Radiohead @ Just A Fest – São Paulo

(Desculpem o atraso de dois dias da resenha, mas sabem como é, né? Moro bem longe de São Paulo e só tive condições de escrever agora…)

Acabei de dar play no bootleg que eu achei do show do Radiohead no último domingo, em São Paulo. Vamos ver se ele me traz a inspiração suficiente pra eu conseguir demonstrar no mínimo 10% do que foi realmente esse acontecimento histórico na vida de muita gente e – nossa! – Thom Yorke acabou de começar a cantar “15 step” e me deu uma arrepiada aqui agora. Vou tentar não me alongar muito porque todos já estão cansados de ler por ai sobre o show, certo?

Los Hermanos:
Como tinha de ser. Catarse para os xiitas, ótimo para os simpatizantes dos barbudos (tô incluso aí) e legal/ok para o resto. Gostei muito da sintonia que a banda apresentou depois de tanto tempo separada. E a barba do Camelo fica assustadora naquele telão gigante!

Kraftwerk:
Antes das pedras, já vou avisando: eu sei de toda a importância histórica que a banda tem, já li algumas coisas sobre os “pais da música eletrônica” e tudo mais. Respeito, mas EU não gostei. No meu caso eu lembrei de uma ótima analogia: Apocalype Now – filme premiadíssimo e endeusado por todos mas que eu acho um porre. Foi assim o show do Kraftwerk. Elogiado por todos, visualmente impecável (nesse aspecto eu concordo, claro), mas eu achei um show muito chato e não via a hora de acabar.

Radiohead:
Eu esperava um show fantástico e inesquecível. Mas eu desafio qualquer um que lá esteve a falar que o show não superou em muito o esperado.

A abertura previsível foi de “15 Step”. Logo em sequência veio uma das mais esperadas por mim: “There There”. Com Ed O’Brien e Jonny Greenwood tocando tambores, a música foi se estendendo lindamente até chegar no seu ápice, com Jonny, já munido de sua Telecaster, solando freneticamente enquanto a iluminação do palco mudava de um azul calmo pra um vermelho intenso. Surreal.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=9CC3MxbKKQ8]

“The National Anthem”, terceira do set, ganhou força e peso impressionantes ao vivo e botou a multidão pra se agitar com a pesada e marcante linha de baixo de Colin Greenwood e o voz inquieta de Thom. Depois veio “All I Need” e eu desafio novamente alguém a falar que não ficou emocionado com a perfeição e entrega da banda em sua performance. “Pyramid Song” teve a curiosa participação de um arco pra tocar violoncelo nas mãos de Jonny, à la Sigur Rós, tocando guitarra.

“Karma Police” (com seus acordes iniciais fazendo muita gente chorar de emoção), “Nude”, “Weird Fishes/Arpeggi”, “The Gloaming”, “Talk Show Host”  e “Optimistic” foram maravilhosas como deveriam ser. Na sequência Thom e Jonny subiram com seus violões e começaram o dedilhado da linda “Faust Arp”. Quer saber como é a sensação de estar diante de 30 mil pessoas cantarolando baixinho, quase em silêncio, a letra e você ainda ser capaz de escutar cada nota dedilhada no violão? Chega a ser assustador!

Foto - G1

O relato das duas próximas músicas é altamente questionável pois eu entrei em transe absoluto e só “acordei” 8 minutos depois com um sorriso bobo no rosto e o pensamento: “Morreria feliz agora, fácil…”. “Jigsaw Falling Into Place” e “Idioteque”. Sim, em sequência. Minhas duas músicas favoritas da banda tocadas em sequência. “Jigsaw…” foi eleita por mim e por mais alguns amigos como a melhor do show. “Idioteque” fez até o mais velho dos tiozões presentes (o Álvaro Pereira Júnior tava praticamente do meu lado. Não que ele fosse o mais velho, mas só citando a presença de alguém famoso, mesmo) sair do chão e/ou rir da crise epiléptica que Thom apresentava no palco enquanto milhares gritavam a letra meio nonsense dessa música que eu acredito ser uma das poucas unanimidades entre todos os fãs.

“Climbing Up The Walls”, “Exit Music (For a Film)” e “Bodysnatchers” fecharam a primeira parte do show de forma incontestável. Vale mencionar a intensidade absurda que o clima soturno de “Climbing” provocou na Chácara do Jockey.

Na volta pro que seria o primeiro dos 3 bis, Thom tocou com competência “Videotape”. Mas nem me empolguei porque nem sou muito fã da dita cuja. A seguir, copiarei um relato da resenha que o Marcelo Costa escreveu sobre “Paranoid Android”, porque ninguém descreveu tão bem tal momento único: “…então os céus se abriram para “Paranoid Android”, um dos pontos altos de toda carreira do Radiohead. Ao final da canção, porém, o inusitado aconteceu. O público continuou fazendo a segunda voz (que na música é de Ed O’Brien) mesmo com a canção terminada, e Thom Yorke entrou no clima: pegou o violão e voltou a fazer a primeira voz entrelaçando-se com a platéia num daqueles momentos raros que valem uma vida. Emendou “Fake Plastic Trees” e todas as dúvidas se dissiparam antes mesmo do fim do primeiro bis: São Paulo estava assistindo à provável melhor apresentação do Radiohead nos últimos anos.

Foto - G1

“Lucky” e “Reckoner” finalizaram de forma brilhante o primeiro bis. “House of Cards” abriu o segundo e em seguida veio “You and Whose Army?”, com uma curiosa câmera que parecia penetrar o olho de Thom Yorke enquanto esse “dava moral” pra brincadeira e começava a mexer de forma bem engraçada a sobrancelha e o olho. E depois de surpreendentes versos de “True love waits”, “Everything in its right place” veio pra fechar o segundo bis, o set e, consequentemente, de acordo com os últimos shows da banda, aquele que já seria o melhor show da vida de muita gente, senão de todos ali presentes, certo?

Pois é, a banda saiu. Eu já tava me preparando pra encarar a multidão enfurecida na saída da Chácara com o sorriso mais largo que meu rosto já teve quando… Colin, Phil, Ed, Thom e Jonny voltaram ao palco, pegaram seus instrumentos e Thom falou em alto e bom som: “Thanks, Brazil, for having us… (gritaria da multidão) …guess what this is… (mais gritaria)”
“When you were here before
Couldn’t look you in the eye
You’re just like an angel
Your skin makes me cry
You float like a feather
In a beautiful world
I wish I was special
So fucking special
But I’m a creep
I’m a weirdo
What the hell am I doing here?
I don’t belong here.”

Depois de 2 horas e 20 minutos de incredulidade, andar 1 hora pra uma direção escolhida aleatoreamente pra fora da Chácara, com os pés latejando e o estômago doendo só de ouvir falar em comida, parecia e era totalmente irrelevante, pois sabíamos que tínhamos acabado de presenciar algo histórico. Um show histórico. Um show que dificilmente o país verá igual. Um show que dificilmente a banda fará igual.

8 Comentários para "Radiohead @ Just A Fest – São Paulo"

  1. Pingback: Just…as they play your favourite song « Why so pop?

  2. Excelente Review.

    Já imaginava que o show em SP tinha sido incrível vendo pela TV… agora então…

    Ps.: Elogios também pela sinceridade sobre o Kraftwerk. Ninguém é obrigado a gostar, mas eu fico estarrecido ao ler algumas atrocidades por aí. O que felizmente não foi o caso aqui! Well done!

  3. Excelente resenha! Sintetizou muito bem o êxtase contínuo que foi aquele show.
    Parabéns!!!

    P.s.:Concordo também com o trecho em relação à chatice que foi o show do Kraftbleeargh.

  4. Odiei seu comentário sobre o Kraftwerk, neutralize suas opiniões de gosto, por favor. 😀
    ótima resenha! 😉

  5. Bem dentre todas as matéria escritas sobre o show de Radiohead,em que li,essa e uma das melhores, descreve o show super bem sem enrolação.Cheguei até a me emocionar quando li a parte em que cita as musicas “Jigsaw Falling Into Place” e “Idioteque” no show, porque pra mim foi um momento único, (insano e perfeito).
    E agora sem dúvida alguma afirmo que Radiohead é a melhor banda do mundo, e esse foi o melhor show que assisti em minha vida. Inesquecivel!! (ainda me emociono ao lembrar).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *