Igor Filus’ Jukebox (Charme Chulo)

Algumas semanas atrás, tive o prazer de presenciar o show dos paranaenses do Charme Chulo (@charmechulo). A banda, famosa por misturar estilos tão díspares como o rock e o sertanejo, fez uma apresentação bem digna, divulgando seu segundo disco, Nova Onda Caipira. Pouco antes da performance, bati um papo com o simpático vocalista Igor Filus, que me contou um pouco sobre seu background musical:

E o hype? – o que você tem escutado de novidade?
Gosto muito de um pessoal de Curitiba que anda fazendo um som por lá e despontando, como Bonde do Rolê (apesar de não ser mais novidade), Copacabana Club, Sabonetes. Tô sempre apoiando toda essa galera de lá. Já de fora, cara…eu sou muito eclético – por exemplo, acabei de baixar um disco do Serge Gainsbourg, mas não é nada novo, entendeu?

Good Times Bad Times – qual banda/artista sempre esteve ao seu lado, fazendo, por mais piegas que isso possa soar, a “trilha sonora de sua vida”?
Pra mim é sagrado: Leonard Cohen. Nunca deixo de ouvir. É quase religioso.

Do the D.A.N.C.E. – o que não pode faltar na hora de soltar a franga na pista?
New Order. Dos anos 80, dentre essa galera de Manchester aí, é o que eu mais gosto.

Esta deve ser a pergunta que você mais responde, provavelmente, mas que não poderia faltar por aqui: de onde veio essa ideia inusitada de misturar rock independente com música caipira?
Tem mais a ver com a cidade. É tipo uma busca pelas suas raízes. O principal, a essência da banda é a seguinte: Curitiba tem fama de ser européia, sabe? Mas isso é uma grande farsa, é uma coisa mais política. É algo que foi divulgado mais na mídia. E a gente gosta de zoar com isso, entendeu? A gente quer mostrar que isso é uma farsa. Por exemplo, Copacabana Club combina muito com esse estereótipo da cidade, de ser cult e tal. Eu gosto, acho que deu certo e eles estão aproveitando. E é bem por aí o motivo pelo qual a gente resolveu flertar com a música caipira: porque no Paraná tem muita gente que curte isso, muita gente que veio do interior. E as pessoas não sabem que essa é a essência da banda: zoar, mas de uma maneira séria. E também é uma busca de identidade, por uma coisa mais regional. E o que mais rola no Paraná é o sertanejo e o caipira. Então é isso, é flertar com o caipira de um jeito legal, explorando as raízes do estilo, lá dos anos 50 e com uma pegada folk também.

Você não vale nada mas eu gosto de você – todo mundo tem um guilty pleasure, vai. Aquela banda que, quando começa a tocar no computador, você desabilita o last.fm o mais rápido que pode.
Pet Shop Boys e Madonna, por exemplo, são coisas que não dá pra ouvir junto com a banda.

  • joilson

    uma das piores ‘cenas’ atuais no brasil, ainda mais por ser ‘muderna’ é essa de curitiba.
    bonde do role é o css piorado (se é que isso é possivel), copacana club é isso que esse cara falou (só que por serem amiguinhos modernos nao detona de uma vez) e esses aí misturam as referencias obvias e o conhecimento pouco que tem com a ‘vontade de zoar’ de ‘descontruir esteriotipos’. enfim, todos com uma ‘proposta’ nova, mas tudo a mesma merda.
    a unica coisa que salva em curitiba (e isso sim é cena forte e vale a pena) é o psychobilly. e sei que nao vai ter ninguem que vai aparecer do meio deles querendo trazer ‘um pouco de brasil’.

  • Matheus

    e

    joilson,

    espero que você tenha ouvido bastante essas bandas todas pra falar desse jeito da cena de curitiba. não sei se você é daqui, mas por mais ‘moderninhas’ que algumas bandas curitibanas possam soar pra você, elas refletem uma cultura forte na nossa cidade, gostem disso ou não.

    paralelo a isso existem outras bandas que preferem mostrar outras realidades presentes em curitiba, como é o caso do charme chulo (que tem essa proposta caipira da qual não me identifico muito mas acho admirável) ou das bandas de psychobilly que também são ótimas e ganham muito espaço principalmente no psychocarnival.

    e o que é a música se não uma forma de expressão?

    a cena curitibana é muito diversificada e vale a pena conhecer. espero que um dia tenhamos o mesmo reconhecimento que várias outras regiões do brasil já tiveram em outras épocas (bahia, brasília, eixo rio-sp, rio grande do sul e até minas)

    um abraço

  • joilson, não dá pra dizer assim. se fosse verdade o que você está falando os principais blogs e sites de música independente não estariam dando tanta atenção assim às bandas de Curitiba. veja a Trama Virtual (que não é nenhum pouco boba) que ano passado fez uma série especial só com as bandas daqui.

    as bandas ‘mudernas’ são parte expressiva da cena de Curitiba sim, mas elas são só uma parte dessa cena. cara, tem gente muito boa aqui que faz rock setentista, folk, pop, rock eletrônico e muito mais, e tem gente ainda que mistura tudo isso e não se perde.
    aí você fala que bandas ‘mudernas’ são uma porcaria, e fala também que uma banda que mistura rock com música caipira está fazendo o óbvio. acho que novidades não são a sua praia, por isso você fica só ali no psychobilly (que é ótimo sim, mas não traz nada de novo).

    agora como que você me diz que uma cena que tem anacrônica, sabonetes, banda gentileza, ruído/mm, wandula, copacabana club, stella-viva, hotel avenida, chucrobillyman e muito mais é uma das piores do brasil? me diga uma ou duas melhores. não vale cair na nostalgia e falar de recife nos anos 90 e rio de janeiro nos anos 60.