Mumford & Sons – Babel

Atenção: o Mumford & Sons não será chamado de “coxinha” nessa resenha. Se você procura por isso, pode cair fora (ou ir direto pros comentário me xingar).

Aliás, tem algo mais babaca do que a expressão “coxinha”?

É impressionante como esse termo tem funcionado de muleta para os “especialistas” preguiçosos. Afinal, é bem mais fácil afirmar que certa banda é desinteressante, e nem ter que fazer o mínimo esforço de ao menos ouvi-la, se já tem gente afirmando que ela não vale a pena. O Mumford & Sons poderia seguir essa mesma linha preguiçosa de continuar na mesmice, já que Sigh No More, disco de estreia da banda, foi um sucesso. Mas eles decidiram que não se acomodariam.

Não estou dizendo que Babel, novo álbum da banda que já vendeu mais de 600 mil cópias só nos EUA (e eles são britânicos e estavam em primeiro na parada americana), é um exemplo de renovação. Não, não é.  A diferença entre ele e o debute é mínima. Apenas uma mudança, e nem diria tão positiva assim, na produção. Parece que Markus Dravs, o produtor que também estava lá na estreia e já produziu Coldplay e Arcade Fire, tem feito questão de lustrar tudo tão bem que tira um pouco da naturalidade. Falta um pouco de ruído sobre o som do quarteto, um pouco de impureza pela qual a música folk praticamente implora. Essa busca de algo limpo e glorioso para a banda é a tacada do produtor para transformá-la na maior banda pop “não pop” do mundo. Tem dado certo.

Qualquer um pode afirmar, sem medo, que o Mumford & Sons não é um grupo acomodado por tudo aquilo que faz a cada composição, a cada melodia que não cai no lugar comum, a cada arranjo bem elaborado. Afirmar isso em conjunto não é preguiça, é reconhecimento. É de se espantar o sucesso que a banda alcançou apostando nesse formato. Tá certo que as canções não fogem muito do que se pede uma canção popular, mas também não se encaixam no manual que o popular hoje sugere. Se em certos momentos uma música lembra outra, um banjo parece se repetir, um refrão explode exatamente como outro, você não pode reclamar: o folk tem sugerido isso desde seu surgimento e criado coisas maravilhosas mesmo assim.

Explorando temas religiosos em grande parte das músicas (direta ou indiretamente), Marcus Mumford e sua turma já vinham testando grande parte dessas canções há mais de um ano. Mesmo dispensando o elemento surpresa, o desafio de manter as músicas interessantes não parece ter sido problema. “Whispers In The Dark” e “Broken Crown” são grandes exemplos de um bom trabalho em estúdio para revitalizar canções.

Desvalorizar o trabalho de uma banda como Mumford & Sons é ignorar a linha evolutiva da música pop. Não a música pop altamente pop, mas aquela que corre numa linha paralela e institui bandas como Coldplay ou um U2 como as maiores bandas de sua geração na tal cena, mesmo em tempos de grupos ou cantores mais populares que eles. Esse obviamente ainda não é o nível dos rapazes, e talvez nem venha a ser, mas é besteira fingir não perceber a reação do mercado e do público diante deles. Se a moda agora é banjo, é folk, é ser fofo e parecer descolado, a banda tem desempenhado esse papel como poucos hoje em dia são capazes. E se o assunto é estritamente música, eles também não têm feito menos que isso.

Comercialmente atentos e musicalmente dispostos, o Mumford & Sons pode ser comparado a qualquer aperitivo saboroso que você adora (e toda sua família/amigos/conhecidos também). Qual é pra você? Pra mim, pode ser coxinha mesmo.

  • Fabio

    “ui, sou revolucionário e quebro paradigmas falando que ser coxinha é legal”. cara, não sei o tipo de babaca com quem você anda junto e que está te falando isso, mas coxinha não faz esse tipo de música e não põe meia vermelha cobrindo calça cáqui. O novo cd do Mumford and Sons é chato (e eu ouvi umas 5 vezes pra testar), não é coxinha. É bem diferente. The Killers, por exemplo, pode ser considerado muito mais coxinha que esses caras e depois de três vezes ouvindo o novo cd deles alguma coisa te diz que as músicas são boas.

  • Le

    Finalmente uma resenha coerente com o trabalho da banda, pq a nota 2 do miojo indie foi ridícula.

  • @igordisco

    Eu nem acho coxinha não… Eu até acho eles legais… Ignoram tudo que é elétrico e tal, não tem bateria, não tem energia correndo nas veias. Acho tudo isso muito revolucionário na época do twitter…

    O que eu acho é que são ruins mesmo.

  • também gosto não

  • Igor Esteves de Oliveira

    Achei o cd o mais legal do ano! Música boa é música boa, independente do que os outros digam, do que ela tenha ou não tenha.

  • O som folk açucarado dos M&S é chato e não corre o menor risco de despertar emoções mais profundas no ouvinte…