Ladyhawke e I’m From Barcelona no Cine Metrópole (28/09/2012 – Mr Jack’s Birthday)

A festa já tinha começado e você passeava ali no belo espaço do Cine Metrópole sem saber certamente quem era convidado e quem era que tinha comprado ingressos. Na verdade, isso pouco importava – provavelmente, muita gente só estava ali pelas bebidas. Nada disso atrapalhou os shows pra quem queria aproveitá-los.

Após o DJ set, Ladyhawke subia ao palco com uma versão mais roqueira daquilo que costuma apresentar em seus discos. Sendo bem maldoso, poderíamos chamar essa versão de “LadyRONC”, mas seria demais. O show funcionou bem para a pequena parte dos fãs que agitavam ali por perto e a verdade é que a decepção ficou por parte da execução quase automática da banda – talvez, a famosa pose blasé indie não funcionou. No momento dos hits, era possível pegar uma parcela maior do público sendo contagiada, nos outros momentos era perceptível que ou a maioria tinha caído de pára-quedas ali ou estava esperando para ver os suecos que entrariam no palco logo em seguida. Parece que era a segunda opção.

O I’m From Barcelona não estava com sua formação babaca original de 29 membros. E precisava? Com 14 ou 15 integrantes (juro que tava difícil de contar), a banda completava seu time com toda a platéia (e só assim conseguia bater esse quase recorde de número de integrantes). A banda interagia o tempo todo, e não só quando embalava todo um coro com seus hits (vindos principalmente do primeiro e terceiro álbum) – os integrantes desciam do palco, pulavam no público, entoavam gritos de guerra… o que fosse necessário pra tornar aquela uma experiência diferenciada. Enfim, conseguiram.

Não havia uma música que não carregasse o coro da plateia, e isso eu nunca tinha visto em show algum. As várias vozes vindas do palco e os metais deixavam tudo aquilo ali ainda mais bonito. E, apesar da atmosfera quase hippie das letras, nada parecia brega ou exagerado demais. Como conseguir isso quando até coreografia você coloca em um dos seus principais sucessos? Talvez isso seja possível apenas tendo os integrantes mais simpáticos do mundo na sua banda. A sensação que ficou após o show era exatamente essa. Quando gritavam que eram nossos amigos, aquilo parecia sincero – amigos que não importavam de participar da bagunça, nem de estragar um momento em que o dono da festa deveria receber um “Parabéns pra Você”, nem de serem exagerados, nem de estender o show ao máximo pois aproveitavam aquilo tanto quanto você.

O I’m From Barcelona soube fazer um dos shows mais bacanas que já pintaram por aqui e dividiram esse crédito com quem estava lá. Realmente, aquilo ali era uma festa.

  • Laura Catta Preta

    De onde eu tava o I’m from Barcelona parecia o Arcade Fira sem alma.