Keane – Credicard Hall (SP – 03/04/2013)


(Foto por Felipe Ricelle)

A relatividade do esquisito estava em questão na noite de ontem: eu era o esquisito ou era a boa parte do público? Antes de o show começar, não havia clima pré-show – mais parecia que estava em um evento social que não costumo frequentar, cercado de Lacostes, Hollisters, casais que tiravam fotos com seus iPhones, filas pra comprar pipoca, filas no banheiro MASCULINO… Tudo bem diferente do que costumo ver em pré-shows dos diversos ao quais vou. Mas o motivo era claro: no palco, em breve estaria o Keane, banda pop inglesa que frequentou o alternativo lá no início da carreira e logo atingiu as multidões. Era um show pop, pra um público bem misto, que estava pra começar.

O que se viu no palco foi mesmo uma banda pop em ação. E ainda que não tenha a grandeza de um Coldplay e nem a necessidade de um palco/espaço maior, a banda não deve nada no quesito. Com suas canções lapidadas para o mais limpo possível, o vocal indefectível de Tom Chaplin fica sempre em evidência, sendo a coisa mais justa a ser feita, já que ele é a grande figura da banda – é o que dá força às canções com seu arranjo limitado, é o que dá figura e talvez seja uma das maiores vozes da música atual. E, apesar do arranjo limitado, as músicas cumprem sua missão e são executadas com a perfeição do disco, sem novidades e tudo bem equalizado – nada que pudesse incomodar aqueles presentes que não esperam nada mais que aquilo que ouvem nos discos em casa. Afinal, era essa a maioria do público presente. Mas não era o único perfil que se encontrava por lá.


(Foto por Alexandre Canuto)

À frente do palco, estava algo que se parecia com o fã-clube da banda e preparava seus próprios espetáculos em músicas especiais, balançando balões ou lenços e sempre cantando verso a verso – não fizeram o que normalmente a pista VIP faz, que é esfriar o show. E, sob esse panorama, era possível enxergar como cada canção atingia cada presente ali de forma diferente, dependendo da fase da banda e a época em que a pessoa conheceu e se apaixonou pelo trio que hoje é quarteto. No meu caso, foram as canções dos dois ótimos primeiros discos que me balançaram. Destaque para “Bend and Break”, já a segunda canção da noite, “She Has No Time”, a incrível “Hamburg Song”, “This Is the Last Time” e a brega-perfeita “Bedshaped”. Havia uma variedade com os dois pés fincados nos dois principais lançamentos do disco, mas a banda também tocou muito de suas novas canções e os destaques de seu terceiro álbum, Perfect Symmetry.


(Foto por Dallison Lourenço)

O Keane nem precisaria voltar para o bis, após tantos sucessos tocados, mas assim o fez (como padrão) e demonstrou tamanho apreço por estar no Brasil, exatamente por ser tão bem recebido como naquela noite, com todas as reações diferentes, com todo aquele público animado e totalmente entregue, ou mesmo aquele que não deve frequentar show, mas fez questão de estar ali pra ver uma de suas bandas favoritas, talvez. Tudo estava em seu devido lugar, pro bem e pro mal, inclusive no modo tão certinho da banda de fazer/executar suas músicas. Mas não tinha como ser diferente e tão certeiro para quem estava ali.

  • Descrição mais que perfeita. Sai do Credicard Hall ontem me sentindo exatamente assim.

  • Ironic Sardonic

    politicamente correto, pois!

  • Julia

    uma pena o keane, ter tocado aqui poucos dias depois do lolla…