As melhores músicas internacionais de 2014

Reunimos algumas das principais faixas lançadas por bandas e artistas internacionais durante o ano

Arte: Iberê Borges

Depois de ouvir e escrever sobre os principais lançamentos do ano, o Move apresenta, nesse fim de 2014, os melhores momentos que passaram por nossas páginas desde janeiro. Já vasculhamos o acervo nacional de novidades com as melhores faixas e discos lançados no Brasil neste ano. Agora, vamos para o circuito internacional. A lista começa com menções honrosas em ordem alfabética e segue com o ranking principal, organizado através de votações entre alguns colaboradores do site.

 

Menções honrosas:

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BANKS – Fuck ‘Em Only We Know

Grande parte da estreia de Banks é calcada no cruzamento entre o pop e o R&B, “Fuck ‘Em Only We Know”, escolhe um lado. Entre sonoridades imersas em lo-fi de uma década atrás e a voz da americana hipnótica, remonta a era de ouro do gênero em canção que Aaliyah facilmente teria lançado. (Allan Assis)

Jungle – Busy Earnin’

Os trompetes eletrônicos de “Busy Earnin’” formam o riff que mais grudou na minha cabeça durante o ano. Ter ouvido a música incansáveis vezes ao dia deve ter contribuído pra isso. Mas não é como se eu pudesse não ouvir a música, certo? Não era uma opção. (Neto Rodrigues)

Michael Jackson – Love Never Felt So Good

Ninguém esperava que um disco póstumo de Michael Jackson fosse tão bom. E a principal pérola perdida no tempo é “Love Never Felt So Good”, uma das faixas mais tocadas do ano. Que venham mais músicas como essa para continuarmos renovando nossa admiração pelo Rei do Pop. (Gregório Fonseca)

Rodrigo y Gabriela – The Soundmaker

“The Soundmaker”, a faixa de abertura de 9 Dead Alive, é dedicada a Antonio Torres Jurado, um fabricante de violões do século XIX e que é responsável pelo desenho dos violões atuais. A performance da dupla e o fluxo de ideias da faixa fazem dela uma das homenagens mais belas e adequadas já feitas. (Gustavo Sumares)

Sondre Lerche – Legends

A crise mais empolgante do ano é construída através do pop distorcido de Sondre Lerche. Em fase de divórcio, o norueguês escrevia: “agora nunca saberemos das lendas que poderíamos ser, só eu e você, você e eu”. Mas o sentimento é de soltura, de agitação – e a canção é imperdível. (Iberê Borges)

 

25. Sun Kil Moon – Micheline

Iberê Borges

O que faz de “Micheline” especial dentro de um registro tão pessoal e profundo como Benji é sua sutileza. Os resgates profundos e pessoais de Mark Kozelek vêm através de simples histórias que marcaram sua vida. Nesse registro, um dos melhores do ano, ele conta três momentos de sua vida em que, provavelmente, aprendeu a lidar com a vida e a morte. De forma bela e amena, com um inquieto e objetivo violão em breve parceria com um límpido piano, fica difícil não se encantar com “Micheline”, a porta de entrada mais acolhedora do imperdível lançamento do Sun Kil Moon.

 

24. Weezer – Back To The Shack

Iberê Borges

O retorno do Weezer à boa forma pediria um hino para ser entoado no momento em que acontecesse. Algo para traduzir o sentimento de anos de espera. Rivers Cuomo obviamente sabia disso e fez desse hino o próprio retorno. “Back To The Shack” é a tiração de sarro mais honesta que o Weezer poderia fazer de si mesmo. Não podemos contar com o Weezer de 20 anos atrás mais, mas o de 2014 soube equilibrar bem tudo aquilo que há tempos não se encaixava. Respiramos novamente mais aliviados.

 

23. Chet Faker – Talk Is Cheap

Neto Rodrigues

Difícil resistir ao charme do sax inesperado que abre a mais linda faixa do álbum de estreia do australiano Chet Faker. “Talk Is Cheap” é sexy mas não vulgar; é melancólica e aconchegante ao mesmo tempo; é simples, mas com refrão que a leva a níveis além; é Chet em seu melhor momento, dosando precisamente seu vozeirão com arranjos delicados, quase quebradiços.

 

22. The Black Keys – Gotta Get Away

Gregório Fonseca

Toda vez que escuto o álbum Turn Blue, começo por “Gotta Get Away”, que é a última música. Dessa forma, posso escutá-la duas vezes a cada audição. Não que seja um problema o fato dela estar no final do disco – “Gotta Get Away” realmente destoa das outras músicas pelo seu clima mais dançante. Turn Blue pode até não ser o melhor álbum do Black Keys, mas certamente essa faixa está entre as mais interessantes da carreira da banda.

 

21. Tweedy – Low Key

Neto Rodrigues

“Não vou pular de alegria/ Se eu me animar, ninguém irá saber/ Mas te amarei do mesmo modo/ Sempre serei seu bobão/ E quando parecer que não me importo/ Só estou fazendo charme”. Conhecendo a carreira de Jeff Tweedy, não é difícil imaginar a facilidade com que ele deve ter escritos esses versos. Discreto que só, Jeff prefere deixar suas melodias e levadas ao violão fazerem o trabalho por ele – e que trabalho.

 

20. Jack White – Would You Fight For My Love?

Neto Rodrigues

Em um mundo mais justo, Jack White seria premiado de alguma forma pela tensão criada em “Would You Fight For My Love?”. O drama é composto pela letra conturbada (“Ninguém notou que eu estava deitado no tapete/ Estou melhorando em me tornar um fantasma”) e pelo instrumental carregado, com violinos, pianos e uma voz feminina carregada de notas épicas durante a metade final da canção.

 

19. FKA twigs – Two Weeks

Allan Assis

FKA twigs é impulsionada pela experimentação. Mistura de sonoridades (muito) lentas em junção a uma sugestionável voz sussurrante, Tahliah Barnett consegue enjambrar em “Two Weeks” uma síntese do que sua música representa: um R&B eletrônico que pela primeira vez em tempos foge da revisitação como tema principal e brinca com peças de modo a reorganizá-lo, causando curiosidade em quem o escuta.

 

18. Slow Club – Suffering You, Suffering Me

Iberê Borges

A interpretação de Rebeca Taylor é a mais emocionante e emocionada do ano. Quase como em um musical, a metade do Slow Club se joga em uma atuação estupenda acompanhada de uma produção igualmente deslumbrante. O sofrimento dos lamentos não afogam o ouvinte – pelo contrário: a sensação é de uma empolgante libertação. Um desprendimento liderado pelo mais belo vocal gravado no ano de 2014.

 

17. Mark Ronson – Uptown Funk

Neto Rodrigues

Mesmo sem ainda ter lançado seu novo disco, Mark Ronson emplacou os quatro minutos mais irresistíveis do ano com “Uptown Funk”, single encharcado de metais dos anos 70 e com a produção que um fino exemplar de funk music merece. A escolha para dar voz ao hit também foi precisa: Bruno Mars embala a faixa retrô em uma roupagem ideal para as rádios de hoje.

 

16. Tweedy – Summer Noon

Iberê Borges

Difícil é se manter inventivo após tantos anos de carreira e ainda soar doce. Para Jeff Tweedy, em sua estreia solo, “Summer Noon” deu uma lição. A ousadia está na confiança de que a simplicidade pode ainda simbolizar tudo, mesmo quando você já arriscou mais e já passou por diversos picos criativos. Os passos mais contidos podem levar o artista aos mais agradáveis momentos. Sorte daqueles que acompanharem essa proveitosa caminhada.

 

15. Spoon – New York Kiss

Gustavo Sumares

De faixa excelente em faixa excelente, o incrível They Want My Soul chega a “New York Kiss”, seu final agridoce. Com acordes menores no refrão e notas eletrônicas que ecoam pela faixa toda, ela traz melancolia que o resto do disco mal sugere, o que a torna ainda mais impactante emocionalmente. Quando Britt Daniel canta “I say good night”, a sensação realmente é de uma despedida dolorida. Pelo menos até o próximo disco do Spoon.

 

14. St. Vincent – Birth in Reverse

Allan Assis

Annie Clark completou sua mudança. De cantora de voz agradável e um outro dedilhado em violão, St. Vincent assumiu a loucura que foi tomando espaço de sua persona. Em “Birth in Reverse”, solta as últimas amarras que a impediam de mostrar os absurdos que é capaz de criar com uma guitarra em punho. Longe de intencionar a imagem de virtuose, a americana prefere novamente o estranho: reverberações e riffs zombeteiros que a auxiliam a falar sobre tédio, masturbação e morte.

 

13. Stephen Malkmus & The Jicks – Lariat

Iberê Borges

O ano de 2014 começou com um álbum novo de Stephen Malkmus, e dificilmente poderia começar de forma melhor. “Lariat” foi um dos momentos marcantes do lançamento, pois uniu a facilidade de soar acessível com o sarcástico bom humor do ex-Pavement. O clima da canção é admiravelmente otimista e o riff de guitarra é pegajoso, algo para se assobiar e grudar na cabeça mesmo com o passar de 12 meses – o que chega até a ser pouco, visto que Malkmus tem conseguido manter qualidade em suas produções há mais de 20 anos.

 

12. Flying Lotus – Never Catch Me

Allan Assis

“Never Catch Me” é o campo onde rap, eletrônico e jazz se encontram em terreno neutro. Repleto dos detalhes da complexa e irretocavelmente competente produção de Steven Ellison, a faixa inicia jornada nos versos de Kendrick Lamar em cadência quase transformada também em instrumento, para enveredar em sua segunda parte por um rico caminho de abstrações e efeitos que ajudam a concretizar a impressão de espiritualidade que guia o registro de Flying Lotus. Uma música que a cada reprodução remonta impressões diferentes.

 

11. Robert Plant – Rainbow

Neto Rodrigues

Há algo de confortante na disposição de alguém ser seu arco-íris após a tempestade – ainda mais se esse alguém for Robert Plant, que, no auge de seus 66 anos, segue experimentando em sua carreira solo. Na balada angelical “Rainbow”, o vocalista inglês, sustentado por percussões e guitarras brandas, canta delicadamente e arranca arrepios até da mais insensível das almas.

 

10. Spoon – Do You

Gustavo Sumares

Difícil decidir qual é a melhor coisa de “Do You”: a melodia vocal que abre a faixa? O refrão improvavelmente grudento, que gira em torno dessa pergunta que ninguém responde? O piano discreto do refrão? A guitarra, que arrisca umas linhas mais destacadas de vez em quando? Cada um escolhe o seu. A combinação deles é o que cria uma faixa tipicamente incrível do Spoon, onde a sincronia perfeita em que os elementos sonoros funcionam constrói, com materiais relativamente corriqueiros, algo inesquecível.

 

09. Damon Albarn – The Selfish Giant

Allan Assis

Damon Albarn finalmente encontrou a quietude. Em sua estreia solo, assume a solidão e melancolia presentes em suas canções para, com desconforto, ilustrar a fragilidade que todos tentamos esconder. “The Selfish Giant” é sonho lisérgico em tudo, dos pianos que saem por curvas do tema principal a que foram destinados aos sussurros escondidos de Bat For Lashes ao fundo. Quase canção de ninar de um adeus.

 

08. Steve Gunn – Milly’s Garden

Iberê Borges

É difícil de se cansar de canções como “Milly’s Garden”, obra do pouco conhecido Steve Gunn. A liberdade dos músicos para a construção do arranjo é evidente, o formato clássico de jam funciona muito bem para a construção. Mesmo que com um longo solo de guitarra surja à sombra de um distanciamento da canção, tudo está sempre tão em sintonia que o retorno só contribui para que o refrão ganhe ainda mais força. A atmosfera de Rolling Stones e The Band é tão preciosa que impressionaria qualquer fã do estilo facilmente, e garante, com a mesma facilidade, ela em nosso ranking.

 

07. Thurston Moore – Speak To The Wild

Neto Rodrigues

Os harmônicos que abrem “Speak To The Wild” já deixariam fãs de Sonic Youth emocionados. Mas aí, vem o riff principal e a sensação é a de estar ouvindo um single perdido de The Eternal, álbum derradeiro dos heróis do underground americano. Durante todos os oito minutos da canção, você imagina Thurston acompanhado por Lee, Kim e Steve. E para quem ainda não sabe se voltará a ver a banda novamente junta, isso já é mais que suficiente.

 

06. TV On The Radio – Careful You

Gustavo Sumares

A segunda faixa de Seeds, o álbum do TV On The Radio marcado pela morte do baixista Gerard Smith, traz todos os elementos de suas melhores composições: melodias vocais marcantes, arranjos criativos, misturas de elementos eletrônicos e uma escala ambiciosa. Mas é seu refrão as belas letras, que falam sobre a vontade e o perigo de se importar com os outros, que a tornam uma das melhores do ano.

 

05. The War on Drugs – Eyes To The Wind

Allan Assis

A voz de Adam Granduciel é familiar. Não só pela proximidade de seu timbre ao de Bob Dylan, ou das sonoridades que escolhe em suas músicas (country folk que acena de longe à Bruce Springsteen) carregarem memórias em seu contexto. “Eyes To The Wind” é uma canção que você já ouviu em algum lugar, quando olhando à janela durante uma viagem, ou ao lembrar de algum relacionamento antigo que fez bem e mal na mesma medida. O capitão do War On Drugs sabe o caminho direto a nostalgias que você esqueceu que tinha.

 

04. Run The Jewels – Close Your Eyes (And Count To Fuck)

Allan Assis

Se você nunca ouviu falar nos projetos de El-P e Killer Mike (o que não é de todo vergonhoso, já que a extensão do primeiro é muito maior na produção de discos, e os registros do segundo ganharam maior projeção mais recentemente), “Close Your Eyes…” é a perfeita introdução ao Run The Jewels. Abordando em sua temática as alternâncias de poder político que pouco costumam atingir as camadas mais pobres da sociedade, a dupla traz o peso das sonoridades que se inspiram no gangsta dos anos 90 em parceria com Zack De La Rocha, desafiando você a esquecer o nome do projeto após o refrão que serve de base à faixa: “Run them jewels fast, run them, run them jewels fast”. E pronto, você caiu na teia da dupla americana.

 

03. Donnie Trumpet & The Social Experiment – Sunday Candy

Allan Assis

O hip hop/R&B dos anos 2000 produzia hits aos montes seguindo uma estrutura comum: rimas iniciando versos rápidos, desembocando em refrões geralmente cantados por uma bela voz feminina. Em “Sunday Candy”, Chance The Rapper sorri às nossas memórias de outrora para exaltar as dele. Em parceria com os vocais de Jamila Woods, agradece na letra a criação de sua avó na faixa que abrirá os trabalhos do Social Experiment, grupo que formou com Peter Cottontale, Nate Fox e­ o amigo de infância Donnie Trumpet. Simples, doce e com gosto de feriado na casa dos avós.

 

02. Future Islands – Seasons (Waiting On You)

Gustavo Sumares

Sem dúvida, a performance inesquecível do Future Islands no show do Letterman contribuiu para o imenso buzz criado em torno de “Seasons (Waiting On You)”. Mas fora isso, ela é uma canção pop excelente: amplamente acessível e imediatamente memorável. Também é uma espécie de consolidação de toda a carreira do Future Islands, pois consegue embalar o estilo sentimental do grupo no formato mais direto possível. Mas além disso tudo, ela traz a intensa sensação de envolvimento emocional de alguém que expõe suas emoções, solta o gogó e dança ridiculamente sem se importar com o que o mundo pensa – algo que poucas gravações conseguem capturar.

 

01. The War On Drugs – Red Eyes

Iberê Borges

“Red Eyes” corre como uma bala. O tiro disparado por Adam Granduciel corre por 5 minutos sem nos permitir piscar. A empolgação gerada pelo crescente arranjo contrasta com a desestabilizada percepção do protagonista – o que gera uma agonia em um cenário de partida sem destino definido. Mas nem isso faz com que a corrida diminua seu ritmo, e o rock americano de violões, guitarras e pianos, com influências diretas de Tom Petty e Bruce Springsteen, se constrói sobre uma base de sintetizadores e percussão constante, formando uma paisagem sonoro repleta de detalhes. Sem pressa, ela atravessa nossos sentidos sem que possamos evita-la – ou melhor, sem que sequer nos faça cogitar não aprecia-la.

2 Comentários para "As melhores músicas internacionais de 2014"

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