Jake Bugg  - On My One

Jake Bugg
On My One

EMI

Lançamento: 17/06/2016

Se antes Jake Bugg poderia ser chamado de “o Bob Dylan do lado leste” por se assemelhar ao folk do norte-americano, talvez agora façamos esta comparação porque ambos os artistas “traíram” suas origens musicais em algum ponto da carreira. Músico inglês que não possui papas na língua (estilo Noel Gallagher), Bugg voltou mostrando que mesmo com apenas 22 anos confia em sua capacidade criativa a ponto de colocar a produção do álbum em suas costas. Depois de dois discos, Jake Bugg (2012) e Shangri La (2013), com um folk quase de raiz, em On My One investiu nas suas influências de hip hop, produziu quase todas as faixas sozinho, compôs, fez toda a parte instrumental por completa conta e risco. Jake arriscou, entretanto se foi bem sucedido…

O álbum inicia apresentando a faixa homônima que possui bem o estilo que consolidou Jake nos anos anteriores. A letra mostra o pobre garoto de Nottingham que viu seus sonhos se acabarem. “Meus sonhos se tornaram realidade, mas é isso que eu estaria cantando se tivesse perdido tudo”, explicou Jake à revista NME.

“Gimme the Love”, um dos singles, é um susto para os fãs que conhecem Bugg desde o início, por possuir forte influência pop dançante. A faixa não chega a ser ruim, na verdade, cabe na pista de dança tranquilamente, mas não parece nenum pouco com Bugg. Na mesma levada, a superficial “Bitter Salt” aumenta a perda de contexto (se é que tem um contexto) do álbum com suas batidas eletrônicas. Mas nenhuma faixa decepciona tanto quanto o desconfortável rap “Ain’t No Rhyme”.

“All That” nos lembra por que Bugg já foi comparado a Dylan. É uma canção simples de voz e violão, com um estilo “contador de histórias” que presenciamos em Bob Dylan. Já “Put Out the Fire” lembra bastante “Lightning Bold” (single de sucesso do primeiro álbum), e é certo ponto de referência no meio dessa confusão que compõe o disco.

Contudo, não temos um saldo positivo quanto ao novo trabalho de Jake Bugg. O músico se perdeu no meio de seu processo de reinventação. O erro aqui foram os estilos opostos das músicas que não possuem nenhum elo ao longo do disco que dê coerência no trabalho e interligue as canções. O resultado é um álbum perdido e sem direção nenhuma. Quando On My One termina não há a sensação de algo completo, mas sim retalhos de ideias que foram postas ali em um esboço, mas não foram de fato costuradas, conectadas umas as outras.

 Isso nos faz perguntar se ele é realmente capaz de assumir seu trabalho sozinho e não se confundir com todas as possibilidades diferentes e acabar sem coesão. Será que, em um próximo disco, ele irá se estabilizar melhor dentro de um conceito? É incerta a evolução futura do garoto de Nottingham, principalmente se ele consegue lidar com o peso da própria carreira “on his one”.

Escute aqui o novo álbum do britânico, On My One, no Spotify:

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