Jambolada – Impressões gerais

Aproximadamente 10 mil pessoas (!!) foram assistir aos mais de 30 shows que o festival Jambolada realizou ao longo de três dias, durante o último fim de semana, em Uberlândia – MG. Com um line-up bem variado e englobando desde a MPB até o heavy metal, o evento primou pela organização, pela variedade de atividades “off-stage” e pela quase pontualidade dos shows.

Pato Fu

Privilegiado com um local de shows enorme (Acrópole), os produtores do festival souberam utilizar bem os espaços e montaram, além de dois palcos, um ambiente chamado “Jambo Mix”, onde estavam stands de bandas, dos coletivos que organizaram o festival, de estúdios e marcas locais e um espaço chamado “Cine Jambolão”, onde filmes eram exibidos.

Na sexta-feira (23), os principais destaques ficaram para as duas últimas bandas: Black Drawing Chalks e Pato Fu. Apesar de ter esperado um show mais redondo dos uberlandeses do Ophelia and the Tree, a banda foi um pouco prejudicada pelo som chiado de sua apresentação, o que dificultou a nitidez da voz de Camila Franco, vocalista do Ophelia. Mas, ainda assim, o grupo conseguiu contornar a situação e terminou a apresentação sob vários aplausos. Em seguida, para o penúltimo (e mais esperado, pelo menos por mim) show da noite, veio a maior revelação do rock nacional em 2009: Black Drawing chalks. Em pouco mais de 30 minutos de show, o quarteto goiano incendiou a Acrópole e deixou muita gente rouca e surda (eu, inclusive) com suas guitarras pesadas e o vocal rasgado do vocalista Victor. Pessoalmente, achei o melhor show do festival, apesar de ter sido curto. Para finalizar a noite, o Pato Fu entrou no palco já com o jogo ganho e foi só Fernanda Takai e cia. seguirem o protocolo para ganharem as graças de todos presentes e fazerem uma apresentação digna de headliner, com muitas interações com o público e hit atrás de hit compondo o setlist.

BDC

Segundo dia de shows e a casa lota de tal forma que bate o recorde de público de todas as edições do festival, com 4500 pessoas indo ver, principalmente, a segunda passagem dos mineiros do Sepultura por Uberlândia – 18 anos depois, como bem lembrou Andreas Kisser, quando foi agradecer ao mar de metaleiros fanáticos que surgia em sua frente. Mas antes dos berros guturais de Derrick Green, o festival ainda presenciou, no sábado, dois momentos fantásticos: 1) o incrível show de Tatá Aeroplano e seu Cérebro Eletrônico. Lançando mão de artifícios como extintor de incêndio, pistolas futuristas de brinquedos e “mini-explosões de confete”, a banda paulista fez uma apresentação animadíssima e mostrou uma nítida entrega de todos os integrantes quando viam a platéia cantando e pulando junto com eles. 2) misturando rockabilly com surf music e ska com rock n’ roll, os cariocas do Canastra fizeram um dos shows mais dançantes do festival, e só pararam quando a organização pediu para Rodrigo “Hermano” Barba e cia. encerrarem a apresentação porque o tempo tinha esgotado – uma pena.

Aí os holofotes se voltaram para o Sepultura e a partir daí foi uma catarse metaleira que até os indies ficaram curiosos para assistir. E que apresentação! Misturando competência com MUITO barulho e peso, a banda superou as expectativas até dos mais xiitas. Destaque para o “monstro” da bateria, Jean Dolabella (ex-Udora).

sepultura

No domingo, apresentações de artistas mais voltados para a MPB e ritmos regionais fecharam o festival na Praça Sérgio Pacheco, onde várias pessoas puderam assistir, gratuitamente, as apresentações de artistas como Os Seminovos, Graveola e o Lixo Polifônico e a carioca Maria Alcina, que fechou o festival e nos deixou, além de orgulhosos por um evento de tal magnitude ter dado certo na cidade, ansiosos para a edição de 2010 do Jambolada!

Créditos das fotos: Hick Duarte

  • Rodrigo Lima

    Foi amor de mais!