“Love Me Do”, single de estreia dos Beatles, completa 49 anos hoje

Escrita pelos jovens John Lennon e Paul McCartney em 1958 e lançada oficialmente em 5 de outubro de 1962, a canção que mudaria os rumos da história da música britânica na década de 1960 completa 49 anos. “Love Me Do” foi uma das tantas composições feitas pela dupla, que ainda frequentava o colégio.

A letra fala sobre Iris Caldwell, namorada de McCartney na época (o grande responsável pela criação da faixa). Lennon acrescentaria os arranjos com levada bluesy, além de tocar gaita nas gravações. Como contam os livros de história, os Beatles passaram um longo período tocando clubes de Hamburgo, Alemanha Ocidental. Foi lá que “Love Me Do” foi apresentada pela primeira vez, em meio a covers de Little Richard, Elvis Presley, Ray Charles e Chuck Berry. Como a receptividade do público para com a música foi positiva, a banda adquiriu confiança e passou a tocá-la mais vezes para, consequentemente, construir um repertório com mais canções originais.

O golpe de sorte que marcou a trajetória do grupo foi quando “Love Me Do” foi apresentada em uma audiência na Parlophone Records. Ninguém menos do que George Martin se encontrava no estúdio, aprovando de imediato a canção, já tratando de fazer pequenos ajustes (a ideia de substuir a gaita por uma das guitarras foi dele). Vale lembrar que nessa audição, em junho de 1962, Pete Best ainda era o baterista dos Beatles.

Já na volta do grupo aos estúdios da Abbey Road, em setembro do mesmo ano, Ringo Starr era o responsável pelas baquetas. Como a canção gravada para se transformar em single, o produtor George Martin resolveu adiar as sessões de gravação para uma semana mais tarde. De volta às gravações, um baterista chamado Andy White assumiu o posto, enquanto Ringo ficou encarregado das maracas.

Depois de toda essa confusão envolvendo os três bateristas, a versão em single de “Love Me Do” acabou sendo aquela com Andy White nas baquetas. Porém no álbum Please Please Me, Ringo Starr foi o responsável pelas batidas. Inicialmente, os vocais seriam feitos apenas por John Lennon mas, diz a lenda, que o músico estava tão nervoso por ter que tocar gaita e cantar ao mesmo tempo, que Paul McCartney acabou cantando junto com o parceiro.

Curiosamente, a harmonica usada por Lennon foi roubada pelo próprio durante a passagem da banda por Arnhem, cidade holandesa localizada próximo à fronteira com a Alemanha. A gravação master de “Love me Do” foi feita em um gravador de rolo monofônico. Não existe versão estéreo da faixa (eu sei, houve o tal relançamento e tal, mas isso se deve à tecnologia e à engenharia, NÃO aos registros da gravação).

Fato é que quando o single “Love Me Do/P.S. I Love You” não fez um grande sucesso quando foi lançado no Reino Unido. Foi preciso um golpe de marketing do empresário da banda, Brian Epstein, para que as coisas evoluíssem. Simplesmente 10.000 cópias do compacto foram compradas por Epstein (que era dono de uma loja de discos) para que o nome “Beatles” pudesse chamar atenção. Um ano depois, o single chegaria aos Estados Unidos, via Tollie Records, e o resto vocês já conhecem: sucesso, beatlemania e muita histeria coletiva. Mas tudo isso faz parte do nosso inconsciente. Beatles é Beatles.

  • Pedro Ivo

    Belo texto! Só por curiosidade, no documentário Anthology o Paul confessa que estava tão nervoso quanto o John na hora de gravar Love me Do. No videoclipe da música, dá pra reparar bem como estava trêmula a voz dele.

  • Adorei o texto e apesar de ser muito fã dos Beatles, parte dessa historia eu nao sabia. 🙂

  • que bom que contribui em parte para vc conhecer um pouco mais, Daniele =)

  • Gente, eu NÃO mencionei os Rolling Stones. Consegui.

  • risos

  • Pete Best – então esse é o nome do baterista mais azarado de toda a história do rock in roll!!!

  • ai, gentem, eu simplesmente AMO “P.S. I Love you”!

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