Jumbo Elektro – Terrorist?!

Quando lançou seu primeiro disco, em 2004, o Jumbo Elektro parecia ser uma banda completamente despretensiosa, e suas músicas atingiam o pico na escala do ‘freak’. As letras, cantadas em várias línguas, não tinham lá muito sentido e eram sempre acompanhadas de gritinhos e falsetes. Após um longo tempo de espera que fez alguns acreditarem até que a banda havia acabado, foi lançado o novo álbum, ‘Terrorist?!’. A data não poderia ter sido melhor escolhida, 11 de setembro. Tudo a ver com terrorismo.

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Para uma banda como o Jumbo, o desafio do segundo disco era ainda maior. Manter o estilo freak talvez os afirmaria como uma banda “de brincadeira”, mas uma mudança geral poderia desagradar os fãs. A decisão foi manter a identidade, mas com um som menos maluco e bem variado. O resultado é um álbum mais sério que o anterior e que não soa enjoativo em nenhum momento. O cardápio musical de ‘Terrorist?!’ é bem abrangente e agrada facilmente. Algumas músicas mostram um electrorock simples e atual, como “Sunday Squire” e “Dylan Sings Bowie”, que conta com um divertido côro a la Tokyo Police Club. ‘Manifesto’ é um delicioso e dançante rock n’ roll, e “Elétrons Medievais” não soaria estranha em um álbum dos Smashing Pumpkins, enquanto “I Wanna Fuck” é sombria e com cara de música eletrônica gótica.

Mas o bom Jumbo Elektro da época do ‘Freak To Meet You’ também foi incluído na mistura, com “Japoteca” e “Eh o Zizi”. Mistura esta que é o ponto forte do disco, deixando o álbum sem causar estranhamentos. Bandas que resolvem misturar estilos muitas vezes acabam por não conseguir definir o caminho que estão seguindo, mas o Jumbo tem esse caminho detalhadamente definido, tanto que ao final das dez músicas se está seguindo nele sem notar, e o silêncio faz querer mais daquele som tão agradável.

Eles estão fazendo um esquema bem interessante pra divulgar e vender o disco: lojas criadas por fãs que, vendendo os produtos da banda, recebem uma comissão. Uma ideia bem interessante que pode começar a ser bastante utilizada agora, em que tudo é colaborativo. Abra a sua e desconte toda a fúria terrorista nas técnicas de vendas – se só isso não for possível, tem uns prediozinhos lá em Brasília em que você pode praticar com seu grupo.