Jack White – Blunderbuss

Jack White é um dos maiores faz-tudo do mundo da música e isso não é novidade para ninguém. Um verdadeiro artista multi-uso: instrumentalista, letrista, dono de um selo independente e até – quem diria? – ator. A fama veio com o The White Stripes, que nasceu em 1997, em Detroit. Em parceria com a baterista Meg White, lançou seis álbuns de estúdio – alguns clássicos recentes, como Elephant, de 2003, que tinha “Seven Nation Army”, que virou até música de balada com vários remixes. Enquanto isso, ele conseguiu arrumar tempo para o The Raconteurs e para o The Dead Weather, duas boas bandas. Até que, foi com surpresa e infelicidade, o mundo da música recebeu a notícia do fim dos Stripes. Depois disso, parecia questão de tempo até o lançamento de um álbum próprio, ou algo que ocupasse o tempo livre de Jack White.

Entre o fatídico dia do anúncio do fim da banda e do lançamento oficial de Blunderbuss, o primeiro álbum solo, se passaram 446 dias. Blunderbuss chega pelo selo do próprio Jack White, o Third Man Records. Parece desnecessário comentar sobre como Jack White firmou-se de vez como o guitar hero desta geração. O mesmo deve ter sido dito a cada lançamento seu nos últimos tempos. O maior criador de riffs de guitarras dos anos 2000 não precisava de um álbum solo para obter glórias – até porque, aqui, os riffs são menores e menos poderosos.

As habilidades do músico já estavam para lá de confirmadas e você pergunta “então para que serve esse Blunderbuss?” Serve como prova uma prova definitiva: White é atual “guardião” da música americana. Em tempos de um revival de ritmos típicos dos Estados Unidos – com um dos maiores expoentes sendo o Black Keys, que vem conquistando cada vez mais seguidores ao redor do mundo com seu rock carregado de blues – White passeia pelo folk, blues, rock e o que mais você quiser colocar no saco.

É exatamente nisso que o álbum peca um pouco. Com faixas de estilos diferentes, Blunderbuss não apresenta uma unidade bem formada ao ouvinte. Entre a forte guitarra de “Sixteen Saltines”, os vocais rápidos de “Freedom at 21″, o delicioso violão de “Love Interruption” e o piano de “Trash Toungue Talker”, o álbum pode soar como um apanhadão ou até mesmo uma coletânea de músicas de Jack White.

Não que o álbum seja ruim, não me entenda mal, mas certamente falta alguma coisa unindo todas as sonoridades – e a “grife” Jack White não é o suficiente para isso. Bom músico e letrista regular, não seria apenas um homem, um fator físico, digamos assim, que criaria a unidade musical necessária para Blunderbuss. Apesar de ser um começo regular-para-bom de sua carreira solo, Jack White deve figurar nas esperadas listas de melhores do ano e criar grande alvoroço a cada futuro lançamento.