Kings of Leon - WALLS

Kings of Leon
WALLS

RCA

Lançamento: 14/10/2016

Houve um tempo, lá nos primórdios dos anos noughties, em que os Followil do Kings of Leon eram chamados de “os Strokes sulistas”, com um rock de garagem meio country bem sujo e irônico. Já possuíam três álbuns quando em 2008 lançaram Only By The Night, com um rock mais moderno e hits de arena, levando a uma comparação com o U2. Então vieram Come Around Sundown (2010) e Mechanical Bull (2013), que como disse a crítica especializada, eram álbuns sem conceito e triviais. O reflexo disso foram as quedas nas vendas, além de agravantes nos desentendimentos entre os integrantes e o ponto crítico da dependência alcoólica do vocalista Caleb.
Essas turbulências podem ter sido o motivo de WALLS ser um álbum mais confessional e profundo liricamente. A banda retornou unida e sólida, e o processo de criação do conceito do disco foi tão satisfatório e natural que ele soa como um revigorante sopro de vida aos Followill. Musicalmente, é claro que há inovação: é um trabalho mais polido e menos caipira, bruto. Entretanto, esse disco parece ter sido mais uma necessidade emocional dos três irmãos (Caleb, Nathan e Jared) e o primo (Matthew) do que de qualquer mudança musical.
O álbum começa com “Waste A Moment”, faixa de refrão arrebatador que não se distancia muito de “Sex On Fire”, o que evidencia que o KOL realmente encontrou seu lugar no rock de arena. A faixa seguinte, “Reverend”, é incendiária quase da mesma maneira, porém mais lenta e profunda. Possui característica radiofônica como a primeira canção, e por isso sua posição no tracklist é um erro. Não há outro hit deste tamanho ao longo das faixas, e isso causa certo vazio.

“Around The World”, outro single, é divertida e sua batida pré-refrão remete vagamente a “Girls Just Wanna Have Fun”, de Cyndi Lauper. A sensível “Over” fala sobre o episódio de dependência alcoólica de Caleb. O álbum encerra com a simples e bela faixa título, uma balada com batidas que se assemelham à batidas de coração, reforçando a ideia emocional.
Comparando com outros trabalhos, WALLS tem um aproveitamento maior. Talvez seja por possuir a menor tracklist de todos os álbuns, ou talvez por que aqui as canções não seguem um padrão tão parecido. Isso evita com que ótimas músicas se tornem cansativas por terem sua fórmula repetida tantas vezes. O disco flui como um trabalho do KOL não fluía há algum tempo.
Mesmo sendo um registro ótimo, não é um álbum realmente revolucionário no rock moderno. Todavia, dentro do nicho da banda, WALLS é ao mesmo tempo uma renovação e acerto de contas com a própria paz de espírito da banda e sua identidade.

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