Lady Gaga - Joanne

Lady Gaga
Joanne

Interscope Records

Lançamento: 21/10/2016

Com onze músicas e 38 minutos, Joanne é o álbum mais curto e direto de Lady Gaga. O único que chega perto é The Fame Monster, mas ele, tanto pelo formato quanto pelo fato de ter sido lançado como uma espécie de continuação de seu debut, está mais para um EP que para um álbum de fato. E esse estilo curto e direto se reflete também nos arranjos de Joanne: cada faixa parece ter sido composta com o mínimo possível de sons e instrumentos, o que contrasta fortemente com a avalanche de sintetizadores que marcou Artpop. Isso tudo, porém, tem o efeito de permitir que Gaga foque em suas composições, que estão em excelente forma aqui.

Embora a cantora tenha vendido esse disco como o seu álbum “roqueiro”, o estilo aparece mais como um tempero ao seu som do que como um compromisso estético total. Isso se reflete no uso mais frequente de instrumentos acústicos e baterias com um som menos eletrônico, por exemplo. O primeiro single, “Perfect Illusion“, ilustra perfeitamente todas essas tendências:uma música curta, direta, que é pouco mais que um refrão divertido, grudento e repetitivo. Ele é um bom retrato do disco, mas não é o melhor que ele tem a oferecer. A primeira faixa, “Diamond Heart”, incorpora bem melhor esse espírito de “rock”, com um arranjo que cresce lentamente até refrão potente, quase saído dos anos 80, e a voz de Gaga no centro de tudo.

Outras faixas do álbum misturam a força e ímpeto dessas canções a um estilo pop mais familiar à cantora. É o caso, por exemplo, de “Dancing in Circles”, “John Wayne” e “A-YO”. Embora elas ainda tenham a mesma produção simples e arranjos esparsos que marcam o restante do disco – possivelmente cortesia de Mark Ronson, um dos produtores – são tão dançantes e divertidas quanto outros dos melhores momentos desse tipo da carreira da cantora, e sem o ar sério e dramático que marcava hits como “Bad Romance”, “Born This Way” e “Venus”.

Por outro lado, esse disco também evidencia de maneira mais crua os momentos mais intimistas da cantora. Isso aparece nas baladas com grossas pinceladas country como “Million Reasons” e a faixa-título. Com pouco além de violões e a voz de Gaga, que também é muito bem usada para ressaltar algumas frases com belos backing vocals, elas são imediatamente memoráveis. Além disso, conseguem impactar o ouvinte emocionalmente, dando ao álbum um peso que a leveza de outras faixas, e são responsáveis por trazer alguma variedade de andamento e clima ao álbum. “Angel Down”, a última canção, também se encaixa nessa mesma veia estilística, mas se vale de um formato mais batido para a cantora, centrando em um piano e uma voz cantando sobre um tema da atualidade; ela é tão impactante quanto as outras, mas surpreende menos.

São esses os dois principais eixos emotivos em que se encaixam as composições do trabalho. No entanto, ele também tem faixas que não caem claramente em nenhuma dessas duas pontas. É o caso de “Hey Girl”, um excelente dueto com Florence Welsh (do Florence and the Machine), que une mais um vozeirão a já arrasadora voz de Gaga nesse álbum, e com um ritmo que se diferencia de todo o resto do álbum. “Come to Mama” e “Sinner’s Prayer” também bebem das fontes do country e do rock oitentista, mas com resultados um pouco menos felizes que as demais faixas do álbum que abordam esses estilos.

Tudo isso, contudo, acontece em breves 38 minutos – o que não deixa de ser notável. Afinal, há uma considerável variedade musical nesse curto espaço de tempo, e o efeito disso – combinado aos arranjos enxutos – é que cada nota do disco se torna mais marcante e importante. O lado negativo disso, porém, é que o disco corre o risco de se desgastar rapidamente, além de deixar um gostinho de “quero mais”. Isso, no entanto, só porque Joanne é um disco muito bom. Cada faixa explora um lado sutilmente diferente da persona de Lady Gaga, na maioria das vezes com ótimos resultados. Tanto como mero divertimento pop quanto como passo seguinte na carreira da cantora, Joanne é um sucesso inegável!

Confira a participação da cantora do Carpool Karaoke, quadro do programa de James Cordeen e conheça um pouco mais sobre ela.

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