Apanhador Só - Meio que Tudo É Um

Apanhador Só
Meio que Tudo É Um

Lançamento: 04/08/2017

Corri para ouvir o material disponibilizado pelo Apanhador Só na última sexta (4), o disco Meio Que Tudo É Um tal a expectativa do que viria de uma das bandas mais inventivas do cenário nacional. “Sol da Dúvida” que há uma semana já pipocava era tão boa que comecei a ouvir o disco com um certo sentimento de jogo ganho, porque o que aqueles caras fazem é sempre muito bom.

“Meio Que Tudo é Um” não se preocupa em ser pouco ou muito do que já foi feito pela banda, o primeiro registro de estúdio Apanhador Só (2010) era leve e despretensioso, já Antes que Tu Conte Outra (2013) era crítico e rasgado. Alexandre Kumpinski, Felipe Zancanaro e Fernão Agra propõem agora uma terceira descoberta, um turbilhão sonoro de instrumentos, sons da natureza, ruídos e vocais.

Feito com ajuda de financiamento coletivo e gravado quase por completo entre novembro de 2016 e abril de 2017 no Castelinho do Morro da Borússia, em Osório (RS), o disco foi produzido pela própria banda em parceria com Diego Poloni, as experimentações contemplam o samba, a MPB e o rock, o uso indiscriminado da criatividade nos arranjos não é novidade desde as releituras do K7 “Acústico-Sucateiro” de 2011.

A já citada “Sol da Dúvida” é um belo mantra cheio de sapos, grilos, barulhos e improvisações, “Sopro” de letra e voz de Fernão Agra tem clima circense e canto continuo como uma caminhada, em “Teia” Kumpinski dividi os vocais com Luiz Gabriel Lopes (Graveola), canção leve e de canto fácil.

“RJ Banco Imobiliário” com nome e cara de Rio, tem samba e canto de Bossa Nova, sendo das mais ensolaradas músicas do disco, a primeira parte termina com o jogo de versos da ótima “O Creme e o Crime”.

A desacelerada “Viralatice dos Prédios”, a linda “Bastas” e “Pelos Olhos do Mundo” são espontâneas formas de diálogo com os lugares, as pessoas e os sentimentos, que segue com a densidade de “Isabel Chove” de Felipe Zancanaro.

Das participações mais legais estão a de Dolores Aguirre e Julia Ortiz, do Perotá Chingó na faixa “Paso hacia atrás”, a junção das vozes masculina e feminina e a mistura de versos em português e espanhol, pulam referências regionais e cumplicidade entre os músicos.

“Conforto” tem início entoado a capela, que se acalma com o passar dos seus 3:26, em “Metropolitano” e “Bandeira” praticamente tudo se experimenta, samba, confusão, rock e mpb.

Fechando o trabalho “Linda Louca e Livre” e “O Corpo Vai Acabar”, duas músicas que já nascem clássicas e primorosas, a última com a participação de Thiago e Ian Ramil, parceiros de longa data da banda.

Como em outros trabalhos o encarte do disco reúne desenhos, fotos, rascunhos e outras peças do arquivo pessoal dos músicos, com Daniel Eizirik assinando o projeto gráfico.

Meio Que Tudo é Um já tem lugar na minha lista de melhores do ano, assim como terá lugar nas minha playlist pessoal por um bom tempo, o esmero da banda com o que faz aumenta a cada trabalho, são 3 grandes compositores que se cercam de outros nomes que somam muito a proposta das músicas.

As 15 canções estão disponíveis em streaming e para download gratuito no site oficial da banda, a pré-venda do CD também pode ser feita na loja online no site da Livraria Cultura. O LP sai em meados de setembro.

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