Jake Bugg - Shangri La

Jake Bugg
Shangri La

Mercury

Lançamento: 18/11/13

A fórmula não é nada inédita: um jovem herói surge pra música com um ar de prodígio, cheio de boas canções engatilhadas, que são apresentadas de forma crua – pro peixe ser melhor vendido e fazer você acreditar que um jovem desses poderia ser você ou alguém que mora no seu bairro. É batata: o mínimo de talento vai impressionar. E se o nível disso é um pouco mais alto, vai chamar holofotes. É então que o nosso herói volta pra um segundo momento: agora ele é mais maduro, mais bem produzido e quer te convencer de que não é apenas uma promessa. Quer te convencer de que é um fato. Quer chamar os holofotes mais pra perto.  O resultado dessa já batida equação nem sempre é positivo, mas costuma funcionar no universo pop.

Jake Bugg se encaixa nesse exemplo? Perfeitamente. A parceria com a lenda Rick Rubin para Shangri La, seu segundo álbum, é a prova de que ele não quer voltar a ser “qualquer coisa”. O inglês de 19 anos quer mostrar que o caso nem foi de amadurecer, mas de que sempre esteve pronto. E, agora, dispara 12 boas faixas de rock como se isso fosse fácil – para o rock, aquele “puro”, pouco sobrou de possibilidades para aventuras criativas. O garoto sabe disso e resolveu  viajar pelo clássico, partindo do folk de Dylan até chegar ao pop do Oasis,  para criar suas próprias canções com a ajuda de um parceiro de longa data (Iain Archer) e de um mestre da arte (Brendan Benson), e mostrar que é uma realidade, não apenas uma possibilidade, como aconteceu em seu álbum de estreia no ano passado, que oferecia algumas boas faixas num amontoado de informações altamente dispensáveis.

Não há nada de novo aqui, a não ser o próprio artista e sua juventude. Mas se a juventude é ótima, Bugg também se mostra assim com suas ótimas músicas em Shangri La.

Pouco mais de um minuto e meio em alta velocidade abre o novo lançamento, com o folk “There’s A Beast And We All Feed It”, que corre como uma bala. O disco não descansa até chegar na bela balada “Me And You” – mas, antes disso, passa pela crônica americanizada de “Slumville Sunrise” e pelo quase punk de “What Doesn’t Kill You”.

 A quinta faixa, “Messed Up Kids”, é uma das parcerias com Brendan Benson do álbum. Tem refrão potente e enérgico, sem precisar colocar nenhum instrumento para correr.  Enérgica também é outro resultado dessa parceria, “Kingpin”. Já “Storm Passes Away” foi uma aventura mais tranquila e calma dessa soma de compositores – o country é gostoso e aposta em lamentos num lirismo mais maduro.

Dizendo que uma canção de amor não é o suficiente, em “A Song About Love” Jake Bugg explora o pop e cria uma balada poderosa para rádios e trilhas românticas. Menos românticas, porém também baladas, a discreta “Pine Trees” traz um pouco de Woody Guthrie em sua essência, e “Simple Pleasures” se mostra com um poderoso refrão (parece viajar direto dos anos 90, com o tratamento especial de Rubin, assim como “All Your Reasons”).

Ainda que não sejam inesquecíveis, os 12 momentos do álbum cumprem o necessário e vão direto ao ponto. Com boas letras e melodias que não ousam, mas que, vez ou outra, emocionam, Jake Bugg faz, ao lado de seus parceiros e seu ótimo produtor, o simples quando era isso mesmo que deveria ser feito.  Uma porção de acordes certos e a vontade de ser rock star ainda podem dar certo – e mesmo que o cenário musical não procure mais isso, Jake Bugg, com dedicação e cheio de certezas pra quem acaba de sair da adolescência, foi lá e procurou isso sozinho. Ao final, o grande achado era ele. Sorte a nossa.

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  • Artur

    Nota alta demais, não é tudo isso