Mombojó – Amigo do Tempo

O que se poderia esperar de um disco em que os recifenses do Mombojó resolvem falar sobre o tempo? Um acerto de contas? Uma rendição?

É fato que motivos não faltariam para Felipe S., Marcelo, Samuel, Vicente e Chiquinho chegarem até aqui carregados de mágoas e marcas de cansaço provocadas pelas desventuras que o tempo lhes reservou nos últimos anos. Do falecimento precoce, em 2007, do flautista Rafael Torres (vítima de enfarte aos 24 anos) à saída do violonista Marcelo Campello, em 2008. Da adaptação à vida em São Paulo (para onde todos migraram em 2008) à saída da gravadora Trama e os consequentes percalços para a realização de um trabalho 100% independente. Nada parecia contribuir para dissipar a nuvem de incertezas que foi se formando sobre uma, até então, ensolarada trajetória.

Mas se, por tudo isso, este terceiro disco demorou a sair, a dissolução das dúvidas chega logo em seus primeiros minutos. “Triste quando alguém desiste e não insiste em acertar / Mesmo quando eu fico triste, tento sorrir”, cantam os versos de “Entre a União e a Saudade”, indicando que não há aqui nenhum sinal de rancor ou derrotismo. Na verdade, o aviso já é dado antes, logo no título do álbum: Amigo do Tempo é, antes de tudo, uma tentativa de reconciliação.

O Mombojó aponta sua música para o futuro, como num reconhecimento do valor dos dias que estão por vir. E se o sopro de consciência que vem já na primeira faixa ainda não afasta definitivamente o nevoeiro, ele ao menos abre espaço para que alguma claridade volte a incidir sobre o som da banda. O título e levada surf music da faixa seguinte, “Antimonotonia”, comprovam isso. Assim como a saideira “Papapa”, modelo do manuseio preciso dos limites entre o pop e o rock – e desfecho de um disco ainda emocionado, mas resistente à autocomiseração.

Aqui acaba… e aqui começa. Pois como dizem os versos de “Passarinho Colorido”, o Mombojó está apenas em um “processo que precede a vida”, uma cuidadosa gestação. O que está por vir, torcemos, é o (re)nascimento de uma grande banda. E, desta vez, o tempo há de tratá-la bem.

  • resenha linda, CD lindo.

  • marcos tulio

    Comprei o cd hoje mesmo, numa lojinha bacana aqui de Belô (CD Clube), e simplesmente
    adorei o som dos caras, que venha o quarto album, heim rapaziada !!