Fonografando #4: “do it together”

Olá. Não sumiremos de novo.

Foi tanto tempo sem atualizações que a reapresentação torna-se necessária. Esta é a Fonografando, uma coluna sobre música independente no Move That Jukebox. Estamos ressurgindo das cinzas para contar o que o meio indie nacional têm aprontado de mais legal nos últimos dias. Bora?


Eu acredito no Vigilante
– Se eu fosse mencionar as dez novidades indies mais interessantes que surgiram no Brasil nos últimos dois anos, dois deles estariam no cast do Vigilante. Trata-se de um selo novo na praça, braço da gravadora Deckdisc, que vem repercutindo timidamente há alguns dias. O Vigilante parece estar passando ainda por sua fase embrionária, mas isso não impediu que gente como The Name, Volantes (os tais dois nomes ali do início) e o descolado Boss in Drama acreditassem na força do projeto e entrassem para o time.

Esse aqui é o vídeo do Volantes em estúdio, postado no já bem alimentado canal do selo no Youtube:

Com o perdão da metalinguística, aposto que vale acompanhar de perto cada movimento do Vigilante – e pra isso, nada melhor do que o nosso amigo twitter.

Falando neles… The Name voando alto – Deve ser impressionante para qualquer manager/produtor/empresário do show business brasileiro o fôlego do The Name, ainda mais quando o assunto é sair tocando por aí.

Há uma semana, a banda anunciou que, depois de uma turnê pelo sul do país com DEZESSETE SHOWS em VINTE DIAS (sem contar a passagem pelo SXSW, no Texas), se prepara para mais três meses de pé na estrada. E falamos de estrada que atravessa o país inteiro, já que o The Name é nome certo, por exemplo, no line-up de festivais como o PMW (em Tocantins) e Casarão (em Rondônia). Isso tudo aos embalos do lançamento de um novo single, que vem em vinil pelo selo Vigilante e será apresentado pela primeira vez em show no dia 26 de maio, Porto Alegre, com os Walverdes.

O MySpace destrincha a agenda e traz os detalhes de cada um dos shows da banda pelos próximos noventa dias. Até pela minha cidade (Uberlândia, interior de Minas Gerais) o The Name vai dar o ar da graça. Muito provavelmente na sua também. Vacila não e vai ver os caras ao vivo!

Aham, a TV Trama vive – Parece que toda a Trama resolveu dar uma atenção especial a seus projetos virtuais nos últimos meses. Para começar, o Trama Virtual, a rede social musical que um dia já funcionou bem para os músicos brasileiros e até ontem não passava de um reduto antiquado para a cena, sofreu uma reformulação técnica e agora começa a bombar de novo. Mas tudo indica que o melhor upgrade quem viveu foi a TV Trama.

Clicando aí em cima você confere o vídeo do The Name tirando um som nos estúdios da Trama.

O site foi reestruturado, a programação está muito mais condizente com o novo momento da nossa música independente e as transmissões ao vivo do projeto nunca tiveram um desempenho tão interessante. Entrando agora no site, você assiste a um ensaio do Nevilton, tocando a deliciosa “Pressuposto” nos estúdios, por onde passarão nos próximos dias, entre outras bandas, o Charme Chulo (17/05),  o Guizado (26/05), o Superguidis (27/05) e o próprio Pata de Elefante (31/05) – cujo novo disco foi lançado pelo Álbum Virtual, outra iniciativa da Trama. Coisa fina.

Vale lembrar que tudo o que o TV Trama já gravou está na página de acervo deles. Um capítulo significativo da história do nosso indie está registrado ali – e isso não é exagero.

“Do it together” – O meio independente nacional já está acostumado com a constante convergência de interesses que caracteriza a cena. De uma forma de outra, todos estão diariamente caminhando no mesmo sentido, superando os mesmos obstáculos, lutando pelas mesmas conquistas.


XV Goiânia Noise: a lógica do “do it together” cai como uma luva para os festivais

E, o que para muitos pode soar como um dramalhão mexicano, é na verdade um novo momento na nossa música, uma realidade cultural marcada pelo modo “do it together” de trabalhar que bandas, produtores, coletivos e agentes culturais têm vivido. Sim, o “do it together” é uma alusão ao “do it yourself”, lema do movimento anarco-punk nos anos 70 e que nos anos 2000 ainda faz sentido, mas evoluiu para um ideal mais conciso e colaborativo do que puramente individual.

Foi sobre toda essa história que Fabrício Nobre – a mente por trás da Abrafin, da Monstro Discos e do Festival Goiânia Noise – discorreu em um artigo impecável para o Portal Nagulha no final do mês passado. O texto provocou barulho, mas se passou despercebido por você, relaxa que continua atual, como ainda vai ser por um bom tempo. Corre lá pra ler.

Recado dado por hoje. Voltamos na semana que vem, sem nem pensar em abandonar o barco. A gente promete.

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Hick Duarte é fotógrafo e estudante de Jornalismo em Uberlândia, Minas Gerais. Por lá integra o núcleo de comunicação do Coletivo Goma – Cultura em Movimento e mantém o portal Fiesta Intruders. Viaja pelo cobrindo os principais festivais do país e é responsável por um blog dedicado a música independente nacional no Portal MTV, o Indiescópio.

  • Roberto

    Mais uma coluna chapa-branca do Hick e corporativista falando de Abrafin e querendo se aproximar de selos…

  • Hick Duarte

    Olha, Roberto, sinta-se à vontade para interpretar a coluna como quiser. Pra mim não é nada mais do que eu vi de mais interessante no meio independente nacional na última semana, sem corporativismo e/ou demagogia, e ponto final.