Foo Fighters – Wasting Light

Dave Grohl é uma das mentes mais espertas – e inquietas – do rock atual. Ele sabia que, depois de 3 álbuns medianos, o Foo Fighters precisava voltar com um disco impactante – e deixar de lado o estigma de “banda de single” que assombra as guitarras e a cozinha do grupo desde One By One (2002).

Para isso, Grohl se baseou em 3 pilares: 1) ir à garagem de sua casa, colocar o volume das 3 (!) guitarras no talo e gravá-las sem muitas frescuras de edição e recursos do Pro Tools 2) como bom gênio do marketing, aproveitar os 20 anos do seminal Nevermind e recrutar personagens de tal época para as gravações. Com isso, estão de volta o produtor Butch Vig, o baixista Krist Novoselic (em uma música) e o guitarrista Pat Smear, figuraça que sempre esteve por perto 3) divulgar massivamente os estágios de produção do novo trabalho, incluindo fotos de estúdio no Twitter, rádio online com entrevistas e teasers, shows surpresa e até um concurso de um show da banda na garagem de algum fã sortudo.

Todos esses 3 pontos foram conduzidos magistralmente até o lançamento de Wasting Light, que chegou para (com)provar que ainda dá pra fazer o bom e velho disco de rock, pra ser ouvido com o dedo longe do botão Skip – e com a emoção chegando bem perto daquela provocada pela trinca inicial de CDs do Foo Fighters.

O novo trabalho vislumbra um começo irretocável, com as 5 faixas iniciais mostrando uma banda agressiva, direta e não dando a mínima para outra coisa a não ser soar revigorada e pesada – e mesmo assim conseguindo extrair lindas linhas melódicas pop que farão fila pra serem tocadas em rádios de respeito. A exceção nesse começo explosivo fica por conta, no sentido de, hm, “seriedade”, da quase-sátira “White Limo”, que deve ter saído de algum riff zoado mostrado despretenciosamente em intervalos de gravação. E vai falar que você não imagina a cara de felizão de Dave Grohl surgindo entre os versos quase guturais da faixa? Na sequência, aparece “Arlandria”, que, com um dos melhores refrões do ano – e com Taylor Hawkins inspiradíssimo na bateria -, disputa fácil o posto de grande hit de Wasting Light.

Com a típica balada foofightersiana “These Days” (cara de single, não?), começa uma sequência de canções que entrariam facilmente em álbuns anteriores do grupo americano. Não que isso seja uma crítica, mas dá a impressão de já ter pegado “Back & Forth” e “A Matter of Time” rolando por aí em tempos passados. Mas a sensação logo passa, e aí entra a intensa “Miss The Misery”, abrindo caminho para o melhor encerramento de disco feito pela banda desde The Colour And The Shape.

Com ecos da veia dramática e do rock de arena do Led Zeppelin e letra rancorosa de Dave, “I Should Have Known” exala uma produção requintada, mostrando orquestrações pontuais e o baixo de Krist Novoselic atropelando tudo o que vê pela frente a partir do terceiro minuto de música. Apesar de destoar do restante do álbum, a faixa é daquelas que não deixam seu ouvinte incólume ao final. Na sequência, “Walk” pode soar forçada a princípio, mas aos poucos se mostra poderosa – e a bateria, aqui, exerce um papel fundamental, crescendo junto com a empolgação de quem escuta o desfecho do CD. Antes do fim, no entanto, o líder do Foo Fighters, em uma súplica comovente, esbraveja, de joelhos, que nunca quer morrer e que está aprendendo a andar novamente.

Nada mais justo. Afinal, depois de aprender a voar, tocar com os grandes do metal, formar a banda dos sonhos de qualquer roqueiro, arrancar elogios de Bob Dylan, fazer gracinhas em rede nacional americana, comandar a bateria do Nirvana e ser escolhido para homenagear Paul McCartney, Dave Grohl só quer colocar os pés no chão novamente. Pra nossa sorte, isso está longe de significar descanso ou violãozinho a tiracolo. Muito pelo contrário.

  • Alexandre Lopes

    Porra, bela resenha. Ganhou do meu bacon no urbanaque hahah

  • efieme

    post foda véi

  • @lexgtr

    Normalmente quando se ouve músicas novas de uma banda, você fica pé atrás durante os primeiros minutos até se acostumar. Com esse lançamento, o novo álbum do Foo Fighters me conquistou desde o primeiro segundo de música, e a primeira no qual me viciei foi Dear Rosemary, sem dúvida o instrumental esta perfeito, e os backing vocals dispensa comentários, muito bom.

    Obs.: A música WALK é usada no filme THOR lançado recentemente no cinema, em dois momentos, durante a cena do Thor no bar e quando o filme acaba, fiquei extasiado ao perceber isso quando assisti. #haha

  • Felipe M.

    Último parágrafo = EPIC

  • Joana Pinto

    FOOFIGHTERSIANA foi profundo, Rodrigues!
    Sagaz resenha, diga-se!!!!!

  • Vitor

    Boa!
    Walk é muito amor hein. E eu AMO White Limo, é um murro na cara, uhahuahuuha.

  • Karem

    os caras são dignos de um post tão bom quanto este.

  • Bruno

    Bela resenha. O disco é, de fato, fantástico. O melhor desde “There Is Nothing Left To Lose”

  • Pingback: Clipe: Foo Fighters – Walk | Move That Jukebox()

  • Fred

    O Dave Grohl faltou escrever com sangue a letra da Walk, de longe é a letra mais ferrada que ele já escreveu… digo até uma das melhores que já ouvi.

    Primeira resenha que leio que está realmente à altura do que o wasting light merece de reconhecimento… Parabéns, ARREBENTOU!