Justice - Woman

Justice
Woman

Ed Banger Records

Lançamento: 18/11/2016

Ainda que surgido em Chicago, no começo dos anos 80, a Europa é o berço dos movimentos musicais ligados à música house, vertente da música eletrônica e, de certa forma, um desenvolvimento da disco music dos anos 70. É dos ventos europeus, também, que vem a dupla Justice, formada por Gaspard Augé e Xavier de Rosnay. Para compor Woman, o mais novo disco dos franceses, eles contaram com a London Contemporary Orchestra que contribuiu com toda a orquestração do disco, que tem sintetizadores, pianos, guitarras, baixos, entre outros. O duo é famoso pelo teor estético que dá ao seu trabalho, levando em conta que seus shows dispõem, impreterivelmente, de um cenário formado por uma cruz branca que brilha durante todo o evento. Em Woman eles dão um teor estético, mas também sensual.

Em “Fire”, cuja letra atesta que o fogo em questão está entre duas pessoas, ressaltando todo o sexo presente no disco, há uma base e solo de guitarras, um baixo forte e elementos de psicodelia. Os anos 60 também aparecem em “Heavy Metal”, da qual o começo lembra um pouco “Baba O’Riley”, do Who. A música é instrumental e, além de um incipiente teclado trabalhado, que reaparece ao longo da música, tem mais guitarras e um baixo com pedaleira. O baixo é um elemento fundamental na música house. “Pleasure”, faixa 2, não foge à essa característica, criando com piano, e, por meio de uma cadência muito forte, um abalo dançante a quem a escuta. Esse abalo se mantém aceso com batidas meio ecoantes, que fazem referência a palmas. (Palmas!) Depois de dançar, o ouvinte pode ficar ainda mais cansado em “Chorus”, música que conta com samples que, unidos à batida, lembram facilmente uma respiração ofegante. Essa falta de ar toma mais forma quando as batidas aceleram e sofrem um baque ao final, com a presença de um coro e um fundo produzido por sintetizadores providenciais.

Talvez propositalmente, Woman faz uma pausa em “Stop”, música que conta com samples facilmente assimilados ao piano, cadenciada mais lentamente em relação ao resto do disco e com um vocal delicado, embalado por um coro no refrão. A voz é elemento mais instrumental do que individual, também, em “Alakazam!”, som praticamente instrumental, ritmado principalmente pelo baixo, acompanhado por intervenções vocais não identificadas e cadenciado de forma mais acelerada. A ideia de cadência pode parecer repetitiva, mas, confie, ela é fundamental no universo eletrônico, mais precisamente neste texto, o house. É quase uma gaita no blues. Falando em blues, “Love S.O.S” pode ser considerada a balada de amor do álbum. Ela começa com uma sirene, com certeza (ou nem tanto) para reforçar a ideia de socorro. Essa sirene vira um desalento ao fundo. “Love S.O.S” tem um andamento regular, baixo tímido e muitos samples que dão mais força ao refrão. O vocal é triste, quase um apelo apaixonado. Quebrando um pouco esse clima, “Safe and Sound” tem uma espécie de sonoplastia que lembra a do lendário filme Warriors, de 1979. É um sonido que remete à surpresa e expectativa, carregadas por coros que incentivam o ser humano, “Man up, hold tight”. É também composta por violinos e um baixo muito carregado, com muitos slaps. A dupla se apoia mais em instrumentos de corda em “Randy”, faixa mesclada entre samples e guitarras distorcidas, adaptadas à música eletrônica. “Close call”, última faixa, tem um ar de encerramento mesmo.  Apresenta batida lenta, samples meio repetitivos e coro ao fundo.

Woman é o terceiro álbum de estúdio do duo francês Justice e vem sofrendo ótimas críticas. No Metacritic, site americano que abrange críticas diversas, o disco recebeu 73 críticas positivas de um total de 100. Justiça seja feita à banda, que tem um nome oportuno à fase que estão vivendo.

Escute Woman, novo álbum do Justice, no Spotify:

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