Johnny Hooker é todo “Coração” em novo disco

Johnny Hooker. Foto: Diego Ciarlariello/Divulgação

“Olha eu aqui de novo, viver, morrer, renascer, firme e forte como um touro”, está a música que abre o disco de Johnny Hooker, Coração (2017), que acaba de sair em parceria com a Natira Musical. Não por acaso o show dele de estreia em São Paulo será justamente na Casa Natura, no dia 26 de agosto.

No novo álbum, Johnny deixa de lado a macumba para amarrar um velho e desleixado amor, para se libertar, gritar por respeito em uma canção como “Flutua”, parceria com a Liniker, e até se divertir num sessão “Adriana Calcanhoto” com “Caetano”, canção em que faz uma homenagem nada ortodoxa ao artista baiano.

Antes de fala do disco em si, é bom dizer que este capa foi banida após uma série de denúncias no Facebook. Acreditem. Foi difícil para os homofóbicos ver um beijo entre LGBTs. E por que será que isso incomoda tanto, não é mesmo? Se são apenas dois artistas mostrando sua arte, mas claro, dando uma açoitadinha do convencional? Muito corajoso da parte dos dois e também muito representativa uma letra em que diz: “Baby eu já cansei de me esconder, entre olhares e sussurros com você. Somos dois homens e nada mais”.

Não é mesmo?

O que deveria nos fazer pensar em como a comunidade LGBT, em especial aqui, os gays são tratados no país, o que deveria abrir um debate, sobre como nós não podemos mais ficar julgando as pessoas de como elas devem se amar, gerou uma grande aversão num público que não está afim de debate e quer que as coisas continuem como são, marginalizando as diferenças.

Pois bem, Coração tem seus momentos de festa, como em “Caetano”, “Coração de Manteiga de Garrafa” e “Escandalizar”. E acredito que “Coração de Manteiga de Garrafa” é uma bela canção para explicar a nova fase de Johnny. Sim, ele é um ser passional, ama, sim, mas agora não vai mais se prender a quem lhe faz mal, mas não deixa de dar uma segunda chance: “O que que foi, o que que há? Você tá indiferente! (…) Eu posso te fazer mais feliz. Viver desse jeito não dá, vou ter que me afasta. Não dá! Não dá! Chegue mais, meu pretim, não embaça, meu coração de manteiga de garrafa”.

Não à toa, é a primeira palavra do nome desta canção que foi parar na capa do disco. Disco este que tem foto do talentoso Diego Ciarlariello e arte de Alma Negrot. Além de Liniker, o disco que tem onze canções também tem participações de Gaby Amarantos em “Corpo Fechado”.

A banda que acompanha Hooker no palco é a mesma de sua turnê anterior, contando com Artur Dantas (teclados e violões), Felipe Rodrigues (guitarras), Thiago Duarte (percussão), Joana Cid (baixo), Eduardo Guerra (bateria), Neris Rodrigues (trombone) e Alan Ameson (trompete). Os figurinos são assinados por Alma Negrot e Guilherme Rodrigues. A direção do espetáculo fica, mais uma vez, por conta do próprio Hooker.

“É muito mais político e sobre resistir afirmativamente. Sobre um recomeço, apesar de tudo” pontua Johnny em nota enviada pela imprensa.

Confira o disco completo abaixo: