Jamie Lidell @ Clash, São Paulo (05/05/11)

Já dava meia hora de atraso, embora não houvesse o menor sinal de reclamação, quando Jamie Lidell desceu as escadas que levam do mezanino para a pista da Clash e atravessou o público até a entrada de uma pequena área VIP lateral praticamente sem ser reconhecido. Poucos minutos depois, estaria no palco pronto para começar seu show.

De calça xadrez, tênis rosa e seu óculos de armação grossa, dando a cara de nerd que ele deve ser, Lidell começou de forma tranquila com a lenta “What Is The Time” – e com a platéia saindo do bar e chegando perto do palco com mais tranquilidade ainda. A ótima voz de Lidell já fica evidente de cara, e mesmo antes de começar a cantar, só a maneira como ele fala já impressiona. Na sequência “Another Day” liga a platéia e Jamie com seu refrão feito para cantar junto.

Nessa primeira parte ainda rolam as agitadas e boas “Where D’ You Go” e “I Wanna Be Your Telephone”. Já “Completely Exposed” aparece em uma versão muito diferente da que abre o disco Compass, convertida para uma balada poderosa (veja a versão tocada no show do dia seguinte no Rio). Aliás, não é só essa que Jamie muda ao vivo: em várias faixas ele improvisa, desacelera o ritmo ou cria novos usando o beat-box.

Acompanhado por dois bigodudos, o bom baterista Willie B e o insano Mister Jimmy nos teclados, Lidell ainda conta com uma enorme mesa com uma pequena bateria eletrônica, um laptop, pequenos mixers e uma mesa de som enorme, de onde vai controlando a bagunça que vai construindo apenas com a voz. Ali, parece um cientista brincando em um laboratório.

É nesse espaço que ele constrói os momentos mais experimentais da apresentação montando ao poucos, apenas com a voz, as batidas, o baixo e as camadas de duas faixas: “You Got Me Up” e “A Little Bit More”. Se não chega a ser um momento dançante ou animado, Jamie deixa todos atentos ao trabalhoso processo de construção.

É nessa alternância de momentos em que ele trabalha. Há momentos em que os efeitos de voz chamam atenção, e em outros a simplicidade toma conta com bateria, teclado e voz limpa – há ainda as canções que demandam que todo mundo dançe, bata palmas e cante junto. Quando a empolgação sobe muito, Jamie simplesmente deixa o microfone para alguém da platéia cantar algum trecho e sorri alegre.

Perto do fim, a sequência de músicas é excelente: “The Ring”, “Coma Chameleon”, “Multiply” e “Figured Me Out”. Uma parada breve e o cantor volta com o bis: “When I Come Back Around” e “What’s The Use”. Lidell faz um set curto. Suas músicas se estendem geralmente até por mais de 5 minutos, e a  apresentação durou pouco mais de uma hora

Equilibrado entre ótimas canções e um pouco de experimentalismo, o show de Lidell só não esquenta de verdade em nenhum ponto específico mais por conta do público, que parecia não conhecer tão bem o repertório, do que falta de animação por parte de Jamie e sua banda. Os fãs que ficaram mais perto do palco podem confirmar isso. Lidell é o tipo de artista que indispensável para se ver ao vivo, tanto pela criatividade quanto pelo talento. Ainda mais no bom espaço que é o Clash Club, onde você pode ficar perto do pequeno palco sem grandes problemas e escutar tudo com perfeição. Fica dado o aviso para quando ele desembarcar por aqui novamente.

Fotos: iG – Último Segundo | Cultura