Kings of Convenience – Declaration of Dependence

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Falar sobre amor e desilusões sobre a vida em geral, enquanto notas tristes são dedilhadas no violão é, geralmente, motivo para encher os olhos de lágrima. Dentro do chamado “indiefolk”, estamos cheios de artistas que provocam essa reação em seus ouvintes – Bright Eyes, Elliot Smith, Iron and Wine, Bon Iver e até algumas canções do Death Cab for Cutie podem servir como exemplo. O que difere o duo Kings of Convenience de todos os citados e faz dele motivo de adoração quase unânime para os amantes (ou não) de belas canções acústicas é justamente fazer – na maioria das vezes – com que tenhamos a reação oposta a olhos marejados.

Diferentemente dos “sad boys with guitars”, a dupla norueguesa encanta pela capacidade quase única de criar arranjos que misturam folk com influências de bossa nova enquanto canta sobre temas universais como a pessoa amada e a liberdade. Só que, ao invés de deixar seus fãs (ou ouvintes de primeira viagem, até) em um clima deprê, o Kings of Convenience proporciona uma paz de espírito e um sorriso no rosto ao fim de cada canção. A banda consegue transmitir tal sensação desde seu debut – Quiet is the new loud, de 2001. Declaration of dependence, de 2009, não difere da sonoridade característica que Erlend Oye e Eirik Glambek criaram e que arrastou fãs para vê-los tocar até nas areias de Ipanema.

A sobreposição e alternância simples e eficiente de vozes nas músicas também continua presente no trabalho mais novo do Kings. Aliás, essa é com certeza uma das marcas da banda – desde seus primeiros singles (“Failure” e “Toxic Girl”) até as primeiras músicas de trabalho de Declaration (“Mrs. Cold” e “Boat Behind“). Tal característica abre espaço para citar talvez a mais importante “receita de sucesso” da dupla: o entrosamento impecável entre os dois membros da banda. Erlend e Eirik se completam como poucas duplas no cenário musical atual. Em qualquer música do duo é possível perceber que cada um tem seu momento de destaque, seja dedilhando um solo de violão, seja ao piano, seja fazendo vocais mais agudas ou mais graves.

Declaration of Dependence não soa como nenhuma novidade para quem já conhece os dois discos lançados pela banda. Mas, apesar de não ter nenhum hit instantâneo como “I’d rather dance with you“, um disco com músicas belíssimas como “Renegade”, “Peacetime resistance”, “Me in you” e “Rule my world” era tudo que os fãs sedentos por novidades – que não vinham desde 2004 – queriam. Para os chatos de plantão que queriam alguma “evolução musical” no novo trabalho, esqueçam! Os reis da conveniência (irônico, não?) preferiram apostar no “mais do mesmo”. E querem saber? Existe aposta melhor para uma banda do que tentar levar sensação de tranquilidade, paz e sorrisos para rostos alheios?

  • Ótima review Neto. Esse disco entrou pro meu top 10 2009.

  • O Cd é mt zen msm! Adorei!

  • Nossa, ótima review, ótimo site!
    Estou apaixonada por esse CD, vc descreveu exatamente como me sinto quando ouço a banda!
    Freedom And Its Owner já é minha favorita!
    Abraços, Roberta

  • Pingback: Move That Jukebox! » Kings of Convenience fala sobre o novo disco (e toca também)()

  • Jéssica Sobral

    Cara, tenho 19 anos, e desde os 12 anos eu ouço Kings of convenience, e não consigo enjuar deles, parece que eles traduzem minha alma. Eu não posso morrer sem conhecer os caras que fazem parte de minha vida.
    Eles são muito bons!

  • Breno Oliveira

    Muito bom o review! Nunca pesquisei textos críticos a respeito do Kings na internet, só agora no finalzinho de 2011 que me bateu essa curiosidade (acho que desde 2009 to ouvindo de mais esse CD que num tive tempo ainda haha)Com certeza o kings é bem unico mesmo, tanto que é unica banda nesse gênero que eu curto. Mais sem duvida uma das músicas que mais me chama atenção nesse disco é a “Freedom And Its Owner”. Não sei se vocês também perceberam isso mais esse disco tem uma sonoridade muito praiana o que dá a ele esse tom de alto astral 😉