Roger Waters - Is This the Life We Really Want?

Roger Waters
Is This the Life We Really Want?

Columbia Records

Lançamento: 02/07/2017

É impossível falar sobre o esperado novo disco de Roger Waters sem mencionar sua antiga banda. Mantendo seu característico lado político que o acompanha desde os tempos do Pink Floyd, Waters mescla a crítica ao sistema vista em Animals e a dramaticidade e urgência de The Wall, compondo uma obra que reflete a atual turbulência política, social e econômica que o mundo enfrenta.

Influenciado principalmente pela ascensão de Donald Trump à presidência americana, Waters propõe uma pergunta/reflexão ao ouvinte: “essa é a vida que nós queremos”? O disco inicia com “When We Were Young”, espécie de interlúdio que introduz “Déja Vu”, faixa em que Waters contesta as decisões divinas, imaginando se ele mesmo faria um trabalho mais digno se estivesse no lugar de Deus, ele também critica a intervenção americana no Oriente Médio e o déja vu causado pela ascensão da direita em diferentes países.

“Picture That” apresenta diversas visões distópicas de um mundo que vai de uma “criança com a mão no gatilho” a um “líder sem cérebro”. “Broken Bones” é uma canção melancólica tocada no violão com uma bela orquestração ao fundo, e um vocal arrastado. Nela, Waters evoca a dolorosa memória do pós-guerra (também abordada em The Wall) e o estado do mundo tomado pelo sonho americano, segundo ele, não é possível voltar no tempo, mas é possível não ouvir e seguir tais mentiras.

A faixa título começa com a voz de Donald Trump em entrevista à CNN, o piano que conduz a música junto com a orquestração dá o tom dramático enquanto Waters canta sobre o medo que mantém a sociedade contemporânea na linha e nossa passividade e indiferença em relação a certas vidas. “Smell the Roses” se distancia da temática acústica do disco e dá notoriedade às guitarras. “The Most Beautiful Girl” e “Wait for Her” são honestamente tocantes, onde Waters apresenta alguns de seus mais belos vocais.

Independentemente da posição política do ouvinte, é impossível negar a beleza fantasmagórica das músicas. Assim como Dark Side of the Moon foi um disco sobre as desilusões e a vida em sociedade na década de 70, Is This the Life We Really Want? tenta abordar os problemas que assolam a humanidade no século XXI, evidenciando os novos problemas e a volta daqueles que nunca foram resolvidos. Mais uma vez Waters mostra que é um letrista de primeira categoria, com a visão e a língua tão aguçadas quanto no tempo de sua juventude. Os 24 anos que separam esse disco de seu último trabalho de estúdio são facilmente perdoáveis dada a qualidade da obra.

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