Green Day – ¡Uno!

O punk rock sempre teve a simplicidade, tanto de letras quanto de arranjos, como uma das suas características principais. O Green Day seguiu essa cartilha desde sua origem, e atingiu seu primeiro ápice com Dookie, em 1994. Dez anos depois, após uma queda de popularidade gradativa, a banda se reinventou para voltar ao topo – e conseguiu.

American Idiot, de 2004, foi uma ópera punk-rock que conquistou a juventude e recuperou boa parte dos antigos fãs. A banda seguiu apresentando discos conceituais por mais alguns anos com outra ópera rock, 21st Century Breakdown, recheada de críticas à sociedade (como sempre foi de praxe no punk).

O novo trabalho do grupo, ¡Uno!, reflete as características do início da carreira do grupo. O Green Day deixou de fazer álbuns mais densos e reflexivos e voltou ao básico do punk rock. E isso é bom.


A faixa que abre o disco, “Nuclear Family” tem a fórmula pop perfeita para tocar nas rádios. No entanto, a maior parte das músicas não chama tanto a atenção. “Stay the night”, “Angel Blue” e “Loss of control” são ok, mas não exalam novidade. “Carpe Diem” tem um refrão forte, porém curto – a melodia tinha potencial mas ficou com cara de inacabada.

Ainda há algumas baladas como “Fell for you” e “Sweet 16” que podem invocar coros emocionados em grandes shows. Destacam-se no álbum, no entanto, as faixas que fogem do tradicional da banda. “Kill The DJ” é deliciosamente dançante, ao melhor estilo Franz Ferdinand. Já “Troublemaker” é um power pop que lembra os tempos áureos do Weezer. Tudo isso com a marca característica do Green Day.


A banda pode até não ter gravado um álbum com a magnitude das óperas rock anteriores, mas o espírito megalomaníaco permanece de uma maneira diferente. ¡Uno! é o primeiro disco de uma trilogia, que terá continuidade com o lançamento de ¡Dos!, previsto para o dia 13 de novembro. A conclusão, ¡Tré!, chega em dezembro. Cada um dos discos deve ter uma identidade, um conceito próprio.

¡Uno! soa tão simples, tão básico, que é surpreendentemente muito bom. Mostrou que a banda soube se reinventar mais uma vez, sem perder sua essência. E provou que uma volta às origens pode gerar um bom resultado sem soar como cópia ou oportunismo. O Green Day é igual, mas diferente.

  • difícil-de-agradar

    curti essas 2 musicas

  • Thomé

    greenday não faz o meu tipo

  • Rafael

    O começo de “Troublemaker” é muito “Main Offender”, do Hives