Iara Rennó se agiganta no palco e brilha ao mostrar seu “Arco & Flecha” no Ibirapuera

Iara Rennó - Christian von Ameln

Iara Rennó já sem a guitarra durante apresentação no Ibirapuera. Foto:Christian von Ameln/Divulgação

A noite estava agradável em São Paulo, quando Iara Rennó pisou no palco do Auditório Ibirapuera para apresentar pela primeira vez os discos Arco & Flecha, seu mais novo trabalho, na última sexta (16). Como não poderia deixar de ser, a cantora filha de Alzira E, iniciou a apresentação com a polêmica “Mama-me”. Polêmica não por sua letra, que na verdade prega a liberdade feminina, mas porque o videoclipe traz várias mulheres com o dorso nu, Iara inclusa e o Facebook e Instagram vetaram a divulgação em suas redes. Azar o deles! O vídeo acabou chamando muito mais atenção do que poderia.

No palco, dançarinas com transparências e sem sutiã bailavam ao som da canção. Até Maurício Badé, o percussionista convidado da noite (que toca com Criolo) resolveu dançar. Iara, que diga-se de passagem caprichou e muito no figurino, tocava guitarra e estava acompanhada das excelentes Mariá Portugal (bateria e programações) e Maria Beraldo Bastos (clarone) para apresentar a primeira parte, ou o Arco, que como Iara explicou bem, o arco vem primeiro, porque é ele que segura a flecha.

Maria Beraldo é com certeza muito competente. Também tocou cavaquinho e quando necessário emprestava a voz aos coros. Mas Mariá é uma coisa! A moça é quem estava ali comandando a “cozinha”. Ela toca com vontade e sabe ser agressiva e leve ao mesmo tempo. Nunca vi uma baterista tocar com tanta atitude as tais baquetas vassourinhas.

Embora tenha jogado as músicas e subvertido as ordens das canções, a sensação que tive foi de que Iara tocava o álbum na íntegra. Sem fazer qualquer alteração. Só depois de ver o setlist é que vi que não. Isso só mostra a qualidade das canções e como ela conseguiu fazer com que a coisa ficasse bem coesa.

Iara Rennó - Christian von Ameln (2)

Já na segunda etapa do show, livre do instrumento e agora com o microfone na mão. iara se joga! Foto: Christian von Ameln/Divulgação

Estava tudo muito, tudo muito bem, mas faltava ver a Flecha. Aos poucos, Iara foi se livrando da guitarra, do pedestal. O começo do shoe com ajustes e falta de sincronia, já havia sido superado há tempos (três músicas para ser exata). Iara já tomava plateia e palco. Ela cantava “Sonâmbula”, música que fala de uma mulher bêbada que chega à casa da pessoa amada e causa. Quem nunca, né? De repente o painel do palco se abriu e estavam lá Curumin (bateria), o já citado Badé (percussão), Gustavo Cabelo (guitarra), Daniel Gralha (trompete), Cuca Ferreira (sax Barítono e flauta), Maurício Fleury (teclados e guitarra) e Lucas Martins (baixo) tocando para a nova etapa da noite.

Enquanto os roadies ajustavam o palco, Iara Rennó se trocava. Ela já havia aparecido poderosa num macacão dourado, mas agora vinha em outro todo trabalhado nas lantejoulas e ia e vinha entra marrons e verdes. Sem nada que a impedisse de dançar, Iara voltou a dominar o palco. Foi rainha. A vontade que dava era ir dançar com ela. Foi exatamente o que aconteceu no bis, quando repetiu “Mama-me”. Alguns corajosos subiram no palco (convidados por ela), como a cantora Raquel, d’As Bahias.

Dois foram os pontos fracos do show. Um, o pouco uso do telão do Auditório. O álbum é cheio de imagens e possibilidades imagéticas, mas pouco foi explorado. E a participação da cantora Ava Rocha, que para mim, que já digo logo, não gosto taaanto assim da voz dela, achei looonga. Duas músicas e eu já estava pensando em outras coisas e não prestando atenção na apresentação. Mas é algo bem pessoal viu?

Bastou Iara Rennó retomar o microfone para que tudo se alegrasse de novo! A pequena Iara, cheia de axé, se agiganta. Toma de conta! Dança, brinca com a própria voz, é generosa com os músicos e ainda é uma excelente cantora.