Metronomy - Love Letters

Metronomy
Love Letters

Because Music

Lançamento: 10/03/14

Depois de experimentar com várias sonoridades e formações em seus dois primeiros discos, Joseph Mount e seu Metronomy finalmente se “estabilizaram” em 2011, com The English Riviera, um álbum que trazia um som bem característica e diferente dos trabalhos anteriores do grupo. As melodias claras, os arranjos econômicos, quase minimalistas, e os sons simples eram organizados por Mount com um cuidado imenso na distribuição dos elementos nas canções, conforme maravilhosamente exemplificado pela ótima “The Look”. O resultado foi um pop estiloso e direto, às vezes tão simples e esparso que chegava a lembrar o Devo, mas trocando a pegada meio punk por um ar mais hipster. Love Letters é o primeiro disco do grupo que não traz nenhuma grande mudança em sua formação ou em seu som. Nele, a banda aprofunda o estilo que desenvolveu no álbum anterior, trazendo de volta tudo que aquele disco tinha de bom e… de não tão bom assim.

A principal mudança de Love Letters em relação ao seu antecessor é uma carga emocional mais intensa, notável principalmente nos vocais de Mount. Logo na primeira faixa, a bela “The Upsetter”, Mount leva seus vocais frágeis para o centro do refrão, e isso dá um tempero bem interessante ao som, que, no disco anterior, quase chegava a ser blasê demais. Esses mesmos vocais expressivos voltam na faixa seguinte, “I’m Aquarius”, cujo refrão conta também com excelentes backing vocals da baterista Anna Prior. O clima melancólico, o arranjo exíguo e a combinação das duas vozes chegam até a lembrar uma versão mais animadinha do The XX, uma comparação que surge em diversos instantes do álbum, tanto pelo tom mais introvertido quanto pelo fato desse trabalho ter uma presença sutilmente maior de eletrônicos.

Apesar desses pequenos ajustes, a sonoridade do quarteto ainda é basicamente a mesma. “Reservoir” tem uma melodia simples e repetitiva de teclado extremamente característica do Metronomy, que lembra bastante “Corinne”, de The English Riviera. Essa mesma descrição poderia se aplicar à ótima instrumental “Boy Racers”, que traz uma boa linha de bateria de Prior, e parece algo que os Talking Heads poderiam ter feito na década de 80. Ela se liga de forma quase imperceptível em “Call Me”, na qual a voz de Mount é cercada por sintetizadores que se sobrepõem uns aos outros.

Mas desde o disco anterior, esses arranjos tão econômicos acabavam às vezes deixando as canções simplesmente vazias. Isso acontece novamente agora, e “Monstrous” é o melhor exemplo disso: apesar de ter melodia grudenta de teclado e linha marcante nos vocais, seu arranjo quase não evolui ao longo de seus quatro minutos, o que a deixa enfadonha mesmo apesar das boas ideias contidas ali. Imediatamente depois dela, vem a introdução estranhamente excessiva, com um minuto e meio, da faixa título, o que cria um trecho meio monótono na audição. Momentos como esse dão ao disco um desagradável sabor de bolacha de água e sal. Mas, felizmente, a banda consegue se recuperar. “Love Letters” é uma das músicas mais divertidas do quarteto, com um refrão empolgante cheio de backing vocals estilo anos 60, e injeta um ânimo muito importante no trabalho.

Apesar de ser o quarto álbum do Metronomy, Love Letters é o primeiro que dá mais uma sensação de continuidade do que de ruptura com relação ao que veio antes. Embora tenha alguns dos mesmos problemas de The English Riviera, o disco é interessante por mostrar o quarteto inglês se encaixando finalmente numa sonoridade bastante autêntica. Isso dá a sensação de que é só uma questão de tempo até que Mount e seu grupo consigam aparar as arestas do seu som e criar um projeto que explore totalmente o potencial que eles sem dúvida têm.

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