Little Joy no Circo Voador
Sexta-feira, 6 de fevereiro. A apresentação do pseudo-americano Little Joy estava marcado para essa data – depois de ser adiado e, mais tarde, desconfirmado como último show da turnê brasileira da banda -, mas só foi começar mesmo depois dos primeiros minutos do dia 7. Cerca de uma hora antes de Amarante, Shapiro, Moretti e seus músicos de apoio (Noah Georgeson, Todd Dahlhoff e Matt Romano) darem as caras no deliciosamente intimista palco do Circo Voador, na Lapa, o Cidadão Instigado, grupo escalado para a “esquenta” do público, dividiu a opinião dos que compareceram ao evento.
A casa estava cheia: Os mais de dois mil tickets que começaram a ser vendidos no mês anterior não foram suficientes para abrigar todos os fãs cariocas, fluminenses e agregados, fazendo com que dezenas de pessoas tivessem que se conformar com o lado de fora do Circo. Mesmo assim, a maior parte dos attendees preferiu ocupar as mesas espalhadas pelo lado externo da pista.
A explicação é simples: Nem todos se sentiram confortáveis com o carregado sotaque nordestino de Fernando Catatau, que é acompanhado por uma crueza instrumental somada à um oceano de influências que, ora nos remete ao mais modernizado som do Cordel do Fogo Encantado, ora a artistas soturnos que marcaram a música brasileira por décadas, como Zé Ramalho e Alceu Valença. Alguns, mesmo não sendo adeptos à forma de fazer música do Cidadão, preferiram ouvir atentamente as palavras pronunciadas por Catatau – as “vacas no leito de morte” e o “pinto de peitos e bico preto” divertiam, quando absorvidas fora de seu real contexto. Eu, por um outro lado – e acompanhado por centenas de pessoas -, optei por saborear o experimentalismo cearense bem de perto e tirar o máximo de proveito dessa ligação sudeste-nordeste, inédita para mim até então.

Os músicos da banda de abertura ainda estavam dando um “adeus” aos cariocas quando um número avassalador de pessoas começou a aparecer na pista, de frente para o palco, enquanto o público do mezanino parecia dobrar – ou até triplicar – em sua massa. O intervalo entre as duas apresentações pareceu extremamente longo. Analisando as pessoas que me cercavam, como de praxe, notei um grande grupo vestindo camisetas com a arte do CD, que estavam sendo vendidas por apenas 20 reais em algum canto do Circo Voador – mas, quando descobri isso, já era tarde demais para garantir a minha.
Os gritos e palmas pedindo por “Little Joy! Little Joy! Little Joy!” logo começaram. Todos se mostravam revoltados pelo entra-e-sai de técnicos e alarmes falsos, até que uma voz avisou que o DVD da banda seria gravado ali, na hora, com a carinha de todos que quisessem aparecer. “Quem não quiser autorizar sua imagem pra gravação, dá uma chegada pra trás”. E ninguém pareceu mover um dedo.
O trio subiu no palco, sendo ovacionado incessavelmente por cerca de cinco minutos e distribuindo sorrisos bem largos a todos que quisessem recebe-los. Rodrigo e Fabrizio, ambos acostumados com apresentações maiores ao lado dos Hermanos e Strokes, transpiravam auto-confiança, enquanto a menina Binki deixava transparecer um pouco de insegurança já que, mesmo depois de duas turnês desesperadas pela América do Norte, pela Europa e de recentes shows no Brasil, esta estava sendo a maior quantidade de olhinhos brilhantes encarando-a nos últimos tempos.
A abertura foi feita com ‘Play The Part’, recebida com maior euforia por ser a primeira da apresentação. O apoio triplo de Noah, Todd e Matt só foi aparecer na canção seguinte, em ‘The Next Time Around’, que abre o debut do LJ, cantada por pessoas de todas as idades com todo o ar de seus pulmões. Em sequência vieram ‘How To Hang a Warhol’ e ‘No One’s Better Sake’, single que vai ao ar inúmeras vezes por dia na MTV nacional e que foi acolhido de braços abertos pelas duas mil e tantas pessoas que não viram palhaçada alguma no tal Circo.
Além de ser um poço de boas músicas, o show foi regado de elogios entre os integrantes do grupo e mensagens para o público (“É tão bom estar em casa de novo!”). A química que se vê entre os dois vocalistas é maior do que a exibida entre Fab e Shapiro que, além de dividir palcos, dividem camas – e fica tudo bem explícito enquanto o show vai se desenvolvendo. Também entraram pro registro em vídeo, não necessariamente nessa ordem, ‘Shoulder to Shoulder’, ‘With Strangers’ e ‘Unattainable’, assim como as demais faixas do CD original. Essa última, interpretada exclusivamente com o timbre imprescindível da única mulher no palco, foi finalizada com gritos em homenagem à moça – e correspondidos com risinhos de canto de boca.

Antes da primeira parte do show terminar (sinal de que o fim absoluto estava próximo), o público ainda teve direito a ouvir três coisas maravilhosas: 1) Uma música “nova” belíssima, excluída do homônimo do LJ; 2) Um cover de ‘This Time Tomorrow’, do Kinks, que pegou a voz de Fab emprestada para tornar-se completa; 3) Uma interpretação de ‘Walkin’ Back To Happiness’, originalmente de Helen Shapiro, que soou belíssima na voz de Binki – notando que Helen não tem grau de parentesco algum com a cara-metade de Moretti.
Depois de uma pequena pausa, precedida pela robusta ‘Don’t Watch Me Dancing’, Amarente voltou ao palco – e, dessa vez, acompanhado apenas por seu violão. Com todos os holofotes voltados para si, o ex e futuro hermano fez arrepiar tocando ‘Evaporar’, esbanjadora de versos extremamente poéticos e em português.
Por fim, ‘Brand New Start’. Uma das primeiras músicas ouvidas pelos ansiosos no MySpace do Little Joy, ‘BNS’ ainda foi emendada à ‘Último Romance’, um dos maiores hinos do Los Hermanos – que foi puxada, de próposito, pelo amável baterista dos Strokes.
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Por Alex Correa












Comentários
Gostei muito do little Joy , mas , já chega : quero a volta do Amarante com o Los Hermanos .
HAHAHAH O Fab gostou de puxar Último Romance
merda, agora que eu tenho dinheiro os shows já passaram.. ¬¬
arrepiou ver a galera toda cantando ultimo romance..
imagina como deve ter sido ao vivo.. foda..
Momento histórico ver a galera cantando LH, Vi o show aki em curitiba, mais fiquei arrepiado de ver o show ai no Rio.
Abraço galera.
Thiago.
amarante > camelo
little joy é lindo
O Circo Voador é mítico! Nessas horas eu queria morar no Rio.
Já eu gostei tanto de Little Joy que – às vezes -até renego Los Hermanos.
(mas bem que senti uma pontinha de inveja dos cariocas que foram presenteados com Último Romance – aqui no Sul o povo pediu, insistiu e nada.)
vixe… acebei de ver o vídeo: foi o povo que cantou!
muito emocionante.