Japandroids – Celebration Rock

Pode pegar qualquer resenha gringa falando sobre Celebration Rock, o novo álbum do Japandroids. Todas exaltam toda a graça do verão, das piscinas, das praias, do que for. Parece que Celebration Rock tem tudo a ver com isso, que seu espírito não poderia se encaixar melhor senão curtir com os amigos esses tempos tão alegres.

Venho escutando o álbum constantemente. Na maioria das vezes, ele me fez companhia enquanto eu ando pelas calçadas ou passeio no transporte público paulistano. E, você já deve imaginar, o clima não andou dos melhores desde que Celebration Rock saiu, no dia 5 de junho. Tão constante quanto a excitação é na voz de Brian King, foram as nuvens, o friozinho e a chuva que não vai embora entre esta virada de outono para inverno. Fica a dúvida, portanto: o álbum funcionaria sem todas as alegrias do verão? A resposta é sim.

Em tempos nos quais a música e os grandes festivais, que antes contavam com bandas feitas de guitarra, são tomados por hip hip, batidas eletrônicas e psicodelias pop exageradas, o Japandroids vem reivindicar o espaço das guitarras novamente. Em entrevista ao The Guardian, Howlin’ Pelle Almqvist, vocalista do The Hives crava: o rock anda uma merda. Nada que tenha ganhado um Grammy de rock nos últimos tempos é rock – não passa de pop com guitarras. O que seria o rock então? Um punhado de caras bêbados querendo se divertir, segundo Almqvist.

Se a visão de rock do sueco proceder, então o duo de Vancouver é puro rock. Celebration Rock vem para tentar manter o nível de elogios que a banda ganhou com Post-Nothing, o debut dos candenses. Parece besteira então perguntar a que se presta o novo trabalho, uma vez que seu título já sugere: tem como objetivo a celebração. Nada melhor para isto do que fogos. Ou você se lembra de celebrar o ano novo sem ver alguns deles explodindo no céu? Que seja, o álbum abre com o som de alguns deles estourando.

Logo, a bateria de David Prowse entra. A guitarra vem em seguida e o vocal não perdoa: “Long lit up tonight and still drinking / Don’t we have anything to live for / Well, of course we do, but until it comes true / We’re drinking”. O disco abre com essa pegada existencialista com um “foda-se” tocado ao mesmo tempo. A vida provavelmente tem um sentido, mas enquanto ele não aparece, nós continuamos bebendo.

Enquanto Post-Nothing deixava a peteca cair em certo momento – com um forte exemplo de “I Quit Girls” que fechava o debut -, o mesmo não acontece com o novo trabalho. Com uma consistência que ainda não havia sido apresentada pela banda, Celebration Rock tem pouco mais de 35 minutos de celebração. Ali, é possível ouvir algo que falta às novas bandas e que pode explicar o sentimento do pop com guitarras apresentado antes no texto: urgência e fúria estão presentes em todas as oito faixas.

Os 35 minutos passam voando – e com versos como “Hearts fom hell colide / On fire’s highway tonight / we dreamed it, now we know” combinados com uma série de “Oohoohoo”, não tem como não se sentir bem. Seja verão, seja inverno.

  • JoseRenan

    Ouvi o álbum ontem, eu precisava de ouvir um digamos “rock novo”, fiquei contente com o trabalho é pura curtição!