justamente Antidotes de 2008 (produzido pelo brilhante Dave Sitek), já apresentava uma complexidade em ritmo e arranjos. Só que essa complexidade, querendo ou não (fazendo sentido ou não), era simples – mais do que simples, era empolgante. Tanto que no mesmo ano tocaram no festival Planeta Terra e, mesmo no palco alternativo, levou a plateia ao êxtase. Com a banda empolgada no palco, calculando os ritmos, o público ficava livre pra se sacudir – ele já estava ganho e entregue devido à facilidade do contato com aqueles números todos em forma de percussão, guitarras e baixo. Havia ali um espírito jovial na forma em que produziam cada sonoridade e exploravam cada beat. O que o quinteto inglês não calculou foi que essa inocência passaria e que, logo que passasse, deveria estar pronto para compensar isso.

Grande parte da imprensa achou que eles amadureceram bem em Total Life Forever, seu segundo disco, coisa da qual discordo. O que vejo é um disco vazio muito bem camuflado – o tipo de profundidade que só a maior falta de assunto e criatividade traz. Faltava empolgar e eles resolveram tentar consertar isso em Holy Fire, seu novo lançamento. Só que agora não basta a plateia do palco alternativo, eles querem os estádios. Com dois grandes produtores de apoio, eles realmente parecem acreditar que isso é possível, mas ainda falta um pouco – ou deles ou do mundo todo se adaptando para que caiba um Foals num grande palco, como em certo momento, estranha e merecidamente coube um Kasabian, por exemplo.

Não citei Kasabian à toa. Há algo na postura de Yannis Phlilippakis, sua barba desenhada e sua banda que remete ao que os vizinhos ingleses fizeram lá em 2004 e voltaram a procurar em 2011. Isso fica mais claro nas duas primeiras faixas. Aquele groove branco, somado às guitarras ruidosas e ao vocal nervoso, ainda pode agradar mesmo depois de tanto tempo. É em “My Number” que fica mais clara essa procura da banda por um público maior – fácil, cheia de funk e com uma estrutura de canção pop (estrofe + refrão + repete), é a faixa de maior potencial dentro da nova proposta. Também não fugindo muito do padrão, “Bad Habit” é bonita mas não chega a impressionar (como acontece com a maior parte do disco, aliás). “Late Night” também segue essa linha, que só é quebrada pela entrada do clima mais denso que “assombrou” o segundo disco do Foals. “Out of the Woods” e “Milk & Black Spiders” são boas como as poucas faixas boas apresentadas em Total Life Forever. Já “Providence” é ótima – começa com um canto solitário bem indígena americano e cai num ritmo envolvente de matemática complexa e adorável. “Moon” é outra faixa que se descola um pouco do que poderia levar o Foals a uma popularidade maior (mesmo que não seja inferior ao resto do disco).

Ainda que traga belos timbres e momentos inventivos, não dá pra dizer que Holy Fire é um álbum de A maiúsculo. Pois toda exatidão só ressalta a ausência de algum elemento que já trouxe mais humanidade ao som da banda lá em seu debute. Porém, sendo o mais genérico do que se pode esperar do Foals, talvez o disco funcione como um bom angariador de um novo público. Para ouvintes mais “despreparados”, o disco pode até funcionar bem e, como matemática é resultado, a banda sairia com dever cumprido. Porém a aura de desgaste se mantém para aqueles que esperam um pouco mais de vida na sonoridade da banda. Tá na hora de 2 + 2 ser 5, porque já cansou esse 4 que, cada vez mais, representa o quadrado que enclausura o Foals.

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  • Nathalia

    Partilho da mesma perspectiva de Borges. O segundo álbum do Foals não me agradou. Acredito que eles queiram subir o degrau de lotar estádios e arenas, caminho muito inteligente mas, perigoso. Mesmo assim, adoro a banda.

  • 0nipresente do Weekend

    gostei desse som aí!!!

  • Adam

    Discordo, Total Life Forever pra mim é um álbum muito bem composto e produzido. Claro que não é exatamente para o mesmo público do primeiro, e acho que nesse ponto entra muito mais o gosto pessoal do que conhecimento. Eu pessoalmente me empolgo com Aftermath muito mais do que com Balloons. Total Life Forever é um disco muito mais maduro que seu antecessor. Holy fire é um disco completo e concreto, que me imerge no processo criativo da banda, acho a capacidade de criar atmosferas da banda incrível. Mas a resenha aqui invalida qualquer opinião diferente né, já que achar profundidade em Total life forever é “falta de assunto e criatividade”