Goldfrapp – Head First

É fato que o Goldfrapp sempre teve um pezinho na dance music. Apesar do duo também mostrar muito de sua sensibilidade, os ritmos e agitos desses britânicos são sempre contagiantes. E agora, de uma forma bem diferente das músicas do último álbum, o Seventh Tree (2008), Allison Goldfrapp e Will Gregory nos botam pra dançar e… go disco!

As referências oitentistas já ficam bem claras logo no começo: “Rocket”, já um dos hits mais prazerosos e pegajosos do ano, nos entrega uma melodia envolta em teclados e sintetizadores mil, com um vocal de Allison que deixa claro: agora não é tempo de reflexão, mas de curtição. Isso ficou bem claro na apresentação da dupla no programa do Jonathan Ross, viu?

No trabalho anterior, músicas como “Clown”, “A&E” e “Caravan Girl” traziam consigo toda uma melancolia, um clima mais ameno e intimista, que não tem lugar em Head First. Até mesmo em faixas um pouco mais calmas, como “Dreaming” ou “Hunt”, o clima dançante é mantido com as batidas. Em geral, o que se pode perceber é que o CD inteiro é bem conciso nesse propósito, com algumas músicas menos agitadas, mas mantendo a mesma atmosfera move-your-body, bem típica da “década perdida” (será mesmo perdida?).

“Believer”, apesar de não ser nada ruim, fica um pouco na sombra da belíssima “Rocket”, por vir logo em seguida. A opção por fazer um álbum disco pode parecer cômoda, à medida que segue uma certa cartilha. Porém, Head First não tem cara de repeteco e tem energia de sobra. Em meio às convenções, “Voicething” é a faixa que quebra um pouco o tradicional e apresenta um clima etéreo e certa dose de experimentalismo, sendo a única das nove músicas que não se encaixaria bem numa pista de dança.

“Shiny and Warm” não é imediatamente anos 80, mas conforme vai se desenvolvendo volta aos eixos do álbum. Os destaques ficam por conta de “Hunt” e da faixa-título, “Head First”. As duas nos mostram algo mais do que simplesmente um bom ritmo pra dançar, desenvolvendo em meio ao climão disco melodias bem construídas, provando que mesmo em terreno seguro o Goldfrapp consegue fazer ótimas músicas, sem soar batido.

Finalmente, chegamos a uma conclusão: se você gostava de dançar com “Strict Machine” e afins e achava que estava na hora de mudar um pouco o playlist, agora é só vestir roupas divertidas, pendurar o globo no teto, botar o Head First pra tocar e go crazy.

4 Comentários para "Goldfrapp – Head First"

  1. Pingback: Move That Jukebox! » Clipe: Goldfrapp – Alive

  2. Acho que eu fiquei meio decepcionado com esse álbum. Não que eu não goste das músicas dançantes do Goldfrapp (foram elas que construiram o seu nome), mas eu achei que eles se deixaram levar pelo momento musical e não trouxeram nada de muito novo. Em pensar que o Goldfrapp mostrava tendências pro pop/dance music, acabou ficando o mesmo do mesmo. (e na minha opinião, abaixo do pop/dance dos ultimos albuns)

    Ouvi algumas musicas de Head First e não posso dar uma critica completa, mas eu achei uma álbum meio “ítalo”. Essa coisa do pop anos 80 ja deu o que tinha que dar (10 anos disso…ja estão de bom tamanho). Acho até que o álbum poderia se chamar “Body First”.

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