Jay Z - Magna Carta… Holy Grail

Jay Z
Magna Carta… Holy Grail

Roc Nation

Lançamento: 04/07/13

Precisamos falar sobre Jay Z: em seu décimo-segundo LP, com o nome imperativo de Magna Carta… Holy Grail, ele volta a imperar nosso consciente coletivo. Na primeira ouvida não tem como não se impressionar com a produção de ninguém menos do que Timbaland, o rei das batidas. Pois é, não podemos chamar este disco de incompetente ou sem imaginação, musicalmente falando. Mas grandes expectativas são geradas, principalmente de alguém que colocou a si próprio em um trono.

A faixa inicial, “Holy Grail”, conta com a participação do soul-boy preferido de Jay, Justin Timberlake, e pega emprestado algumas linhas de “Smell Like Teen Spirit”, o hino da fadiga pela vida. Cobain é alguém que já estava entediado entes de começar a jogar: quando finalmente chegou à soleira da porta para o SUCESSO, não aguentou e implodiu (Ícaro teimoso ou Narciso melancólico?). Bom tédio foi algo que senti antes de escutar a trinca composta por “Oceans” (com Frank Ocean), “FUTW” e “Somewhere In America”, que poderia ter sido lançada como um EP separado, pois representa magnificamente a grandeza de Jay Z melhor do que um álbum inteiro. Colaborações à parte, Magna Carta é sem grandes explosões e tenho que concordar com a maioria dos críticos, que parece exigir de Jay Z com Magna Carta algo além de simplesmente competência musical – o desejo é de um Grande Dito, o arrebate em forma sônica.

Além do mais, não se pode deixar de compará-lo a Yeezus – a menos de um mês entre o lançamento de um e o outro, parece mesmo que os dois artistas estão na mesma página, liricamente falando. Jay Z e Kanye estão provocando um debate tremendo (e muito bem-vindo) acerca da atual condição de nossa sociedade apática, saturada de sensações e distrações, com um imediatismo exacerbado que previne qualquer um de parar e pensar sobre as mazelas do coletivo. Ainda sim, tem muitos acusando o rap de hoje ser um monte de pseudo-líderes simplesmente contando vantagem de maneira intransigente das suas aquisições e acúmulo de capital. O rap, com a chegada do Public Enemy, servia de CNN negra como já disse Chuck D., mas acredito que hoje ele mudou para um espécie de espelho – um espelho que reflete uma sociedade doente. A infecção permeia todas as esferas, até e principalmente a epítome do escapismo: a música pop.

Deparamos-nos então com duas formas de se apresentar um conteúdo: de um lado temos Kanye, o equivalente de um adolescente petulante cuja raiva e indignação revelam por trás um desejo dionisíaco de transformação; de outro, temos Jay Z, cuja sobriedade dá lugar a uma contemplação pastoril ao invés de confrontação – isso vem com a maturidade, com certeza. Jay Z é similar a um filósofo apolíneo, que não dá vazão violenta aos seus (id)eais. Não que tenha perdido um pouco do seu élan ao amadurecer, muito pelo contrário: talvez ele mesmo esteja disposto a talhar essa imagem que foi cristalizada ao lançar um disco que desafia todos os seu (pré)conceitos. Talvez no futuro ele enlouqueça um pouco mais. Estamos esperando então, Tio Carter.

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  • André

    “Talvez no futuro ele enlouqueça um pouco mais. Estamos esperando então, Tio Carter”

    Gente, quem escreveu esse texto? hahahaha é horroroso! Cheio de clichês, termos moderninhos e frases de efeito, mas em nenhum momento parece se aprofundar na obra do Jay-Z. A autora alguma vez ouviu os trabalhos anteriores dele? Pela nota 7, com certeza não. Magna Carta é um trabalho fraquíssimo, nota 5 pra baixo, tão ruim quanto este texto. É um álbum em que Jay-Z emula ser Jay-z, cópia da cópia dele próprio. Parece até que a autora ouviu a abertura do disco e depois foi pulando entre os “Hits”. Precário.

  • Pérfida Perfídia

    Mister Carter é arrogante e na América do Norte ele é rei; pero saindo dali…quem é Jay Z na fila do pão(interrogação)

  • Penélope

    Pelo que fui lendo e acompanhando, a descrição do álbum é bem direta e condiz com o que eu senti quando ouvi todo o disco, e não só os hits, como o companheiro acima citou, e pelo que eu observei lendo os comentários, certas pessoas parecem não entender do que se trata o artigo, o assunto aqui não é a autora e os trabalhos antigos do artista,e sim o NOVO álbum do Jay Z,ênfase na palavra novo. Vamos manter o foco pessoal…E gostaria de dar parabéns a autora e ao ARTISTA, pois ambos fizeram um ótimo trabalho.

  • Kellvyn Atary

    O texto é ótimo. Eu pensei muito do mesmo a escutar centena de vezes a obra. Aos poucos se entende cada vez mais sobre tudo.

    Tem algo mais foda do que mesclar o que outros artista já disseram em suas próprias linhas e estilo? Acho que isso é a mágica do Jay-Z. Fale o que quiser, seja um hater e você já tem a sua resposta dado pelo Jay-Z em uma das músicas do álbum.

    Muitos acham que entendem o conteúdo do álbum. Poucos entendem. E muito menos chegarão a entender a obra por completo. Eu só sei que ando estuprando os botões de play por essa Internet de meu Deus.