Jake Bugg – Jake Bugg

Não vou falar especificamente sobre a imprensa e nem ser mais específico ainda sobre a inglesa, mas é fato: temos a necessidade de encontrar nossos próprios heróis. Se ele puder ser só nosso, é ainda melhor, mas há certo prazer em distribuir aquilo que você descobriu antes de todo mundo e que você chama de “salvação” – e se assim não chama, pensa. E também há uma satisfação quando mais pessoas abraçam sua descoberta e concordam com você.

Jake Bugg é esse herói, no momento. Não só para a imprensa (elogiado por NME, Guardian, BBC e mais) e também não só para grandes figuras da música (Noel Gallagher, Elton John, Chris Martin são alguns dos nomes que rasgaram a seda do garoto). O público britânico também abraçou o jovem inglês e, mais do que isso, Jake assumiu a alcunha de herói quando declarou que está tirando as X-Factor shit do topo – e disse de uma forma que abrigou os corações revoltados que sentem falta desse espírito em figuras como as dos irmãos Gallagher.

Aí você soma o espírito adolescente ao rock quase puro, influenciado diretamente pelo folk americano de Dylan, e por quase tudo que rolou nos últimos 20 anos na música inglesa, como Oasis e Alex Turner, e tem o herói perfeito para o momento. E ele pode durar alguns bons anos e evoluir com qualidade, caso do Arctic Monkeys, ou se afundar e morrer, como o Libertines. No momento, ele só cresce, e mesmo que isso ainda só seja uma realidade britânica, já começa a refletir ao redor do mundo com seu auto-intitulado álbum de estreia Jake Bugg.

Diferentemente de Alex Turner aos 18 anos (que parece ser uma grande influência para o nosso “herói”), Jake não se mostra um letrista privilegiado. Esforçado, sem dúvida, faz sua poesia soar vaga e chegar mais próximo de um Pete Doherty, só que menos chapado. Falando de reencontros e dia a dia, Jake chega até chega a dizer que deixou toda sua vida pra trás e que nunca se sentiu tão vivo. Vamos esperar que seja um eu-lírico, para não rirmos de um garoto de 18 anos lamentando do tempo que passa. Lamentando ou não, apresenta momentos bonitos mais sentimentais e outros mais auto-afirmativos, que combinam bem com a sonoridade das canções.

Se a opção foi de 14 faixas para o disco de estreia, não é de espantar que o álbum soe repetitivo em certos momentos. Porém o disco se segura com momentos mais brilhantes de canções como “Lightning Bolt”, que mistura Woody Guthrie e um refrão típico de Oasis, “Two Fingers”, um descarado Alex Turner num arranjo muito simples e interessante, “Simple As This”, um Dylan mais bonitinho e suave, “Country Song”, algo que o Mumford & Sons também tem revivido, “Slide”, um britpop caprichadinho, e a melancólica “Someone Told Me”.

Assim como em suas letras, o jovem britânico mais se esforça do que realmente consegue apresentar algo exatamente original e relevante em suas canções. Encare-o como um garoto em seu primeiro disco, e talvez você tenha um álbum do qual goste para ouvir de vez em quando. Jake Bugg não é herói de nada, nem exatamente uma grande descoberta. Não há nada para ser salvo, mas é importante que continuemos a acreditar que há grandes descobertas a serem feitas na música. Só que Jake não é o caso.

  • Ler

    “Vamos esperar que seja um eu-lírico, para não rirmos de um garoto de 18 anos lamentando do tempo que passa.” – Poxa, gente! Rirmos? Tão bonito e nostálgico (e fofo?) essa urgência adolescente, como se carregasse o peso de 100 anos em 18. Acho essa a maior graça desses moleques que chegam, pra ficar ou não. E vale a máxima da internet: QUEM NUNCA?

  • Achei foda esse disco. Tipo um dos melhores de 2012, fácil. Lindão demais. Umas melodias que… PQP

  • A Desagradável

    “Rasgaram a ‘C’eda”?
    Esse tipo de musica não tem nada a ver com os Gallangher!
    Timbre de voz irritante!!
    Pelo menos as tolas modernas irão suspirar pelo jovem mancêbo! (sic)

  • Nicole

    achei a voz bem similar a miles kane

  • Bruno

    A forma de abordagem de ‘encontrar o herói’ narra muito mais um desabafo pessoal do que uma resenha construtiva e democrática após ouvir o álbum, que realmente não cura o mundo, mas o da sobrevida.