Grizzly Bear no Popload Gig – Cine Joia (03/02/2013)


(foto por Fabrício Vianna)

O Grizzly Bear sobe ao palco (ainda que um pouco atrasado) com o objetivo de alinhar tudo. Parece estranho isso, mas se trata de um alinhamento muito mais macro do que normalmente conseguimos encarar. É um alinhamento de toda a estrutura que envolve a banda, seu show e seus discos (também o público).

Pra começar, os quatros integrantes estão alinhados na frente do palco (deixando apenas o músico de apoio ao fundo). Algo que sugere não só uma equalização de importância, mas também de responsabilidade para o que vem a seguir. E o que vem não é pouco.

Como se fosse possível, o Grizzly Bear tenta, quase matematicamente, construir uma sequência lógica para sentimentos. É como construir um edifício sobre uma pilha de nuvens (ou até alcançá-las). Acertando cada acorde, cada harmonia de vozes, cada detalhe do arranjo e, mais que isso, para que aquilo soe exatamente como é feito em estúdio, a banda se envolve entre si e também envolve o público para que, cada um presente, escale com eles nessa construção que pode ceder a qualquer momento. Mas não cede. Não cede porque não se restringe somente à reprodução dos discos (apesar de parecer ser o esforço máximo, em certos momentos) – se trata de sentimentos, e a sensibilidade dos integrantes e sua entrega é tocante.


(foto por Fabrício Vianna)

Impressionados com a reação do público, o auge da interação com o mesmo vem num momento de improviso de algo que poderia ser um samba, onde Daniel e o baterista Christopher embolam e Ed Droste faz uma espécie de dança que muito lembra nossas mulatas, se elas fossem brancas e de plástico. E tudo isso é muito simpático. Aliás, parece um grande esforço para a banda – não ser simpática, mas a interação com o público com palavras não parece ser o forte dos rapazes. E se não são os seres mais carismáticos do mundo, em nenhum momento sugerem qualquer tipo de antipatia ou pose blasé – não falta nada na performance da banda, visto que não se trata de um show de rock. Ao menos, não como conhecemos.

Entregues e regrados, a banda não foge muito do setlist que vinha apresentando em seus shows. E que bom isso foi. O público espera por cada uma daquelas e ainda pede mais – e ganha, assim como os mexicanos recentemente, uma versão linda e acústica de “All We Ask” ao fim do show. Mas, antes disso, pode contemplar brilhantes apresentações de “Ready, Able”, “While You Wait For The Others”, “Two Weeks” e “Knife”. Cada canção teve seu grande momento e sua função, como um tijolo nessa construção do quarteto. Mas talvez tenha sido “Sun In Your Eyes” o tijolo que levou a inscrição da obra.

Delicados até na troca de instrumentos, onde não se sabia em qual momento Chris Taylor trocava seu baixo por um saxofone, a banda ergue então essa estrutura que os coloca no lugar mais alto. Um sentimento sublime como se flutuassem sobre nossas cabeças através daquelas músicas que invadem nossos ouvidos e atacam diretamente nossos corações (o cérebro já não parece o bastante). Não sendo o suficiente, a banda parece nos esticar os braços para nos levar lá pra cima, onde estão. Pena que já era o fim de uma noite de domingo e no outro dia todos já tinham seus compromissos, se não aquilo poderia durar muito mais – levaríamos aquele edifício até onde os olhos não alcançariam e ficaríamos por lá.