London Grammar - If You Wait

London Grammar
If You Wait

Metal & Dust

Lançamento: 09/09/13

London Grammar é o trio londrino formado por Dot Major, Dan Rothman e Hannah Reid. Em seu disco de estreia, If You Wait, eles mostram, ao longo de onze faixas e 43 minutos, um pop soturno e melancólico, mais adequado às noites chuvosas em casa do que às noites de balada. O elemento central do som do trio é a voz potente de Reid. É evidente que o trio optou por destacar os vocais dela – e plenamente compreensível, já que eles são realmente muito bonitos -, mas esse destaque às vezes acaba sendo excessivo e contraproducente para o álbum.

Os arranjos das canções vão desde acompanhamentos tranquilos e simples, que evocam um clima noturno e introspectivo, semelhante aos dos discos do The xx, até grandiosas camadas sonoras que lembram uma versão mais orgânica e tímida do Austra. Em todos os casos, a linha percussiva é bastante interessante. As batidas de Major, que na maioria das canções parecem sampleadas, são sempre escolhidas ou programadas com cuidado. Isso faz com que elas soem “tocadas” (mesmo quando não são) e dão uma impressão de naturalidade que seria perdida caso ele não tivesse prestado essa atenção.

Mesmo o mais denso dos arranjos, porém, não passa de moldura para a voz de Reid. Grave e belamente articulada, ela sempre ocupa o centro da mixagem. Suas letras falam sobre problemas emocionais, de relacionamentos e, embora não sejam particularmente ruins, também não são muito interessantes – o que é uma pena, pois elas não aproveitam o espaço que a mixagem e a voz de Reid oferecem.

Quando os vocais dela se encaixam bem nos arranjos, a banda produz suas melhores canções: “Stay Awake”, além de uma batida legal, tem um refrão memorável, com acordes incomuns de piano no meio, e um volume sutilmente reduzido que cria uma deliciosa sensação de intimidade, quase como se a banda estivesse tocando em casa, em frente à lareira, numa noite chuvosa. Também mais suave é o volume de “Metal & Dust”, que tem um refrão igualmente legal, e da ótima “Interlude”, que parece ter sido gravada ao vivo, com maravilhosos resultados: o entrosamento que a banda demonstra na faixa é impressionante, bem como a levada meio jazz, meio pop da bateria e a forma como eles mudam de dinâmica para criar tensão em seu final. Seria muito legal ver a banda investir mais nessa sonoridade. Mas o trio consegue criar belos momentos mesmo quando os arranjos são mais volumosos . A melodia de piano de “Sights” soa bem, e seu final majestoso é lindo. A seguinte, “Strong”, e “Nightcall”, que vem depois dela, seguem esse mesmo padrão: sons e batidas que vão crescendo lentamente até chegar a um final poderoso.

No entanto, frequentemente a voz enorme de Reid fica em descompasso com os instrumentos que a cercam. Em canções como a “Hey Now”, que abre o disco, a guitarra e os teclados criam uma sensação de proximidade que os vocais acabam solapando com seu volume. “Wasting My Young Years” também sofre desse problema: por mais que a faixa cresça (e ela cresce bastante, sugerindo até mesmo uma batida dançante lá pela metade), ela nunca chega à mesma altura que os vocais gigantescos. Isso acaba tirando a atenção do ouvinte das percussões e das linhas interessantes da guitarra de Rothman que orbitam os fundos das faixas, sem necessariamente levar essa atenção para algo que importe: as letras, como mencionado, são meramente decentes, e são poucas as melodias vocais realmente notáveis. “If You Wait”, que fecha o disco, é praticamente um solo de Reid com um pouco de piano no fundo, e ela acaba passando em branco, pois não se destaca nem pela letra, nem pela melodia, nem pelo arranjo.

Assim, embora o som do grupo tenha muitos elementos legais, o London Grammar nem sempre consegue harmonizar esses elementos de forma adequada às canções. If You Wait, portanto, é um álbum que mostra uma banda com grande potencial, mas com dificuldade em fazer esse potencial vingar. Há muitos momentos bem interessantes nessa estreia, como a batida meio dub que surge na segunda metade de “Flickers”. O grupo claramente tem capacidade de desenvolver seu som para várias direções diferentes, sendo bem possível que o álbum seguinte dos ingleses seja excelente. Aqui, porém, apesar das boas ideias, o trio ainda não soa totalmente maduro.

Leia também