Holger coloca todo o mundo pra dançar – e suar – no Planeta Terra

O clima era propício e não foi difícil pro Holger entregar o que a indiezada que estava no palco Gillette Hands Up esperava: a trilha sonora ideal para curtir – e aguentar – o calor que se apoderou de São Paulo no fim de semana. Vi pedaços das apresentações de Mombojó e Novos Paulistas, mas a empolgação surgiu mesmo com o quinteto fanfarrão, que parecia ser dono do lugar há tempos e fez o primeiro momento memorável do Planeta Terra, o mais bem resolvido dos festivais nacionais – em praticamente todos os sentidos.

Foto: Mahê Ferreira

Tendo suas músicas cantadas por boa parte do público, os integrantes do Holger pulavam, jogavam cerveja pra cima – e na boca uns dos outros -, trocavam de instrumentos e exalavam disposição e satisfação em tocar as faixas de Sunga, debut recém-lançado. Também mandaram o hitzaço “The Auction”, cantada em coro pela multidão que começava a descobrir o Indie Stage à medida em que o sol ameaçava a deixar o Playcenter. Desde a abertura com “No Brakes” até o fechamento, com “She Dances”, passando ainda por um inusitado cover de “Hey”, do Pixies, a banda aproveitou bem a chance de tocar num festival do porte do Terra e colocou todo o mundo pra suar bicas por trás dos wayfarers onipresentes. Ainda bem que ninguém parecia se importar com isso – e que a cerveja tava gelada.

14 Comentários para "Holger coloca todo o mundo pra dançar – e suar – no Planeta Terra"

  1. Pingback: Planeta Terra « Mahê Ferreira

  2. Se tem uma coisa que meu pai me ensinou é que devemos respeitar a opinião dos outros. E, se tem algo que aprendi sozinha e é igualmente valioso, é que ignorar as opiniões que não me interessam é um negócio excelente muitas vezes. Logo, Holger é foda, queria estar lá suando mesmo detestando suor e todas essas coisas de multidão!

  3. O murilão cara,os caras desde que começaram em todas as entrevistass,eles deixaram claro que fazem o som que ELES curtem e que a galera curti é uma consequencia..se voce nao gosta apresenta um argumento bom pelo menos,os caras fazem um som diferente,uma coisa que anima e ao mesmo tempo algumas músicas tem letras que falam do sentimento duma porrada de gente..aposto que voce tem uma banda mais que nao consegue toca num festival ou no multishow e desconta falando mal.

  4. Um dos melhores shows da noite, incluindo os dois palcos na avaliação.
    Holger arrebentou, me divertiu muito (e a todos que estavam lá, pelo menos próximos ao palco).

    Pata, você detonou, cara.
    Parabéns (a todos). =]

  5. Eu concordo com o Murilo e digo o porque que acho o Holger uma puta enganação.

    Embasando, claro.

    Sobre a coerência da discografia da banda:

    Em 2008 eles lançam o primeiro EP, que logo ganhou os rótulos em voga na época: folk e lo-fi. Tanto os redatores como os leitores do MTJB entendem de música, então não vou nem entrar no mérito de discutir o quão folk é aquele EP.

    Mas aí que em 2008 o folk estava na moda e seria ótimo pra banda dizer que o disco era de “neofolk”. Ia atingir um publico monstro, mesmo que por uma audição.

    Quanto ao “Lo-fi”… ok. Mas é igualmente oportunista, porque o lançaram exatamente quando o burburinho em torno do retorno dos 90´s começou a aumentar assustadoramente. Lembram que nos idos de 2008 todo mundo, de repente, sempre adorou Pavement e My Bloody Valentine? Então…

    Aí, em 2010, quando as batidas africanas dominam o som do indie gringo (oi, Vampire Weekend)….. o Holger vem com um disco cheio de urros oriundos da selva, ala percussiva, guitarrinhas agudas e coros em falsete. E dão uma entrevista (se não me engano pro MTJB mesmo) ao som de Luiz Caldas, dizendo que o cara é gênio.

    Cadê a desafinação lo-fi? Cadê o noise? Cadê o violão? Cadê a Fiona e o Shrek?

    Em tempo: Deve ser realmente muito bom ter um amigo jornalista. Ainda mais se for o Lucio Ribeiro. Se algum outro qualquer cantasse “just like Fiona and Shrek”, desceriam a lenha no coitado. Mas não, foi o Holger. Se for o Holger, é ironia. Logo são gênios.

    É muito sadio que uma banda esteja sempre em evolução, modificando e aprimorando seu som.

    Mas o timing do Holger com as tendências é bastante, digamos, oportuno. Não acham?

    Sobre o Planeta Terra

    O próprio Lúcio Ribeiro chinelou o fato de bandas como Of Montreal e Mika terem usado pessoas fantasiadas pra… hã… “adornar” o palco em suas apresentações.

    Ok, cada um acha o que quiser. Beleza.

    Aí o Holger encerra o show cantando “Jonathan 2”. E me dizem que isso foi “lúdico”.

    (Lúdico, cara? Sério?)

    Vamos recapitular: Of Montreal e Mika, gostando ou não, são artistas internacionalmente renomados e são duramente criticados (com menções a show da Xuxa) pelas pessoas fantasiadas no palco.

    Enquanto o Holger é aclamado porque desceram do palco cantando funk.

    Na minha época isso era chamado de dois pesos e duas medidas.

    E, na boa, isso tão transgressor quanto banda de rock tocar Rihanna.

    Na minha opinião os únicos méritos do Holger até agora são:

    – ser amigos do Lucio Ribeiro (ou vocês acham que nao tinham outras 3517371 bandas que deveriam estar naquele palco, ao invés dos amigos de um dos curadores honorários do festival?)

    – ler a NME tão rápido e reproduzir o som que tá bombando lá fora.

    Que fique registrado isso aqui, pra quando eles lançarem o próximo disco: O próximo disco do Holger vai ser um pastiche de uma banda muito bombada lá de fora.

    Vocês queriam críticas embasadas? Aqui estão.

  6. Acabou a discussão pois,como nossa amiga disse,algumas opniões devem ser ignoradas.

  7. E outra coisa,o que pode ser enganaçao pra voce,pide nao ser pra outra pessoa.

  8. Fala Leandro. Vamos ver a história de outra forma.

    – os cinco Holger fizeram as músicas do EP no final da adolescência. Muitas foram feitas em sessões bêbadas de folk expontâneo. Gravaram o EP com as músicas desse projeto (que chamava That’s All Folks). Antes disso, com 16 anos, alguns deles tinham uma banda de post rock, chamada projeto:. E já sabiam mais de música que você.

    – nada mais natural num disco adolescente do que lances como o da “Fiona e Shrek” que vc citou. Não lembro de ninguém achando isso irônico.

    – também, nada mais natural do que o disco trazer influências das coisas que ouviam à época: pavement, dinosaur jr, indie rock em geral. O EP não tem quase nada de folk nem foi vendido como isso. A jornalistada burra – que mal sabe ler release – viu os moleques no palco com um banjo que tratou de rotulá-los assim. Assim como a jornalistada vende a banda agora como “afro pop” porque ouviu um batuque no disco. Mais burro que a jornalistada é você que compra o que lê.

    – aí vem a “amizade” com o Lúcio. O Lúcio viu um show deles no Goiânia Noise, ele não conhecia ninguém da banda. Depois viu outro na livraria da esquina. Ou seja, o mérito da banda não foi ser amiga do Lúcio, e sim conquistá-lo com seus shows. Assim como depois viria conquistar com seus shows gente cuja opinião é muito mais importante e, principalmente, embasada que a sua. Ou você acha que foi por amizade que o vincent moon acabou de gravar um take away show com eles?

    – tem a “transformação” do Holger em Vampire Weekend. Na boa, você ouviu Holger? Ouviu Vampire Weekend? Batidas africanas no Vampire Weekend? Você sabe o que é música africana? O Vampire Weekend no primeiro disco emulava em algumas músicas as levadas do Highlife, como o Paul Simon fez antes dele. O segundo disco nem isso tem mais. É um amálgama de referências tropicais. Diria que o Holger tá mais para o Paralamas em Alagados do que para o Vampire Weekend. Em três anos, a banda cresceu. Eles passaram a ouvir novos sons. Abriram a cabeça. Viram muitos shows. Felizmente eles vivem em uma época em que se pode ter acesso fácil a sons produzidos em outros lugares fora do eixo Inglaterra / EUA. Enquanto você tava ouvindo sempre as mesmas coisas, eles tavam descobrindo a África, o Caribe, a América Latina. Decidiram que emular as bandas da adolescência não era mais pra eles. Você é ingênuo o suficiente pra achar que uma banda traça um plano de carreira calcado no “som da moda”? A gente tá no Brasil, lindão. Aliás, que som da moda é esse? Achei que o som da moda fosse o Witch House. Se pá o próximo disco do Holger vai soar assim, segundo suas previsões. Mal posso esperar.

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