Interpol – Interpol

Turn On The Bright Lights é, indiscutivelmente, um dos álbuns mais incríveis e marcantes dos anos 2000. A turma de Paul Banks nos trouxe um clima soturno e emocionante de maneira inédita. Há muitos que comparam o grupo com Joy Division, considerando-o mera cópia. Bullshit. Definitivamente, o Interpol tem esses elementos do post-punk, mas os utilizam de maneira própria e autoral, como uma verdadeira assinatura.

O temido segundo disco também foi um sucesso. Antics acertou em não querer copiar a fórmula do debut e rendeu músicas incríveis, tanto hits como aquelas preferidas dos fãs – menos conhecidas. Our Love to Admire veio depois disso e… Bom, o disco não é ruim, mas não é o mais inspirado do Interpol. Não é radiante como os antecessores, mas também possui composições lindas, daquelas que só esses nova-iorquinos sabem fazer.

As expectativas sobre o quarto álbum da banda, nomeado simplesmente Interpol, eram grandes por dois motivos. Primeiro, por ser um álbum deles; segundo, por ser a continuação de um álbum que não foi tão bem-sucedido. Qual seria a mudança? Que rumos seriam tomados, principalmente agora que se trata do último com a presença do baixista Carlos Dengler?

A capa nos diz muito.

O Interpol nunca foi uma banda de sons muito “coloridos”. Um fundo preto e o nome da banda em cinza voltam à tradição de poucas tonalidades dos dois primeiros álbuns. O que chama mais a atenção, porém, é justamente o nome da banda: é totalmente desmontado. Quase ilegível. E, por mais inesperado que possa ser, o Interpol fez jus à capa e fez um álbum notoriamente “desconstruído”.

Como assim? O disco claramente tem duas metades, com 5 músicas cada. A primeira é “Interpol pós-Our Love To Admire“, mas com novo fôlego. As músicas são estruturadas e bem finalizadas. São daquelas que pouco a pouco vão se montando, como o primeiro ótimo single, “Lights” (que tem um clipe igualmente ótimo, na opinião desse que vos escreve). “Barricade” é animada, pra quebrar um pouco o gelo antes do que vem em seguida: a metade fragmentada, o Interpol todo em pedaços prenunciado na capa do disco.

“Always Malaise (The Man I Was)” já é uma das melhores composições da banda. Música extremamente soturna, com acordes destoantes e um final dançante (!) – que faz a alegria daqueles que gostam de músicas complexas. Há de se ressaltar também que a produção, feita pelos próprios integrantes, foi muito competente, com infinitas camadas de sons, sintetizadores na medida certa e frases soltas cantadas ao fundo. “Try It On” tem um piano à la tango que se repete e se repete, se fundindo depois às guitarras frenéticas de Daniel Kessler e Paul Banks. “All Of The Ways” é uma súplica a um amor perdido, enquanto “The Undoing” é o ápice da decepção amorosa, com trechos em espanhol (!²). Aliás, as letras, como sempre, estão ótimas, embebidas em metáforas e parecendo mostrar o fim de um relacionamento que fica cada vez mais crítico conforme o disco chega ao fim.

Sou fã de Interpol. Confesso. Já ouvi muitas críticas com relação a esse álbum pela internet afora. O que as pessoas não compreendem é que artistas fazem aquilo que os dá na telha, e que expressam aquilo que eles pretendem passar. O Interpol fez isso, e não o que as pessoas querem que eles façam (como um Turn On The Bright Lights 2). E o resultado é pra apreciar e se deixar levar, como toda boa obra de arte.

  • Quando eu ví que vocês íam escrever uma resenha dosbre o disco já me praparei pra um possível massacre, mas a resenha descreveu o disco da melhor forma possível. Parabéns!

  • Vitor

    Quando eu ví que vocês íam escrever uma resenha dosbre o disco já me praparei pra um possível massacre, mas a resenha descreveu o disco da melhor forma possível. Parabéns!

    Valeu Adriano!

  • Bruno

    é um álbum visivelmente conceitual, eu fui um dos primeiros a notar a construção do álbum e até postei uma resenha na comunidade oficial do interpol no orkut contando o que eu achava que poderia ser uma possivel história (http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=1913&tid=5506384146439031021), acho que com as críticas acerca, passo a confirmar tal tese, enfim é um álbum bonito, inspirado e complexo, o que conta aqui é a sensibilidade auditiva, como diz o Paul Banks na 8ª faixa do álbum: Try it On! 🙂

  • Keila

    Eu também achava que vocês arrasariam com o álbum. Boa resenha!

  • Eu já achei o álbum sem inspiração e vazio… Sei lá, mesmo sendo conceitual o álbum foi visível a falta de entrega da banda presente em discos anteriores. E olha que sou fã de Interpol. “Always Malaise” para mim foi a única que salvou, com “Lights” e “Barricade” apenas na média… As músicas não são ruins, mas se comparadas ao que Interpol já produziu dá pra sentir um certa frustração ao ouvir esse….

  • Pedro Cruz

    TONIGHT I’M GONNA REST…MYYYY CHEMISTRYY! O disco inteiro não vale essa única canção

  • Expressão manjada do inglês que vale pra esse álbum, é um “grower” (aquele álbum que fica mais agradável a cada audição.

    2010 tá sendo o ano que as bandas tão se soltando mais, pra decepção de muita gente… e minha felicidade.

    Reiterando o que o Vitor diz no post, as bandas precisam se reinventar. Caso contrário é o Interpol tocando Obstacle 1 e Slow Hands a cada álbum e o Roberto Carlos fazendo o mesmo show todo fim de ano. Ops…

  • Duque

    Eu achei muito bom… Depois de escutar algumas (muitas) vezes, claro.

    Light por exemplo achava uma merda, agora acho umas das melhores junto com Sucess, Barricade e Always Malaise, mas agora acho que era o clipe me tinha me dado essa impressão. hahaha

    E afinal, só fui eu que achei o loop de bateria de Try it On parecido com Heart and Soul do Joy Division?

  • Sou fã do Interpol. É uma das minhas bandas preferidas, se não for a que mais gosto (prefiro não classificar, pois são algumas). Me emociona, faz parte da minha vida, dos meus dias, e me acompanha desde “Turn On The Bright…” nos meus 15 anos…
    Também relutei em ler essa resenha, ja esperava pela gongação. Mas me surpreendí, e vc colocou tudo e um pouco mais do que achei de “Interpol”.
    “Aways malaise” entrou na minha lista musical emocional na primeira audição. E “The Undoing”… ah…
    Mas sou um apaixonado, então, não sei se minhas palavras valerão aquí, rs…

    Parabéns pela resenha!

  • Vitor

    Sou fã do Interpol. É uma das minhas bandas preferidas, se não for a que mais gosto (prefiro não classificar, pois são algumas). Me emociona, faz parte da minha vida, dos meus dias, e me acompanha desde “Turn On The Bright…” nos meus 15 anos…
    Também relutei em ler essa resenha, ja esperava pela gongação. Mas me surpreendí, e vc colocou tudo e um pouco mais do que achei de “Interpol”.
    “Aways malaise” entrou na minha lista musical emocional na primeira audição. E “The Undoing”… ah…
    Mas sou um apaixonado, então, não sei se minhas palavras valerão aquí, rs…Parabéns pela resenha!

    Valeu pelos comentários!

  • 666 boy

    Boa resenha. O álbum Interpol é até aqui o trabalho mais complexo da banda Interpol: experimentalismo na mediada certa e composições melodicamente belas e pouco óbvias. Não creio que seja um álbum conceitual, embora o tema ‘amor’ seja premente durante toda a audição do trabalho.

    Embora a maioria da crítica sobre o álbum Interpol tenha sido negativa, tenho ampla convicção que trata-se mais de incompreensão e surpresa do que falta de qualidade. Penso que em poucos anos este trabalho se tornará um dos melhores álbuns da banda novaiorquina. Pontos negativos só pela capa mesmo, horrorosa!

  • Larissa P.

    Sou suspeita pra falar de Interpol. Demorei um pouco pra me acostumar com a sonoridade desse álbum, confesso. Mas sem essa.. acertaram de novo!

  • Márcio Andrade

    No começo, o disco não entrou muito bem. depois de várias audições, chego a dizer que como um todo, é um dos melhores trabalhos do Interpol. cuidadoso, bem trabalhado, sutil,e sensível. pra quem curte o Interpol, não tem como não gostar.
    sou da opinião que o disco não precisa ter hits, e acho que esse não tem um.
    mas sonoridade e qualidade superior aos discos anteriores, acho que tem sim!
    Tomara que esse trabalho não seja injustiçado pela mídia.

  • Wendel Júnior

    Da primeira vez que escutei este álbum, achei bem diferente, mais melancólico do que os outros, enfim, com um clima bem mais pesado que os outros.
    Creio que as críticas que foram negativas foram por que não aceitaram a nova proposta da banda, ou simplesmente como foi mencionado, queriam um “Turn on the bright lights 2”. Não seria bom terem que repetir a mesma fórmula com a qual fizeram o primeiro. Todo o álbum sempre vai ser diferente do anterior, lógico, que não vou deixar de mencionar que neste trabalho deixou a sensação de que faltou alguma coisa, por que realmente ele deixou essa sensação.
    Em resumo, de uma escala de 0 – 10, daria 9, creio que seja a nota ideal.

  • Rômulo Saldanha

    Simplesmente, o melhor álbum do Interpol e um dos melhores do ano de 2010. Soturno, inspirado, bem feito e denso. Merece ser escutado com cuidado.