Iron & Wine - Ghost On Ghost

Iron & Wine
Ghost On Ghost

4AD

Lançamento: 16/04/13

Sam Beam sabe o valor de uma boa canção e sabe que uma boa canção funciona em muitos (pra não dizer todos) formatos. É algo praticamente inexorável quando se mantido o mínimo da estrutura do que a define como tal. Sam tanto sabe que adora fazer covers de grandes músicas com seu violão na maior simplicidade do mundo, indo de Rolling Stones a Postal Service. Assim como também aproveitou isso para lançar só bons discos desde o início da sua carreira com o Iron & Wine.

Os dois primeiros álbuns soavam de forma mais rústica, baseados mais em violões e poucos recursos de percussão. O terceiro já foi com mais recursos, porém ainda todo baseado no folk e seus princípios mais crus. Foi a partir de seu quarto lançamento que Sam Beam resolver nos mostrar uma faceta sua que ia além da crueza e do peso marcado do estilo. Kiss Each Other Clean mostrou uma tendência saborosa ao pop mezzo jazz para somar àquele formato já proposto e auxiliar ainda mais todo seu lirismo – expressar sentimentos com arranjos mais completos e recheados facilitou para o artista alcançar o público como ele queria, ao mesmo tempo em que inovava e evoluía em sua carreira. Porém, parecendo até como um deslumbre de Sam em suas novas possibilidades, as canções sempre tão simples começaram a soar em certos momentos complexas demais. O disco, mesmo sendo muito bom, deixava em algumas faixas a sensação de desencontro entre a simplicidade de outrora com suas novas escolhas. Era necessário encontrar a unidade para que o casamento das duas informações gerasse um disco praticamente intocável. E foi então que Sam Beam lançou Ghost on Ghost, um álbum que nos leva a crer que esse casamento aconteceu da forma mais romântica, melosa e adorável que existe. Autêntica, também.

Soando de forma bem sincera e sem exageros, “Caught In The Briars” abre o novo lançamento com uma introdução que até soa como uma vinheta de onde o disco partiu (remetendo ao álbum anterior) e cai numa canção simples, de arranjos de cordas e sopros caprichados, com uma percussão que nos conduz, junto com os coros, para “The Desert Babbler”, uma das mais belas músicas lançadas neste ano. Leve e de balanço fácil, a canção é brilhante e se destaca por sua linda melodia, como as climáticas “Joy” e “Grass Windows”, a divertida “Graces For Saints And Ramblers” – que gira em torno de si mesma, com palmas, coros e violinos, pra dizer, graciosamente, que “tudo se resume a você e eu” – a jazzística “Lovers’ Revolution” e “New Mexico’s No Breeze”, que lembra ótimos momentos do The Clientele e Midlake.

Ghost on Ghost explora diversos climas e desenvolve uma aproximação natural do ouvinte com cada música, cada uma em seu tempo e com suas características. Algumas delas já chegam e te agarram de vez, como fazem as pessoas da foto de Barbara Crane que estampa a capa, outras te conquistam com mais audições e tempo. Não há sequer um tema mediano no disco – são 12 boas e caprichadas faixas, com produção de Brian Deck (que trabalha com Iron & Wine desde seu segundo álbum). Valorizando as boas canções e sabendo até onde elas podem ser levadas, Sam Beam nos carrega junto em suas experiências que jamais soaram tão envolventes como agora.

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