I Break Horses - Chiaroscuro

I Break Horses
Chiaroscuro

Bella Union

Lançamento: 21/01/14

Em 2011, a dupla sueca I Break Horses lançou Hearts, um disco de estreia cheio de texturas e batidas eletrônicas interessantes, que trazia à mente a exuberância sonora do Fuck Buttons e o tom de experimentação lúdica dos primeiros lançamentos do Boards of Canada. Mas os suecos se diferenciavam graças à sonoridade mais orgânica que a guitarra de Fredrik Balk e os vocais etéreos e esvoaçantes de Maria Lindén emprestavam às faixas, que fizeram da banda uma ótima escolha para acompanhar o M83 em turnê. Chiaroscurosegundo álbum, soa bem mais eletrônico que o primeiro; em compensação, soa ainda mais humano. É como se, no seu primeiro disco, a dupla estivesse se divertindo explorando os sons que conseguia criar, e agora que já tem mais domínio sobre esses sons, resolvesse usá-los para expressar emoções mais profundas.

Em termos de sua construção, as faixas desse segundo trabalho são bastante semelhantes às do primeiro: uma ou outra melodia de sintetizador que se repete e se alterna com linhas suaves da voz de Lindén, enquanto o arranjo em torno delas se torna cada vez mais denso e envolvente. Há, no entanto, uma mudança muito clara com relação ao primeiro disco na atmosfera mais pesada e sombria de muitas das faixas, que contrastam fortemente com a leveza e descontração daquele primeiro momento de carreira. Isso já é evidente logo na primeira faixa, “You Burn”, que parece até economizar um pouco nos sons de forma a tornar mais evidente a fragilidade da voz de Lindén, e que soa como se a dupla tivesse tentado fazer uma canção no estilo do The XX. Na quinta faixa, “Berceuse”, também é imediatamente perceptível um clima mais soturno, como se uma tristeza difícil de se superar pesasse sobre os sons eletrônicos.

No entanto, essa melancolia parece vir acompanhada de uma vontade maior de envolver o ouvinte e comunicar-se com ele, o que transparece na forma de melodias mais destacadas e canções estruturadas de forma a ter um impacto mais imediato. A segunda música, a ótima “Faith”, tem um refrão excelente, ancorado por uma batida inegavelmente dançante, que leva o denso arranjo da faixa até a estratosfera (junto com o ouvinte). A penúltima, a bela “Weigh True Words”, também tem um refrão claramente identificável e facilmente memorável. Essa objetividade, felizmente, não vem à custa do clima soturno que predomina no resto do disco. Pelo contrário: pegam esse clima e mostram ele ao ouvinte da forma mais imediata possível, e mostram que a dupla é capaz de transmitir uma carga emocional bem maior que sua estreia divertidinha sugeria.

Duas das faixas se estendem por mais tempo: “Medicine Brush” e “Heart to Know” se esticam até os sete minutos de duração. No entanto, não parecem muito mais compridas que as outras, apenas tomam mais tempo construindo suas paisagens sonoras. Embora não sejam piores que as outras, não conseguem aproveitar sua duração maior para criar um clima mais profundo, e parecem um pouco enroladas, ainda mais se comparadas aos temas mais concisas do álbum, como “Faith” e a tranquila “Denial” (a que mais lembra o som do disco anterior), que dão seu recado impecavelmente em menos de 4 minutos – ainda que “Heart to Know”, que talvez seja a faixa mais tristonha que o grupo já fez, feche muito bem o disco.

O título Chiaroscuro descreve de forma bem acertada a direção sonora que a banda tomou. Aqui, Balck e Lindén conseguem usar temas mais escuros para tornar sua música bem mais expressiva do que era antes. Mais importante, porém, é que esse trabalho revela que a dupla sueca tem um potencial que o seu disco de estreia, por mais criativo e interessante que fosse, não levava a suspeitar. O ritmo do álbum tem seus defeitos, que podem tornar a audição um pouco enfadonha lá pela metade, mas Chiaroscuro tem momentos capazes tanto de divertir quanto de emocionar.

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