Kaiser Chiefs - Education, Education, Education & War

Kaiser Chiefs
Education, Education, Education & War

Fiction Records

Lançamento: 31/03/14

Não há muita saída ao Kaiser Chiefs. Lançou um fraco e decepcionante disco (ou seriam dois?) após seu terceiro LP, e assim ficou com a difícil missão de soltar algo relevante novamente, como prova de que ainda mereça nossa atenção. Analisando sua carreira, além das ótimas apresentações ao vivo – ótimas mesmo – a banda estreou com um álbum fantástico e altamente divertido, tentou a sorte num segundo disco bem bacana, mas menos marcante, e lançou um terceiro regular e com o grande pecado de ser esquecível. Após isso, se atrapalhou toda com uma grande quantidade de inexpressivas faixas que formaram o registro The Future Is Medieval e, consequentemente/estranhamente, veio Start the Revolution Without M – quase ou nada se salva neste(s).

Como ouvir Education, Education, Education & War, novo álbum dos ingleses, com alguma empolgação? Tente pelo seguinte motivo: a banda economiza com um trabalho em 10 faixas e aposta em saídas mais pop, com menos agitação e menos “punk”. Apesar de estar longe de ser um dos momentos interessantes do grupo e, vez ou outra, se distanciar de sua vertente mais aprazível, pode nos pegar em alguns momentos de bons refrões. A proposta que mais agrada não se parece muito com a daquela banda que conhecemos há quase dez anos, mas ao menos se faz, ainda que não um registro necessário, um trabalho válido e natural na reconstrução da carreira que atuou com personalidade na cena do rock inglês da última década.

Uma banda precisa estar em atividade para existir, e produzir é uma parcela importante disso. Education, Education, Education & War é, pelo menos, a saída mais honesta num caminho menos arriscado para eles. Um disco regular com pinta de vitorioso, perto do que poderia vir após o desastroso último trabalho.

Sob uma temática já tantas vezes explorada na música inglesa, o cenário de batalha e guerra é a atmosfera da obra. Por vezes algo mais apocalíptico e crítico, por outras, mais glorioso e amável, mesmo que não tratando do assunto explicitamente em diversas faixas, é o que guia a composição das mesmas. Assim, “The Factory Gates” abre o trabalho soando como os chiefs sempre soaram quando soavam bem. Assim funciona também com “One More Last Song” – que deve aquecer bem o público ao vivo. Porém, não acontece o mesmo com com “Ruffians On Parade” e “Misery Company”, que buscam uma pegada mais sombria, dançante e que não agradam.

 “Coming Home”, escolhida como primeiro single do lançamento, aposta bem com um objetivo mais pop – tem um refrão pegajoso e um arranjo pronto para rádios, mas talvez não possua potencial suficiente para alcançar grandes feitos. Outra faixa que assume a mesma missão é “Bows & Arrows” – no entanto, essa já tem mais cara do Kaiser Chiefs como gostamos. A canção traz sensação de que deveria ser essa uma boa evolução para a banda e o lugar ideal para se posicionar em sua nova fase: deitado sobre uma cama de sintetizadores, o refrão é emocionante e bom para berrar nas apresentações ao vivo. Outros bons refrões (veja bem, uma opção interessante explorada no álbum) estão em “Meanwhile, Up In Heaven”, “Cannons” e na bela faixa que encerra o registro, “Roses”.

Amadurecer sem inovar pareceu ser a saída para o Kaiser Chiefs se estabilizar. Lançar um trabalho hoje que é tão interessante quanto um de 2008 faz a banda dar passos para trás e voltar a uma posição de segurança e ganhar nova chance com os mais pacientes. O disco foi feito para funcionar assim. A efetividade dele vai depender, e muito, da sua disposição – e não deveria.

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