Mayer Hawthorne - Where Does This Door Go

Mayer Hawthorne
Where Does This Door Go

Republic

Lançamento: 16/07/13

Where Does This Door Go é o terceiro LP do multiartista bem sucedido Mayer Hawthorne. Após sua estreia que apostava em uma sonoridade (um visual, uma postura, etc) totalmente retrô-soul e um segundo álbum que já arriscava flertes com a música contemporânea, MH ataca totalmente o pop em seu novo trabalho. E se isso deixa uma sensação de “se não pode vencê-los, junte-se a eles” – onde o artista talvez se agarre ao mainstream, onde Timberlake e Bruno Mars comandam explorando uma linha criativa bem similar à dele sem tanto apego às tradições – MH faz questão de desmistificar isso dizendo que nunca conseguiu produzir e compor tão facilmente e que nunca suas músicas soaram tanto quanto ele e sua vida na Califórnia são. Assim, ao ouvir Where Does This Door Go, com essa “declaração”, a sensação que surge é outra: que vida boa, hein!?

Sempre liderando a produção de seus trabalhos, com todas suas disciplinas bem desenvolvidas, MH monta um time com mais de uma dezena de músicos para alcançar os bons resultados de cada faixa e ainda convida Kendrick Lamar para participar de “Crime”, nona das quinze faixas presentes (sendo algumas dessas apenas vinhetas). Jessie Ware encanta no primeiro single “Her Favorite Song”, e dá uma grande liberdade para Pharrell Williams, que participa diretamente em 3 faixas, compondo e produzindo – como se esse já não tivesse brilhado o suficiente por esse ano no maior hit até então lançado, “Get Lucky”, do Daft Punk. Talvez seja um amuleto para dar sorte. Até que funcionou um pouco.

Mas a sorte aqui não é para que Where Does This Door Go seja o melhor lançamento de Mayer Hawthorne – até porque não é. É que de alguma forma o álbum parece querer realmente elevar o artista a uma escala mais alta dentro da música pop americana, fugindo um pouco da alcunha indie que ele carregava, e a “sorte” pode ajudar nisso. Sendo assim, fica difícil comparar o novo trabalho com os discos anteriores – se trata de um nova face de MH, mais apurada para o pop, menos preocupada com Motown e mais focada nas diversas experiências que ele já explorou em sua carreira, dando espaço para o eletrônico, para o rap e até para guitarras roqueiras. Mas o resultado é um só: músicas para se divertir e dançar sem responsabilidades. E sob essa perspectiva, temos em Where Does This Door Go o ponto de chegada que How Do You Do já sugeria, ainda que parecesse mais brilhante essa estrada que foi o segundo álbum do que o destino final que se faz o terceiro disco.

As faixas se desenvolvem com sombras de Curtis Mayfield, Smokey Robinson e Steely Dan, agitam nos momentos mais divertidos como Earth Wind and Fire, mas não chegam pertos de Stevie Wonder em seus grandes momentos, só nos mais lavados. Sim, o soul de MH é lavado e bem branquinho, mas ainda assim ele possui mais groove e peso do que grande parte daqueles que sugerem uma sonoridade como a sua. E é sua aproximação com os beats do rap e seu aprofundamento na música negra americana que o permite fazer de forma tão natural o que para outros parece um desafio. O cuidado com cada faixa é grande e a não preocupação se elas soarão um pouco mais bregas do que deveriam é o que dá a todas elas momentos especiais – alguns escorregões são aliviados com o tempo e alguns excessos cansam mas, ao fim, a escolha do compositor por ser mais raso aumentou as possibilidades para pistas de dança, mas também prejudicou o potencial, que seus álbuns anteriores permitiam, de músicas apenas para curtir de forma mais leve, aproveitando o dia.

Destacando-se no álbum, “Back Seat Lover”, “The Innocent” “Wine Glass Woman” e “The Stars Are Out” são boas para chacoalhar em dias ensolarados. “The Only One”, “Her Favorite Song”, “Crime” e “Robot Love” são boas para dançar à noite. “Where Does This Door Go” e “All Better” são baladas lentas boas pra curtir. E, maior que tudo isso, o destaque fica para Mayer Hawthorne, que não faz do novo lançamento seu melhor álbum, mas mostra que pode arriscar em qualquer lado e acertar bem, fazendo ser uma boa obrigação ser atento a cada um de seus passos.

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  • KAW

    bom! gosto do estilo dele. alguma previsão de quando poderemos ouvir o cd na integra?

  • Sincera

    Ñ gostei das 2 apresentadas!

  • Fabio Tihara

    O disco não é ruim, porém o Mayer perdeu aquele charme retrô que sua música passava…