Local Natives - Hummingbird

Local Natives
Hummingbird

Infectious Music

Lançamento: 29/01/13

O Local Natives está denso. A percussão criativa parece ser o único reflexo da banda que lançou Gorilla Manor em 2010, já que a formação da banda não é a mesma, nem sua residência, nem produção e nem proposta. Um “raio de sol” que era coisa tão comum nas mãos do quarteto – antes quinteto – de Silver Lake/LA – que agora escolheu o Brooklyn/NY – só vai aparecer, e ainda de forma bem modesta, lá pela quinta faixa, “Breakers”. A produção, que antes era da própria banda e que agora parou nas mãos do mais que compentente Aaron Dessner, do The National, pesou Hummingbird e talvez não tenha sido a melhor saída para a banda.

Não se trata de decepção, e sim de pequenas expectativas quebradas. Gorilla Manor, apesar de ser um bom álbum, não é algo excepcional. Para uma estreia, sempre pareceu o suficiente: é bem planejado e quase matemático – só que, junto a isso, é sensível. Hummingbird soa como uma tentativa exacerbada de crescimento e, mesmo que seja a maior das sinceridades para o compositor, não é assim que soa. Há quem possa escutar ecos de The National, mas falta um pouco mais de profundidade e maturidade; há quem encontrará influência de Grizzly Bear, mas falta orginalidade; e também quem veja um “Q” de Arcade Fire, e aí é forçar demais. Porque o que faltou ao Local Natives, e tem de sobra nos outros casos citados, é coerência.

E já que se trata apenas de pequenas frustrações, seria demais dizer que temos em mãos um álbum ruim. Hummingbird não é ruim. “You & I”, faixa de abertura, traz um Local Natives que ouviu muito Fleet Foxes durante as férias. “Heavy Feet” já é mais raza, assim como “Ceilings” e “Black Spot” – nenhuma delas realmente levanta o disco. Só quando o single “Breakers” se apresenta é que temos um pouco do Local Natives pelo qual esperávamos. “Three Months” lembra Sigur Rós em seu refrão e é bonita – também um bonito caminho para a bem arranjada “Black Balloons”, essa que tem a infelicidade de um riff logo no início com o timbre e uma similaridade breve com “Perth”, do Bon Iver. “Wooly Mammoth” destoa um pouco, e não de forma positiva. “Mt. Washington” deixa meio claro como algumas das decisões do produtor “National” pesou mesmo – a similaridade com a sonoridade da banda dele é impressionante, faltando a presença de Matt Berninger para dar consistência. “Colombia” já faz o tipo de faixa essencial para um disco: é cheia de detalhes e texturas, com uma sensibilidade apuradíssima – não nos faz lembrar do antigo Local Natives, mas nos faz crer que algo bom está por vir nos próximos anos. A melhor faixa do álbum, sem dúvida. E seria ela, inclusive, melhor para fechar o disco do que “Bowery”. Seria para deixar boa impressão, mas “Bowery” passa uma estranha sensação de que a banda não está nem muito Brooklyn, nem muito Silver Lake – está mais inglesa do que deveria, e talvez seja devido ao sucesso que fez no Reino Unido com seu primeiro lançamento, ou apenas uma série de deslizes insossos que tiraram o colorido dos rapazes.

Se a estreia apresentava um cálculo tão bem elaborado, a continuação do trabalho mostra mais uma série de incertezas. Não é possível saber se o desequilíbrio ocorreu na produção, ou se foi com a saída do baixista da formação de sucesso da banda, ou se foi a perda de sua mãe que abalou Kelcey Ayer, ou se foi mesmo a responsabilidade de um segundo disco. O fato é que as decisões pesaram. E esse peso todo foi muito para um beija-flor se erguer. Caberia melhor a um gorila.

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