Juliette And The New Romantiques – Terra Incognita

Hugh Grant em About a Boy; Drew Barrymore em Letra e Música; Michael Cera e Ellen Page em Juno; Johnny Depp e Helena Bonham Carter em Sweeney Todd: O globo está repleto de atores que soltam a voz no cinema. Não são todos, porém, que querem – ou podem – conseguir uma carreira sólida no universo da música.

Nas grandes telas, Juliette Lewis raramente conseguia o destaque que, na minha opinião, era merecido. Filmou com Brad Pitt supostamente por ser noiva do ator na época. Em Cold Creek Manor, assim como em muitas outras produções (como a comédia de Sessão da Tarde Starsky e Hutch), lidou com pequenos papéis e com pouco reconhecimento, que se contrastaram com os interessantes The Other Sister, Aurora Boreallis, From Dusk Till Dawn e, claro, com o filme que a fez atingir o auge: Natural Born Killers ou, em português, Assassinos por Natureza.

Quentin Tarantino, além de descobrir uma serial killer em potencial, revelou a voz de Juliette na perversa “Born Bad”, assinada pela personagem Mallory Knox. Além de ter uma cena no filme só pra ela, a cantoria despretenciosa se transformou em uma das faixas da trila de NBK, ao lado de Jane’s Addiction, Nine Inch Nails e Leonard Cohen. Quase uma década depois, Lewis tinha o aval para tirar férias do cinema e entrar em um novo e estonteante projeto, o Juliette and the Licks. Depois de três discos lançados, apresentações no brasileiro Tim Festival e seis anos de carreira, a banda foi pro saco em meados de 2009.

terra incognita

Capa brega

O recesso, pra nossa sorte, não foi longo. Com a separação da banda, veio a confirmação de um segundo projeto musical de Lewis. Batizado de Juliette and The New Romantiques (e adaptado para Romantics pelos americanos preguiçosos), o grupo recebeu novos integrantes e teve seu primeiro disco produzido por Omar Rodriguez-Lopez, que encabeça o The Mars Volta. Omar trouxe para o grupo guitarras marcianas, que a todo tempo nos remetem à essência de sua banda. No entanto, a sonoridade só parece completa com a mesma voz rouca e potente que interpretou as músicas de PJ Harvey em Strange Days.

Se Four On The Floor aparecia com um apelo pop em ‘Get Up’ e ‘Hot Kiss’, Terra Incognita relembra as bases do mais roqueiro You’re Speaking My Language, adicionando a ele um pouco das tendências progressivas e psicodélicas do Mars. Uma pegada de Jazz também aparece ora ou outra, mesmo que ofuscada pelas distorções e disfarçada nas entranhas de “Romeo”, “Uh Huh” e “Hard Lovin’ Woman”, em que Juliette entoa com segurança o refrão, dizendo ser “uma mulher difícil de amar, sem lugar na sociedade”. De qualquer forma, quem reina no álbum não é nenhum desses elementos, mas sim o bom e puro rock, soando como uma versão atualizada e crua disso aí:

Todo o álbum merece destaque. Até as músicas que parecem um pouco apagadas nas primeiras execuções ganham vida própria em pouco tempo, como “All Is For Good” e “Female Persecution”. Pra começar a sentir a vibe do disco, a soturna “Romeo”, a lindamente dramática “Suicide Dive Bombers” e “Fantasy Bar” funcionam bem. Reposto aqui o clipe dessa última, que é prima próxima da antiga “Mindful of Daggers”:

  • Muito boa a matéria.. Gostei da Fantasy Bar, mesmo não conhecendo a banda..
    Coloquei o link de vocês no meu blog, acho foda!!!

    Abr

  • Lucas

    Juliette ahaza (termo viadistico) sempre.
    O album fica bom até depois de ouvir umas três vezes mas não supera o “Four on the floor”.
    E o clipe ficou bem a cara da musica.

  • Dos artistas que soltam a voz, amo a Zooey Deschanel, do She & Him… linda <3 hahaha