Foals – Total Life Forever

Math Rock. Quando ouvi falar nisso pela primeira vez, fiquei me perguntando o que raios essa expressão poderia ter a ver com algum estilo musical. Ouvindo Antidotes, o primeiro LP do Foals, ficou bem fácil entender. As guitarras dedilhadas que nunca formavam acordes, em harmonia com uma bateria marcada, desconstruíam o som de uma maneira minuciosa, planejada, calculada. Preciosidade matemática.

Depois de passar um bom tempo com o trabalho principal, nada melhor do que buscar as famosas “b-sides”, aquelas sobras de gravação que eventualmente revelam preciosidades – e lá estava “Glaciers”, que me fez enxergar o Foals como uma banda de outras possibilidades, além das que se encontravam em hits como “Cassius” e “Red Socks Pungie”. A música era mais longa que as mais famosas e bem, mas BEM mais viajante e abstrata. Mas o calculismo matemático ainda estava lá, de uma forma diferente, como numa equação onde você não entende quase nada, mas sabe que tudo está no seu devido lugar.

Total Life Forever segue por esse caminho. A primeira pista do novo trabalho, “Spanish Sahara”, evidenciava essa atmosfera nova e mais viajada. Até mesmo o clipe era descompromissado com as primeiras impressões: mais uma vez a abstração pontuava aqui e ali. E aí veio “This Orient”, reforçando a postura dos garotos de franja comprida: até mesmo os hits possuem essa característica mais etérea. Enquanto boa parte das bandas se lançam com um som mais ousado e, pouco a pouco, vão se adaptando a melodias mais fáceis de se digerir, o Foals fez o caminho contrário: no caso do grupo, Antidotes, o debut, é mais comercial que Total Life Forever. No segundo, o que ouvia-se em “Tron”, última faixa do primeiro álbum, é intensificado e desacelerado. As novas músicas são mais longas e não parecem ter nenhuma pressa em se desenvolver. Tomemos como exemplo “Fugue” e “After Glow”: a primeira é um mero devaneio introdutório, enquanto a segunda começa devagar, num crescimento que culmina numa explosão com uma jam prolongada (aliás, jam essa que prova que, mesmo em meio à experimentação, o Foals não perdeu o swing).

A música que dá nome ao álbum é também um dos destaques: “Total Life Forever” é dançante e não deixa a peteca da precisão cair. “What Remains”, que encerra o trabalho, demonstra a habilidade que o Foals tem de lidar com suas guitarras. No disco, o Foals deixa transparecer que está ciente de seu talento e o utiliza de maneira mais eficiente do que antes. Os dedilhados nas cordas são tão sinérgicos que às vezes fica a dúvida: “Isso é guitarra mesmo ou é sintetizador?” Aqui, as barreiras da distinção ficam meio comprometidas – para o bem. E como último – porém, não mais importante – destaque, temos “2 Trees”, música de grande sensibilidade, com guitarras à la “Weird Fishes/Arpeggi”, do Radiohead, mostrando que a voz de Yannis Philippakis está cada vez melhor.

Em resumo: Total Life Forever é cheio de eco e reverberações sonoras. Um álbum que não vai agradar, necessariamente, aos que pulavam sem pensar ao som de “Hummer”, mas que provavelmente vai ficar por um bom tempo na playlist dos que gostam de mudanças e amadurecimento.

  • Eduardo Azeredo

    Esse álbum é uma baita ducha de água fria em que apreciava a “velocidade 5” de algumas partes do Antidotes. Até porque aquele álbum já tinha faixas mais lentas e deliciosas como “Red Socks Pugie”.

    Mas pra quem aprecia melodias bem trabalhadas e todo a originalidade que a banda já exalava no Antidotes esse álbum é um prato cheio.

    Me lembra a situação do MGMT, um segundo álbum bem mais difícil de digerir que o primeiro mas para aqueles que conseguem digerir é um tremendo álbum!

  • Antônio

    Foals é uma versão infanto-juvenil de Battles. Seria interessanre também vocês falarem de últimos lançamentos do Polvo, Trans AM….

  • Duque

    Deu vontade de ouvir!

  • Me lembra a situação do MGMT, um segundo álbum bem mais difícil de digerir que o primeiro mas para aqueles que conseguem digerir é um tremendo álbum!

    Bem lembrado!

  • Geff

    eles são muito fodas. demais. this orient é uma música que GRUDA, sem ser enjoativa; after glow é quase um alucinógeno que entra pelos ouvidos. mas um fã é sempre suspeito pra falar… ok, parei por aqui.

    uma dúvida: por quê diabos colocar o nome do estúdio de gravação na capa do CD?

  • eles são muito fodas. demais. this orient é uma música que GRUDA, sem ser enjoativa; after glow é quase um alucinógeno que entra pelos ouvidos. mas um fã é sempre suspeito pra falar… ok, parei por aqui.uma dúvida: por quê diabos colocar o nome do estúdio de gravação na capa do CD?

    provavelmente pelo mesmo motivo que o kooks batizou o cd com o nome do estudio em que gravaram (konk/rak). Mas nao me pergunte qual hahaha

  • Gabriel Guerra

    Tu entendeu Math Rock errado. Math Rock é o uso de dissonâncias, estruturas e compassos não-comuns no rock (como por exemplo, 5/4, 7/8, 13/8 e por ai vai), formando um tipo de rock quase-atonal. Não tem nada a ver com o que o Foals fez no primeiro disco, por mais que seja notável a influencia de Battles e outras bandas de math rock. Eu sou um grande fã de Foals, mas tente ouvir antes o que é realmente considerado math rock, como por exemplo Don Caballero ou Polvo para entender. ou estude musica, para se tocar que tudo o que o Foals fez no primeiro (e no segundo disco) foram somente excelentes musicas em 4/4 e com melodias (algo que o math rock raramente tem, o que faz do estilo algo meio estupido até, pois nego que se auto-intitula dessa maneira acaba pensando mais na composição/estrutura do que na própria musica em si).

  • Saudades do Foals de ‘Look at My Furrows of Worry’, que nem chegou a ir pra álbum nenhum..

  • se mata !
    total life é maravilha em forma de musica.

  • Pingback: Move That Jukebox! » Clipe: Foals – Miami()

  • DOUGLAS MAGALHAES

    OS CARAS SAO FODA!!!

  • Ouço demais Foals – Total Life Forever.

  • kah

    eu não entendi muito bem esse album no começo, achei uma blasfêmia, escolhia o antidotes de olhos fechados.
    um dia escutei black gold e blue blood, maravilhei e dei mais uma chance pro TLF. o cd é ótimo, é mais calmo e é clara como eles queria tirar o rótulo de math rock (se era ou não, não sei, mas SIM, eles eram rotulados como tal) sem decepcionar os fãs de antidotes. é clara a evolução deles, mas ao contrario do mgmt e do vampire weekend por exemplo, que fizeram um album de estreia MARAVILHOSO e na minha opinião e de mais alguns, decepcionou de verdade com o segundo trabalho, o foals simplesmente inovou, mudou e continuou com a mesma essência.