Move That Jukebox! » Muito mais que um mico

Mar 24 2009

Muito mais que um mico

Por Move That Jukebox! às 11:12

No dia do Just a Fest em São Paulo eu expressei minha preocupação com o lugar do evento. Mal eu sabia o que ainda estava por vir.

Primeiro foi o stress para pegar os ingressos. Eu, procrastinadora que sou, não tive coragem de ir até lá, deixando tudo para o dia do show. Foi por isso que passei na frente do local no domingo à tarde, quando logo em seguida escrevi o post sobre minha preocupação.

Chequei na internet que o guichê para troca de ingressos funcionaria até 8 da noite. Não consigo entender por qual razão escolheram este horário, uma vez que o show do Radiohead – o último a se apresentar naquela noite – começava duas horas depois disso.

Ok, sem problema, me programei pra chegar lá a tempo. Com o caos no trânsito – especialmente com a Francisco Morato fechada (!!!!!!!!!) – cheguei ao local por volta de 19h30. A escuridão e a chuva fina que caía me deixaram apreensiva e pedi para minha amiga ir logo pra fila da bilheteria enquanto eu procurava onde parar o carro. Ela pegou nossos ingressos sem apresentar as carteirinhas. Pior: tudo estava no meu nome e ela assinou como se fosse eu!

No primeiro estacionamento me dei conta que este era “o show dos múltiplos de 5″. A capa de chuva tinha sido 5 reais, e agora me cobravam INACREDITÁVEIS 50 reais para parar o carro. Me senti roubada, manobrei e segui para outro estacionamento.

Não adiantou. A facada veio FORTE: 50 reais. “Vou fazer a volta então, moço.” Ingenuidade a minha. Havia um pedaço de ferro no chão, como que brotando das profundezas do inferno. E ele resolveu entrar no meu pneu. Estava sem estepe e com pouquíssima bateria no celular. Depois de vários estresses que nada têm a ver com a realização do evento, consegui resolver meu problema. Contudo, fica a observação de que o telefone público mais próximo estava ligeiramente longe, num lugar escuro e esquisito.

Caso eu estivesse em um estacionamento regular, certamente eu não haveria pago o valor estipulado e ainda teria feito um escândalo para que consertassem meu pneu. Porém, fiquei quietinha – afinal, eu não sabia o que poderia acontecer. Ainda bem. Chovem comentários na internet sobre pessoas que tiveram seus carros ARROMBADOS (com roubo de estepes, rádios e afins) dentro destes estacionamentos. Como se não bastasse, a polícia nada fez – já é de praxe, né? De qualquer modo, perdi o show do Kraftwerk. O dos Loser Manos eu passei, mesmo.

Entre o estacionamento e a entrada do show, inúmeros cambistas agiam livremente, apesar do “policiamento”. Lá dentro, o cheiro de cocô de cavalo estava uma delícia. Os banheiros químicos foram improvisados onde acredito ser o estábulo da tal chácara (nota da redação: não deixe de ler o conceito de estábulo diretamente da wikipedia para você – e pense se este é um local apropriado para seres humanos utilizarem como banheiro).

A lama estava menos pior do que eu previa, confesso. O que não quer dizer que não houvessem locais onde parecia que você estava num desenho animado, pisando em areia movediça. Ao comprar um refrigerante, mais uma prova da minha teoria descrita acima: ele custava 5 reais.

Estamos aqui hangin out enquanto o show do Kraftwerk não começa!

Estamos aqui hangin out enquanto o show do Kraftwerk não começa!

Não fui até a tal praça de alimentação que tantas pessoas têm falado e não posso opinar sobre preço e/ou qualidade do que foi servido.

No final, o estouro da boiada. Claro, né? Estávamos numa chácara… Praticamente um passeio temático! Só faltou alguém na frente da gente com um berrante. Voltei 11 anos no tempo e lembrei-me daquele bizarro show do U2 no Autódromo de Jacarepaguá, em 1998, quando tive que pular o guard-rail para sair dali. Desta vez, não houve corrida de obstáculos, mas eu me senti parte de um rebanho. Ainda bem que não houve marcação do boi.

Boiadeiro treina para organizar as 30 mil cabeças de gado

Boiadeiro treina para organizar as 30 mil cabeças de gado

Ao chegarmos de volta no estacionamento, pegamos o carro e chegamos rapidinho em casa – tão rápido quanto poderia ser, claro. Os 50 reais acabaram valendo a pena, pois quem pagou 35 e parou no “estacionamento oficial” demorou cerca de 2 horas pra conseguir sair de lá.

Não creio que o problema seja necessariamente a localização da chácara. Eu, particularmente, moro perto dali e já me despenquei outras vezes para lugares bem mais distantes. É o caso do Rock in Rio III, que aconteceu na saudosa Cidade do Rock. É longe de qualquer coisa, até mesmo da Barra. No entanto, fui em 3 dias diferentes no RiR III e não tive problemas para chegar ou sair de lá nenhuma das vezes. Havia bolsões de estacionamento na região, e ônibus gratuitos para levar as pessoas até o local das apresentações. No final da noite, quando todos deixavam a Cidade do Rock, era possível ver filas intermináveis de ônibus. Todos esperando para nos levar de volta até os bolsões ou até os terminais de ônibus de linha (ao contrário de São Paulo, os ônibus no Rio funcionam na madrugada).

No RiR, tudo funcionou perfeitamente, apesar do público ter sido de inacreditáveis 250 mil pessoas em algumas noites; enquanto isso, no Just a Fest foram apenas 30 mil.

Todo mundo sabia que esta quantidade de gente se encaminharia para lá naquela noite. Além do público, havia também as pessoas que trabalharam no evento. Nada disso é novidade. Não foi o primeiro show para grande público feito no Brasil. Os produtores já deviam estar mais bem-preparados. Na verdade, talvez até soubessem do caos que seria. Eles simplesmente não se importaram.

Outros posts sobre o inferno de domingo aqui, aqui e aqui.

Nádia Lapa, que já correu de bandido no final do show da Madonna, pulou guard-rail no U2 e andou horas pra conseguir sair do show do Pearl Jam no Rio

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9 Comentários. Comente!

9 Comentários. Comente! to “Muito mais que um mico”

  1. ianon 24 Mar 2009 at 11:40  (Quote)

    Então …. Não tive nenhum desses problemas….!

    Sabia que a FM. Estava fechada, saiu no jornal, semanas antes do show ! Só ler. Não tem haver com a organização do evento nem nada!

    Logo, fui de ônibus…. tem umas 8 linhas acho q fazem o corredor CENTRO – F.M.

    Não paguei estacionamento e não bebo refrigerante… não gastei meus 5 reais com isso… levei um wisky na garrafinha e pronto!

    Pra ser mais legal, cheguei cedo, achei um lugar bom onde sabia que não ia ter lama mesmo que chovesse – e se chovesse, que foi avisado em várias midias tmb – eu tinha comigo um casaco próprio para essas coisas e não precisei comprar capa.

    Meu lugar bom… de frente ao palco, tranquilo, sem pressão e próximo a saídas de emergência.. que pela boa lábia, me permitiram sair por lá… sem boiada nem nada ! (Essa concordo, mto chato a saída… dava pra ver lá do palco como a manada caminhava – Leave the kiss alone!)

    Mas, saídas de emergência são pra sair também!

    Show foi ótimo, programe-se melhor da próxima vez!

    Abraços

  2. Crison 24 Mar 2009 at 11:49  (Quote)

    Não moro perto da Chácara do Jóquei, mas não tive dificuldade para chegar até lá. Sinalizaram bem o caminho que eu peguei.

    O único problema que tive no dia do show foi na saída. Tive de pegar aquela fila interminável pra conseguir sair do Jóquei (as saídas de emergências estavam fechadas sim, o que é um absurdo). Além disso, esperei mais uns 40 minutos pra conseguir sair do estacionamento oficial.

    Quanto aos preços, estacionamento cobrando mais de 30 reais é praxe em qualquer show. Infelizmente não é um problema só do Just a Fest. O abuso com os preços de alimentação e bebidas também está em todo evento grande.

    (Um COPO de água a 5 reais!!!)

    No mais, apesar de alguns problemas de organização, eu gostei do local escolhido para o show.

  3. Nádia Lapaon 24 Mar 2009 at 11:54  (Quote)

    Ian, como eu moro no Morumbi, eu não fui pela Francisco Morato. Não tive problemas com isso, mas conheço gente que teve.

    E não é porque VOCÊ conseguiu um bom lugar que as outras 29.999 pessoas que ali estavam conseguiram também, né?

    Eu fui preparada psicologicamente pra tudo isso (chuva, lama, engarrafamento), mas pq estou acostumada já. Não acho que este é o jeito que se deva tratar o público, especialmente quando ele PAGA pra ver o show.

    Beijo!

  4. Nádia Lapaon 24 Mar 2009 at 11:56  (Quote)

    Cris, quem vinha no outro sentido da Pirajuçara (ou Pirajussara, sei lá) não via a sinalização pro estacionamento oficial. Eu perguntei de uma marronzinha da CET e ela disse que não sabia (!!!).

    Quanto ao preço das coisas, repito o que disse pro Ian: não é pq uma coisa é “comum” que ela deve ser aceita como “normal”.

    Beijo.

  5. [...] Muito mais que um mico [...]

  6. Rebiscoitoon 24 Mar 2009 at 13:35  (Quote)

    poxa, eu tb não tenho nada pra reclamar, muito pelo contrário!
    aliás, só pra não elogiar apenas, a parte mais chatinha foi no trânsito ao chegar…pq fora isso…foi td ótimo!
    paramos num estacionamento que tinha bem na frente, acho que não era o oficial..e pagamos 30 mangos. entramos. chegamos na 1ª música do los hermanos. a entrada foi super sussa tb, nem pegamos fila, revistaram minha bolsa rapidinho e fim. ficamos mais ou menos no meio de toda a platéia e na hora de saír, tirando o mundo de gente que tinha pra saír, saímos numa boa, apenas devagar.
    pegamos o carro no estacionamento. comemos num mc donalds que tinha la perto e isso talvez tenha bastado pro transitinho passar. qdo voltamos, passamos na frente da chácara e nem estava trânsito, só havia bastante gente por ali
    enfim….deu tudo super certinho!
    acho que demos sorte mesmo pq vi bastante gente reclamar sobre o caos na hora de sair e td mais..
    mas acho que vc foi a que mais reclamou hehehe
    a cerveja tava cara – outra reclamação minha mas apesar disso, os caras do bar eram meio tapados então eu acabei pegando uma de graça fazendo eles acharem que eu já tinha dado a ficha.
    não fiquei com peso na consciência pq eles tb não ficaram ao colocar o preço da cerveja por 5 reais né?! mas enfim…o show, com problemas ou não, pra mim valeu super a pena, foi um dos melhores da minha vida!

  7. Crison 24 Mar 2009 at 15:30  (Quote)

    Eu não disse que pagar mais de 30 reais pra estacionar o carro é “normal”. Disse, sim, que é comum e que não é um problema que aconteceu só no Just a Fest. É um problema que ocorre sempre e que deveria ser solucionado caso fosse do interesse de todos.

  8. Álvaro de Bemon 24 Mar 2009 at 16:35  (Quote)

    Eu moro em Porto Alegre. Não tive dinheiro pra ir, e esse show entrou no meu roll de um dos 3 grandes shows q já perdi, junto co Rolling Stones e Chuck Berry, ademais fui em quase tudo q valeu a pena.
    Durante o show em São Paulo eu estava na beira do Guaíba em Porto Alegre mesmo, na beira do palco do Nando Reis tocando gratuitamente para incriveis 70 mil pessoas…curioso não?

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