Foster The People - Supermodel

Foster The People
Supermodel

Columbia

Lançamento: 14/03/14

O indie sofre de uma doença endêmica chamada hype. Basta um single ou álbum de estreia lançado e uma banda iniciante já é alçada ao topo das vendas, entre brados de salvadora da música e estrelas douradas de disco do ano em publicações especializadas. Tais grupos arrebatam uma legião de fãs que diz conhecer a banda antes que qualquer um tenha conhecimento de sua existência (muitas vezes até seus próprios integrantes). Entre outras palavras o indie não é posto à prova, o indie é – simplesmente. Caso recente de exemplo que antes de mostrar trabalho já é (quase) unanimidade é o Foster The People.

Do lançamento do primeiro Torches (2011), apanhado inteligente de faixas com aspirações dançantes – mas sem o óbvio abraço escrachado ao eletrônico -, clipes bem produzidos e uma coleção invejável de hits, o Foster The People ganhou direito de virar banda a se prestar atenção, mesmo com escorregadas ocasionais ao longo do debute – como a ausência de uma sonoridade particular, que conferisse imediata identidade. No presente registro, tentando responder às dúvidas de alguns, mas sobretudo à carência de muitos, chega Supermodel, segundo da ainda curta carreira do trio. Aqui, respondem aos que reclamavam da fórmula composta na linha de frente por sintetizadores, produzindo um som mais analógico, onde reconhecíveis guitarras, baterias e o verso-refrão-verso-refrão nossos de cada dia apresentam um resultado… óbvio.

“Are You What You Want To Be?” já abre com aquela vaga sensação de “já ouvimos antes”; mas não por parte do Foster the People, já que fora a reconhecível voz de Mark Foster, poucos elementos aqui parecem caros à banda: dos gritinhos em coro no refrão, presente de um Coldplay de Viva La Vida (2008), aos pouco surpreendentes riffs inspirados em U2 ou ainda no estranho misto de Nick Cave e Radiohead da dispensável “Goats In Trees”. Há, claro, momentos em que se vislumbra a alegria fácil do registro anterior. Há graça – por exemplo – no refrão de “Best Friends”, faixa que caberia fácil no catálogo de um Black Kids, se ainda ativo. “Coming of Age” encontraria espaço na fase sóbria do Keane, com Tom Chaplin já (infelizmente) livre de seus falsetes. Em resumo, nada soa como evolução natural de Mark e seus associados, deixando-se assombrar pelo fantasma da reinvenção artística que costuma aterrorizar os segundos discos. Aceitam concessões mirando a abrangência – não por acaso, também indício de falta de identidade.

Colocado sob a asa um público carente de um híbrido de indie pop que fizesse dançar despreocupado, mas que ainda tivesse lá suas filiações ao dito “rock”, o Foster The People capitaneou uma investida aos ouvidos de admiradores de MGMT, Klaxons, Passion Pit, Miike Snow e tantos outros. Música de nicho? Talvez, mas suficientemente bem executada para ganhar seu espaço em uma playlist heterogênea de MP3. Em Supermodel, resolvem largar sua veia divertida, despindo-se de um dance com cara de synthpop pra se tornar apenas mais uma banda que empunha guitarras, tímidos beats de sintetizador na produção de algo vagamente anos 80, mas pasteurizadamente atual. Se o momento é de abrir caminhos e atrair novos públicos, fica a certeza de que deveria haver um modo mais interessante de fazê-lo, vide Franz Ferdinand, tão dançante e acessível quanto começou, sem dar voltas no mesmo lugar. Estranho, aliás, observar que das bandas acima listadas, poucas continuam produzindo um pop esperto como o que as revelou, resultado do natural efeito da evolução musical das más escolhas.

Em Supermodel, há um desejo de perenidade, sair de trás do vulto que encobre bandas sob um mesmo rótulo. Se faltava lá certo esforço próprio na instrumentação, que soava como um apanhado de nomes familiares, compensava-se no empenho dos vocais de Mark, carimbo que se fazia reconhecer do meio da multidão. O empenho traz resultados e o grupo consegue, sim, um uso de instrumentais mais inteligente. Entretanto, ao assumir uma postura mais analógica, são encobertos por toda uma estante de artistas apenas “corretos” da atualidade. O disco não chega a ser ruim, já que não prejudica a base de fãs conquistada – mas os que ainda tinha lá suas desconfianças no que diz repeito à capacidade de criação de hits perdem agora razões para continuar a observá-la. Enquanto desplugamos nossos fones de ouvido de Supermodel, com um Foster The People a menos no mercado, o indie abre espaço para o próximo grande descobridor de dance pop, outra banda salvadora destinada a morrer amanhã.

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  • Shamette

    Ei!Vc aí que postou isso é jornalista? Pois se são seus próprios colegas de profissão que rotulam as de “salvadora da nação; enjoy sem moderação”! Depois que a banda não aguenta o fardo no segundo álbum,joga-se fora!
    Nem quero falar do Lúcio Ribeiro com relação a Strokes!
    xiiiii…falei!!!