Justin Timberlake - The 20/20 Experience

Justin Timberlake
The 20/20 Experience

RCA

Lançamento: 19/03/13

E se esse texto se chamasse “Minhas Aventuras em Terreno Desconhecido” e funcionasse mais ou menos como uma redação de férias nas voltas às aulas do colégio? Faria sentido, já que não sou nem de perto um especialista na obra de Justin Timberlake e, ao mesmo tempo, me arrisco a escrever sobre o novo e aclamado álbum The 20/20 Experience. Mas também seria exagero dizer que não conheço nem um pouco desse bom moço, que já foi do Clube do Mickey, do N’Sync, que acompanhei de perto lá no início da minha adolescência, que lançou um elogiado segundo disco solo e que fez uma porrada de filmes bons (e outros nem tanto) – aliás, ele estará no novo dos irmãos Coen, o que me faz admirá-lo mais ainda.

O cara tem carisma, tem talento e é bonito – faz meio que tudo tão bem, que até exercer apenas o papel de amigo de caras como Jimmy Fallon já é o máximo. Se a admiração é tamanha, por que não dar um pouco mais de atenção ao seu novo álbum, certo? Todo mundo falando sobre, bons singles de música pop bem elaborada e uma grande imagem sendo feita em cima do lançamento. O que eu não esperava era um disco pop tão rechonchudo, com experimentações e canções que passam os cinco, seis, sete, OITO minutos. Mas você já deve saber de tudo isso. E também deve saber que se trata de um grande álbum não só em sua duração.

Sem receio de ser exagerado, Justin, ao lado de Timbaland e J-Roc, revisita diferentes momentos do R&B atravessando décadas e, como se escalasse uma seleção, se envolve com soul, faz colagens rap, traz batida africana e suínga com funk, contando, basicamente, a história do pop de sessenta anos (ou mais!) pra cá. A música é negra e Justin é o branco que traz esse contraste, assim como todo o visual monocromático que acompanha o artista nessa nova fase: o que é feito para os olhos também se torna essencial para a compreensão desse trabalho como um todo. Não se trata apenas de música pela canção – é o espetáculo audiovisual, que parte do princípio “álbum”, soma-se às apresentações ao vivo na TV ou em shows (inclusive no nosso Rock in Rio, em breve) e a toda publicidade que esse ícone da nossa geração gera.

Mas quando o assunto é apenas canção por canção, a análise pode ser um tanto complexa. Como Kanye West vem desafiando uma total compreensão em seus últimos lançamentos, Justin elabora tanto que acabamos por seguir nossas sensações para poder aprovar ou não cada movimento que as longas canções sugerem. E foi Kanye West que desaprovou Jay-Z no primeiro single “Suit & Tie”, e eu até vejo um pouco de razão em sua opinião. As faixas são tão boas quanto exacerbadas – mesmo em uma das mais simplórias, essa que foi escolhida para ser o single de divulgação, a complexidade de diferentes passagens poderia afastar os ouvintes menos dispostos se não fosse a figura JT à frente delas. A única faixa realmente “simples” do álbum é a adorável “That Girl” – um soul meloso e econômico (não na qualidade) de arranjo incrível. Os arranjos, aliás, quando colagens eletrônicas ou quando banda em estúdio, são ponto alto no disco.

Tentando ser mais breve que as próprias canções do disco, é justo destacar outros pontos altos, como “Pusher Love Girl”, que abre The 20/20 Experience com muita classe, até cair em seu exagero (sintetizando o álbum assim também); “Strawberry Bubblegum”, suave e eletrônica, que desemboca numa espécie de jazz; a dançante “Let the Groove Get In”, que mantém o clima lá em cima; e as duas faixas que fecham o disco: os oito minutos de “Mirrors” que parecem, mesmo assim, prontos para as rádios, e a experiência melancólica chamada “Blue Ocean Floor”.

Se esse texto fica assim, como uma redação que conta uma história de aventura meio despreparada e ainda com tudo meio torto, não é assim que o disco soa. Você deveria se arriscar nesse terreno também, caso não tenha feito ainda – e esse é o objetivo dessa “redação”. E o objetivo de Justin talvez não fosse exagerar, mas foi o que fez – exagerou nos acertos, maquiou os erros e assim é o pop, o que faz de Justin uma de suas maiores figuras em nosso tempo.

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  • Luana

    Ficou demais este álbum! Parabéns ao Justin,
    ótimo álbum!
    Têm um video, na verdade um Teaser no
    Youtube sobre o cd que é bem legal! o link é
    esse: http://www.youtube.com/watch?v=HwVzNGD1b08

  • Talía do Bairro

    me gusta!