Marina and The Diamonds – The Family Jewels

Marina and The Diamonds foi uma das artistas citadas na lista da BBC de “bandas para ficarmos de olho em 2010”. Sendo assim, a cantora – que já despontava com uma música aqui e uma ali em 2009 – ganhava, antes do lançamento de seu debut, uma atmosfera de promessa.

E ficou só na promessa mesmo.

Juro que gostei da primeira vez que ouvi “Hollywood” numa versão acústica. Ela transpirava espontaneidade e vontade de mostrar algo novo. No entanto, The Family Jewels dá um bom preview do que virá ao longo de toda a sua execução logo na primeira música, “Are You Satisfied?”. A faixa funciona como um pop chiclete e barato que quer se passar por indie. Assim mesmo, sem fazer muito sentido. E é aí que descobrimos que a voz de Marina (ou melhor, o jeito que ela canta) é o principal vilão do CD.

“Shampain”, na primeira ouvida, reacendeu minhas esperanças de algo interessante. Pode ser considerada um dos destaques, assim como “Rootless”. Se o CD seguisse nessa linha, mais “natural”, acho que daria um bom álbum. O problema é que a voz de Marina parece extremamente afetada. E há certas músicas em que dá pra perceber que a moça tem uma voz bonita, de fato, mas passa do ponto ao tentar criar uma identidade mais forte e estraga praticamente todas as músicas do disco – é o caso de “Oh No!” (o título que se enquadra perfeitamente, aliás), que começa bem mas deixa tudo ir por água abaixo quando Marina exagera nos vocais. O mesmo acontece em “Numb”. POR QUE, MARINA?

“Hermit The Frog” é a pior do cd. “Mowgli’s Road” é até que divertidinha, com o vocal levemente (veja bem, LEVEMENTE) mais adequado. “I Am Not A Robot” é uma música (de pop baratíssimo) fofinha e que demonstra toda a ternura de menininha que Marina se empenha a mostrar. Nada tocante, porém. “Girls” é o contrário: é daquelas em que a cantora quer mostrar a força do sexo feminino, com sua voz forte e tal. Também não funcionou pra mim. “The Outsider” e “Obsessions” são os momentos do CD que se rendem ao pianinho para tentar mostrar algum sentimento, mas que depois se transformam em mais uma salada de harmonias que se apóiam no clichê e melodias mais-do-mesmo.

Finalmente, em “Guilty” conclui-se que o CD, além de não ser inspirado e de a voz de Marina ser o principal ponto negativo, ainda é mal produzido. Sabe aqueles momentos em que você vê que precisa de um eco a mais? Uma profundidade maior na sonoridade, pra juntar as coisas? Isso não tem. É um som superficial. Assim como tudo em The Family Jewels. Álbum que, pra mim, já põe em dúvida a confiabilidade da lista da BBC.

  • Jorge

    Por que o Movie That Jukebox, ano passado, hypava e adorava a Marina e músicas como “Obsessions”, e agora, que as mesmas músicas do ano passado aparecem em seu álbum de estreia, ela é apedrejada?
    Uma coisa é não gostar das novas músicas, mas mudar de ideia quanto as músicas antigas me faz pensar que esse blog é um tanto quanto duvidoso.

  • Jorge, vale notar que a resenha foi escrita por um outro autor. Se você acompanha o blog, também notou que, muitas, citamos o desgaste que a cantora nos causava (como aqui: http://movethatjukebox.com/clipe-marina-and-the-diamonds-hollywood/ )

  • Jorge

    A página está fora do ar, Alex.
    De qualquer forma, nada, nada justifica o tom agressivo e humilhante desse review.
    Só eu notei o tom de agressividade?

    http://www.metacritic.com/music/artists/marinaandthediamonds/familyjewels
    De acordo com o Metacritic, até agora, apenas UM blog deu uma nota mediana, 50. Okay, 60 também pode ser considerado mediano, e a NME, dar 90, não é pouca coisa. Vocês sabem quem são a NME, certo? Okay que pode ser considerada uma “MTV indie”, ou seja, pra vocês do “blog-mais-indie-do-mundo”, lixo, mas de qualquer forma, pelo que eu entendi, o Move That Jukebox daria uma nota máxima de 40 pra esse álbum (embora eu acredite que fosse ver o 0, caso tivesse nota nos reviews). O Metacritc reuniu as maiores notas dos maiores blogs mundiais e deu a média 74 pro álbum. Todas as critícas foram extremamente bem argumentadas, não houve críticas-ÚNICAS como “pop-barato” que só se vê nesse review.
    Agora fica a pergunta: vocês têm todo o direito de dar 0 para um álbum, é um blog formador de opiniões, obviamente, como qualquer meio de comunicação, mas quem são vocês para criticar algo com tanta agressividade se nem bons argumentos têm, em frente ao mundo, que (a maioria, até agora) só elogiou o álbum?

  • Caio Cezar

    Jorge, quem não tem argumentos por aqui é você. Como poderia, não? Ninguém é capaz de argumentar se inicia o discurso partindo para a agressividade e prepotência.
    Desde quando senso comum, ou seja, a opinião da maioria, como você mesmo disse, corrobora uma posição crítica frente a determinado objeto de discussão? Não quero dizer que concordo o blog ou não, e se não o faço é porque ainda não tive a oportunidade de escutar o álbum, mas esclarecer que a maioria não deve balizar opiniões, senão o que conquistamos até agora, a nossa liberdade de expressão, iria por água abaixo.

  • Jorge, o link correto era esse: http://movethatjukebox.com/clipe-marina-and-the-diamonds-hollywood/

    Não nos baseamos em outros veículos para fazermos resenhas. Se críticos com tanto renome, como os da NME, deram uma nota tão boa para o disco, ele realmente deve ter algo de bom – mas esse “algo de bom” simplesmente não desceu para nós ou não correspondeu às nossas expectativas. É o caso de trabalhos de bandas e artistas como Fall Out Boy ou até Lil Wayne – que, no Metacritic (citado por você), estão com as notas 75 e 84, respectivamente. Ou seja: Críticos de outras origens, meios e veículos podem ter se interessado pelos discos em questão, mas nenhum destes se encaixa com o perfil do Move. Nesse meio, tudo não passa de opinião pessoal. Em outras palavras, o que quero dizer é que o mundo é cheio de contradições e opiniões divergentes, e que cada um precisa aprender a conviver com isso.

  • Eu particularmente tive uma ótima primeira impressão de Marina and The Diamonds.
    Ao ler essa crítica, passei a ver com outros olhos a moça – mas que continuo achando muito boa. Parabéns pela resenha e pela diversidade de ideias do blog!

  • João Gabriel

    Ok, eu tenho que concordar com o Jorge, o Cd é ótimo, e a resenha foi extremamente ofensiva e deu aquele ar ‘somos os donos da verdade’, e sobre a crítica anterior, foi sobre o clipe e o patriotismo exagerado, nada sobre estilo nem voz, o que eu acho que aconteceu foi que vocês foram com muita sede ao pote e esperavam uma coisa super mega mágica pela expectativa dos outros. E aí deram com a cara na parede, e em vez de pintarem um aviso de cuidado decidiram derrubar a parede.
    Tá, a analogia foi péssima, mas como vocês dizem: se enquadra perfeitamente!

  • Nikole

    Não achei um cd ruim e ,sim, muito bom.
    Quem sou eu para me considerar uma crítica musical, mas o estilo dela me pareceu bem singular, o que me chamou muito a atenção mesmo. Se os outros querem encontrar música comum, vão ouvir Britney Spears. A Marina tem muito talento mesmo, e espero que saiam mais músicas boas dela.

  • Marco

    Sim, é evidente: essa resenha é um exagero. Tinha lido várias antes dela, incluindo uma que também expunha uma opinião pra lá de negativa, mas não depreciativa pelo mero prazer de ser ― ela continha argumentos reais.

    The Family Jewels tem, com certeza, muitas falhas, mas os altos estão lá. Não dá pra negar. Talvez decepcione, mas ser toda tragédia que a resenha faz crer?

    O Metacritic recolhe notas de sites completamente diferentes dadas a materiais completamente diferentes, o que significa que tentar estabelecer um padrão pra essas notas é inútil. Discos como o Heartland receberam uma boa pontuação no Metacritic. Ou seja, às vezes a média coincide com o que é dito pelo Move That Jukebox!, às vezes não. Descabe comparar.

    Quero deixar claro que não pretendo forçar contra o autor opinião alguma sobre o álbum. Eu mesmo não o considero lá um exemplo vivo e fresco de sucesso, mas não tenho como negar que há nele porções merecedoras de prestígio. Vejo algo de verdade em toda a ideia de que as letras são um pouco rasas, ainda que estejam bem longe de se parecerem com músicas da Britney Spears. Mas não acho que a produção peque por “falta de um eco a mais”, pelo contrário. Enfim. O meu problema é com a argumentação esquiva do post. Argumentação que, pra mim, já põe em dúvida a confiabilidade deste blog aqui.

    Não sei se foi licença artística, só pra vestir a causa central do texto, mas a avaliação soou um tanto… superficial. Parece que a tal da opinião pessoal foi ofuscada por seja o que for, pressa ou um forte apego a impressões iniciais.

    Ah, João Gabriel. A analogia não foi péssima!

  • Arthur

    Ok, fiquei tenso com toda essa confusão.
    Vim seco ler a review esperando uma coisa positiva, e fiquei meio sem ação quando li tudo.
    Eu realmente gostei do The Family Jewels. Eu consigo ouvir a Kate Bush facilmente cantando qualquer música desse album.
    Achei a voz da Marina forte e marcante, mas não sei se fui o único que, por um instante, achei que fosse a Florence que estivesse cantando.
    I Am not a Robot é o tipo de canção doce que me fascina. Mowgli’s Road é aquele single bemm pop que eu adoro. Os primeiros segundos de Hollywood são entediantes, mas depois a música fica ótima, e cantar o refrãozinho :
    (Oh, my God, you look just like Shakira
    No, no, you’re Catherine Zeta”
    Actually, my name’s Marina) é bacana.

    Enfim, talvez um fã de Kate Nash se apaixone pela Marina.

  • Clara

    Não sou nenhuma especialista em música. Aliás, raramente leio resenhas de cds. Mas achei a crítica muito, muito fraca, como se o autor simplesmente quisesse dizer “achei um lixo”, e não encontrasse justificativas razoáveis. Isso é “mostrar a língua”.

  • Thiago

    fico realmente preucupado, quando um veiculo se propõe a realizar uma resenha de maneira tão pessoal, não levando em consideração qualquer especialidade tecnica ou o fato de termos sim uma boa estreia, e se talvez a Marina cometa erros no album é pela busca da inovar…ou fazer algo novo dentro da proposta dela, que de fato dá com ombros para a posição da propria na lista da BBC.Gostei do disco, e mesmo com algumas faixas não tão memoraveis temos momentos de pura diversão e porque não afetação?já que estamos falando de musica pop onde a afetação é de comum acordo como um tempero, um algos a mais, pq os demais segmentos ‘indies” e afins não se permitem há tais exageros? talvez por isso me pareçam tão chatos na maioria das vezes. Sou um amante musical, seja pop, indie, rock, trash ou quaisquer o ritmo que me agrade e realmente gosto de ler criticas sérias de gente preucupada com aqueles que estão de fones ligados em certos discos na expectativa de ler algo que realmente lhe abra os olhos e os ouvidos os ajudando a entender certos sons ou maneiras de faze-los, não apredejar sem ao menos uma explicação digna!

  • eu gosava desse blog, hahaha.

  • @danieldematos

    Achei os comentários aqui feitos bem mais interessantes que a própria resenha. O autor perdeu o senso crítico e foi direto pro pessoal. Uma pena. Daria uma daquelas comunidades: “Marina te despreza!” rs

  • fernando

    que texto infeliz e ofensivo, uma pena.

  • Marja de Abreu

    Não achei o disco tão ruim, quanto esta resenha deixa parecer. No entanto, quando vi alguns vídeos da banda na internet, esperava um CD que me causasse uma sensação parecida com a que tive quando ouvi “Lungs” de Florence and the Machine (NÃO ESTOU COMPARANDO AS BANDAS, MAS SIM A SENSAÇÃO). Uma sensação de: “Nossa! É impossível alguém dizer que isso é ruim! É música para ficar na história!”

    Com o álbum de Marina tive apenas a sensação de: “É…isso é bem agradável! Gostei.”
    Sim, eu gostei do álbum, mas confesso que esperava mais por tudo que ouvi falar da banda.

    E sinceramente, a pior música é “Rootless”, chata demais. E depois. “Oh, no” que não é tão chata, mas não contagia.De resto, eu gosto de todas as outras músicas.

    Quanto a voz de Marina estar “afetada”, não posso falar muito porquê não cheguei a assistir vídeos dela ao vivo anteriores ao lançamento do álbum, então só posso dar a opinião do que ouvi no álbum. E eu gostei!

    E isso.

    Achei a resenha exageradamente degradante. Mas, opiniões tem que ser respeitadas.

  • Kendi

    Aff!!! que resenha sem sentido!!!!

  • Otávio Rabelo

    Realmente foi um post muito humilhante. E aliás, a voz da Marina e o jeito que ela canta é um dos artifícios desse CD (que por sinal é ÓTIMO). Todas as músicas do álbum são muito boas e por mais que vc quisesse mostrar a sua opinião sobre esse álbum, não precisava acabar com acoitadinha.

  • Ronan

    Achei a resenha bem fraca. Critica o álbum muitas vezes com argumentos inválidos. Como falaram, parece que o autor queria dizer que não gostou do disco. Daí perguntam por que não gostou, e ele responde que apenas não gostou. Não vejo que o gosto pessoal dele deveria ser mote para avaliar o álbum.

    Aliás, acho o disco muito bom. Daria nota 9/10.